Guarapari
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Parque temático em Guarapari está licenciado, mas aguarda estudo urbano para definir início das obras e formato final do projeto

O Parque Terra dos Dinos, anunciado para a região de Buenos Aires, em Guarapari, está com todas as licenças ambientais e urbanísticas emitidas, mas ainda sem data definida para início ou conclusão das obras. A decisão, segundo a coordenação do projeto, foi segurar o cronograma até a finalização do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), etapa que passou a ser tratada como central para a implantação do empreendimento. A informação é da diretora de sustentabilidade e advogada ambiental responsável pelo projeto, Tchara Kede.
Anunciado em agosto de 2024, o empreendimento prevê investimento de cerca de R$ 30 milhões e será implantado na região de Buenos Aires, área de montanha do município, na Rota da Ferradura. O projeto foi lançado pelo empresário Maely Coelho e tem como proposta a criação de um parque temático voltado à paleontologia, à ciência e à experiência imersiva na natureza.
A advogada ambiental explica que, mesmo com a documentação regularizada, a equipe optou por aprofundar os estudos técnicos antes de avançar fisicamente com as obras. “O empreendimento encontra-se em fase final de planejamento técnico, com todas as licenças já devidamente emitidas, o que nos permite iniciar as obras a qualquer momento. No entanto, após consulta ao Ministério Público, optamos pela elaboração do Estudo de Impacto de Vizinhança”, afirma.
Atualmente, o Terra dos Dinos concentra esforços na consolidação dos estudos complementares, especialmente o EIV. O levantamento avalia pontos como fluxo de visitantes, mobilidade, entorno urbano e a convivência com a comunidade local. Por isso, a definição de prazos para a execução das obras só deve ocorrer após a conclusão desse estudo, etapa considerada essencial para ajustar o projeto à capacidade de suporte do território, principalmente nos períodos de alta temporada.
De acordo com Tchara, a decisão tem caráter preventivo e estratégico. Ela lembra que o projeto já enfrentou entraves técnicos e ambientais em fases anteriores. Agora, segundo a diretora, a prioridade é alinhar a implantação à dinâmica urbana de Guarapari. “Esse momento é fundamental para aprofundar o diálogo com a cidade e ajustar o cronograma de forma responsável”, diz.

Embora o parque ainda não tenha iniciado a montagem das atrações, algumas etapas estruturantes já foram concluídas. Entre elas estão o desenvolvimento conceitual, os projetos executivos, os estudos ambientais e todo o processo de licenciamento. Mesmo assim, a equipe optou por não avançar na implantação física antes da finalização e validação do Estudo de Impacto de Vizinhança.
“O parque foi concebido para ser educativo, científico e ambiental. Por isso, não faria sentido implantar atrações sem que tudo esteja totalmente alinhado às diretrizes técnicas que visam minimizar impactos e potencializar benefícios para a comunidade”, afirma a diretora.
O Terra dos Dinos foi planejado como um parque temático voltado à paleontologia, à biodiversidade e à experiência imersiva na natureza. No entanto, o número final de atrações e o formato definitivo do empreendimento ainda não foram divulgados. Essas definições, segundo a coordenação, dependem diretamente dos resultados dos estudos técnicos em andamento.
O mesmo critério vale para o valor dos ingressos. Até o momento, não existe qualquer estimativa oficial. De acordo com a equipe responsável, essa etapa será discutida mais adiante, considerando a capacidade operacional, o perfil do público, a sazonalidade e as diretrizes indicadas pelo EIV. “O compromisso é oferecer uma experiência acessível, educativa e equilibrada com a realidade local”, afirma Tchara.
Anunciado nos últimos anos, o Terra dos Dinos chegou a ter a implantação suspensa por entraves técnicos e ambientais. Em junho do ano passado, o projeto ganhou novo fôlego após a regularização da licença de obras concedida pela Prefeitura de Guarapari, em reunião realizada na quarta-feira (4).
Desde então, a proposta passou por ajustes e ampliação de escopo. Como referência, os responsáveis adotaram o modelo da unidade de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, inaugurada em 2022.