Advogada é presa por suspeita de roubo milionário na Praia de Itaparica
Escrito por Rodrigo Gonçalves
8 de julho de 2025
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Prédio de luxo na Praia de Itaparica, em Vila Velha, onde ocorreu o furto de mais de R$ 1 milhão em dinheiro e joias. Foto: Reprodução/Redes Sociais
A advogada Josileide Neiman Sales foi presa nesta segunda-feira (7) em Nova Venécia, no Noroeste do Espírito Santo. Ela era considerada foragida desde maio e é investigada por integrar uma organização criminosa com atuação em tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e segurança clandestina armada nas regiões de Viana e Cariacica.
A prisão foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/ES), em ação conjunta com o serviço de inteligência da Polícia Militar. Josileide também é suspeita de envolvimento em um roubo milionário cometido em julho de 2024, em um apartamento de luxo na Praia de Itaparica, em Vila Velha.
Operação Selati mira quadrilha
A advogada já havia sido presa anteriormente por ligação com o assalto ao apartamento, mas obteve liberdade provisória. Contudo, passou a ser considerada foragida após descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça.
Ela é uma das alvos da Operação Selati, deflagrada em maio deste ano, que investiga uma quadrilha estruturada, com integrantes que atuavam mesmo após a prisão dos principais líderes. Segundo a polícia, familiares e advogados ligados ao grupo continuavam intermediando ordens e movimentando ativos ilícitos.
Nova denúncia inclui tráfico, armas e lavagem de dinheiro
A nova denúncia contra Josileide e outros investigados foi aceita pela Justiça. Os réus vão responder pelos crimes de organização criminosa armada, tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo, lavagem de dinheiro e violação da legislação de segurança privada.
A polícia afirma que o grupo promovia segurança armada clandestina em áreas dominadas pela facção.
Defesa critica decisão e fala em prisão desproporcional
Em nota, os advogados de Josileide classificaram a nova ordem de prisão como “desproporcional, prematura e violadora de garantias fundamentais”. Eles alegam que a cliente colaborou com a Justiça e já havia obtido decisão favorável à liberdade em 26 de junho.
A defesa também reclama do não cumprimento das prerrogativas da advocacia, como o direito a prisão em local separado e a possibilidade de conversão da pena preventiva em prisão domiciliar, já que Josileide é mãe de uma criança com menos de 8 anos — direito previsto no Código de Processo Penal.
Cofre levado de apartamento teria mais de R$ 1 milhão
O crime que liga a advogada ao roubo aconteceu em 17 de julho de 2024, em um apartamento de luxo na Praia de Itaparica. Segundo a investigação, os criminosos levaram cerca de R$ 1 milhão em dinheiro e joias.
Imagens do circuito de segurança mostram dois homens saindo do elevador com uma grande caixa nas costas, que seria um cofre. A diarista do apartamento, Herica Lucide Custódia, de 44 anos, foi presa por suspeita de participação. Outros dois suspeitos também foram detidos. A advogada, segundo a polícia, teria atuado como facilitadora no esquema.