Thiago Molino
lucas rezende
Lucas Rezende assina artigo que fala sobre a importância das Relações Públicas para fortalecer marcas em um cenário de excesso de informação
Escrito por Plural em 04 de março de 2026
Tal qual em um relacionamento, confiança não se pede nem se impõe. Também não se conquista de imediato, se constrói. Exige tempo, coerência e consistência. No mercado, a lógica é a mesma. Você, consumidor, tem seus próprios critérios de credibilidade. Analisa histórico, observa posicionamentos, compara discursos e práticas. Ainda assim, é suscetível às estratégias de convencimento das marcas que disputam sua atenção, seu tempo e seu dinheiro por meio do rádio, da TV, das publis no feed, de sampling nos supermercados, ativações nas ruas e outdoors pela cidade.
É nesse cenário que entram as estratégias de marca. E, entre todas elas, o PR se mostra o caminho mais sólido quando o objetivo é construir reputação duradoura e conquistar o olhar do cliente por meio da legitimidade. Os números confirmam.
Levantamento divulgado pelo portal Mundo do Marketing aponta que 72% das empresas brasileiras registraram impactos positivos das ações de PR em 2025, com reflexos tanto nos indicadores de comunicação quanto nos resultados de negócio. Dentro desse universo, 39% observaram ganhos relevantes em reconhecimento de marca. Outros 33% afirmaram que a estratégia foi decisiva para crescimento comercial, fortalecimento institucional e geração de vantagem competitiva. Apenas 9% disseram não ter identificado retorno.
Mesmo diante de um cenário econômico mais pressionado e de um ano eleitoral, nenhuma empresa que já investe na área pretende reduzir orçamento em 2026. Pelo contrário, 10% planejam ampliar investimentos.
É importante esclarecer o conceito. PR, sigla de Public Relations, ou Relações Públicas, é a gestão estratégica da reputação. Envolve relacionamento estruturado com a imprensa, construção de narrativa, definição de posicionamento e consolidação de autoridade diante de públicos relevantes.
Vivemos uma overdose de informação e publicidade. Marcas disputam segundos de atenção com campanhas cada vez mais agressivas. Nesse ambiente, impacto não é sinônimo de confiança. A propaganda amplia alcance e acelera resultados, mas reputação não se compra. É patrimônio intangível que exige coerência, constância e presença qualificada nos canais corretos.
Ao organizar a mensagem e inserir a marca em espaços editoriais legítimos, essa estratégia oferece algo que dinheiro nenhum adquire diretamente: validação externa. A credibilidade do veículo, do jornalista ou do formador de opinião é associada à empresa, reduzindo barreiras de desconfiança e encurtando o caminho entre conhecimento e consideração.
Não se trata apenas de exposição, mas de posicionamento. A construção de narrativa define temas proprietários, estabelece autoridade em determinados assuntos e garante consistência ao longo do tempo. Enquanto campanhas publicitárias têm início e fim, reputação exige continuidade.
Há também a dimensão estratégica. A atuação conecta marketing, institucional e negócios, antecipa crises, monitora percepção, identifica oportunidades de agenda e prepara lideranças para ocupar espaços de influência.
Os efeitos ultrapassam a comunicação. Fortalece o relacionamento com stakeholders, amplia influência institucional e impacta a atração de talentos e a cultura organizacional. Quando esses elementos se somam, o resultado vai além da presença na mídia.
Esse movimento vale para o agronegócio que precisa defender sua imagem, para o entretenimento e o setor de shows que dependem de credibilidade para vender experiência, para festivais de música que disputam patrocínio, para instituições de classe que buscam autoridade, para a construção civil que lida com decisões de alto investimento, para o varejo e para shoppings que competem por relevância.
Outro dado reforça a tendência: organizações com planejamento estruturado em comunicação têm 63% mais chances de alcançar resultados consistentes e manter relacionamento duradouro com a mídia especializada. Cada vez mais orientado por metas e indicadores, o PR deixou de ser ação pontual.
Em um mercado tão barulhento na disputa por sua atenção, confiança é ouro.
lucas rezende
é diretor da LR Comunicação. Especialista em gestão de reputação, gerenciamento de crises e comunicação política.
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