Na urna

A Favela no palco político eleitoral — e só.

Por muito tempo a população mais vulnerável vem assinando um cheque em branco ao escolher seus representantes políticos. Esse jogo precisa mudar e ser de fato mais representativo

Favela; comuidade
Favela; comuidade. Foto: FreePik

O ano de 2026 carrega em seu significado a promessa de uma nova oportunidade, um recomeço e a esperança de que dessa vez vai ser muito melhor. Para os místicos de plantão, é o ano 1, ano de inícios e plantios para uma possível colheita farta no futuro. Se será boa ou má, dizem que dependerá do tipo de semente. Tem também aqueles que fazem suas listas de planejamento e promessas, muitas vezes reaproveitadas do ano anterior, a maioria não cumpridas, mas com a certeza de que esse ano até que enfim tudo vai melhorar.

Esse também é um ano político eleitoral, que promete ter um roteiro de voltas, revoltas e reviravoltas espetaculares, dignas de cinema. Aliás, assim como o Brasil vem fazendo história no Oscar, é hora de protagonizar também nas decisões políticas. A grande questão é: Dessa vez os moradores das Favelas e Periferias serão ouvidos de forma mais efetiva pelos seus representantes, ou terão apenas o direito/dever do voto e após isso nada mais?

Não é de hoje que as Favelas assistem de modo passivo o desenrolar da política, pois é um jogo complexo que na maioria das vezes acaba afastando o interesse dos eleitores, principalmente da população mais humilde. Durante o período eleitoral as Favelas se tornam palco de loteamento e disputas de grupos ideológicos, muitas vezes apáticos a necessidade real do dia a dia da população. No discurso tudo muda. Na prática fica apenas o discurso.

Ainda tem um problema crítico, que é o famoso sumiço costumeiro de muitos políticos pós eleição, que entram de férias e só voltam quatro anos depois. Ainda tem o problema da barreira de acesso para o eleitor periférico, que começa com a dificuldade de se aproximar do político eleito, com assessores que não deixam chegar problemas menores até os representantes.

Esses problemas menores são os já conhecidos: postos de saúde sem vagas, falta de remédios, quantidade de creches insuficiente, educação fragilizada pela aprovação compulsória, falta de asfalto e calçada acessível, esgoto a céu aberto ou despejado diretamente no mar. A questão é que esse afastamento entre o eleitor da Favela e o político vai se tornando cada vez maior. Muitos passam a acreditar que aquele cargo lhes pertence por direito, e o motivo real dele estar ali, que é representar a vontade coletiva, vai se perdendo.

É preciso uma mudança drástica, radical e efetiva. Fazer um pacto social que torne as Favelas e Periferias mais prósperas e desenvolvidas. É preciso colocar seus moradores no palco e na mesa de decisões, com recurso e prazos de ação, para que não sejam meros coadjuvantes, mas protagonistas da própria história.

São coisas possíveis? Cabe a reflexão. De todo modo, aproveito esse início de ano com ar esperançoso de que além de possível também é necessário, e que estamos no momento ideal de fazê-lo.