Eduardo Amorim
Thiago Molino
Artigo assinado por Thiago Molino, CEO da Globalsys, destaca os avanços da inovação capixaba
Escrito por Plural em 06 de fevereiro de 2026
Quando pensamos em inovação no Brasil, naturalmente vêm à mente polos como Pernambuco, São Paulo ou Florianópolis. Mas se abrirmos o olhar para além dos lugares-comuns, veremos que o Espírito Santo participa dessa corrida e começa a liderar certas frentes, construindo um ecossistema que combina talento, políticas públicas estruturadas e ambição estratégica. Esse movimento tem impacto direto nas empresas de tecnologia que atuam no Estado, criando um ambiente favorável para o desenvolvimento de soluções digitais capazes de impulsionar crescimento, eficiência operacional e competitividade em diferentes setores da economia.
Além do avanço do ecossistema, há um fator decisivo que tem impulsionado a adoção de soluções tecnológicas pelas empresas capixabas: a busca por retorno claro sobre o investimento realizado. Cada vez mais, decisões relacionadas à tecnologia estão diretamente conectadas a indicadores de eficiência, seja pelo aumento de faturamento, seja pela redução de custos operacionais. O uso estratégico de tecnologia permite direcionar recursos para iniciativas que geram ganho de produtividade, automação de processos e melhor gestão da informação, garantindo que o capital investido se traduza em resultados concretos na operação e em sustentabilidade financeira no médio e longo prazo.
Dados e mapeamentos recentes têm mostrado que o Estado está rapidamente deixando de ser uma promessa para se tornar um protagonista do cenário de inovação brasileiro. Em 2023, pesquisas realizadas por empresas como a Sling Hub identificaram 134 startups ativas, resultado que já o colocava no 13º lugar no ranking nacional em número de startups e com mais de R$ 46 milhões em investimentos captados ao longo daquele ano. Esse contexto fortalece também as empresas de tecnologia já consolidadas, que encontram no Espírito Santo um mercado mais preparado para adotar soluções digitais, integrar sistemas e avançar no uso estratégico de dados e inteligência artificial.
Esses números, embora ainda modestos se comparados aos de centros tradicionais, revelam um movimento claro de crescimento e maturidade. Mais de 50% dessas startups já receberam algum tipo de aporte financeiro, sinalizando que investidores já reconhecem valor nas soluções capixabas. Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia ampliam sua atuação ao oferecer plataformas, softwares e serviços que ajudam organizações a escalar operações, reduzir custos e acelerar processos decisórios.
Mas inovação não se constrói apenas com números de investimento ou quantidade de startups. O Espírito Santo investe de forma abrangente em infraestrutura do ecossistema. Já são mais de 100 habitats de inovação, entre aceleradoras, incubadoras, laboratórios e hubs, distribuídos em 16 municípios, gerando oportunidades de conexão entre empreendedores, empresas e universidades.
O resultado desse esforço conjunto já começa a ser percebido em rankings nacionais. O Estado registrou avanço de quatro posições no pilar de inovação do Ranking de Competitividade dos Estados, colocando-se entre os mais competitivos do Brasil.
Tais indicadores refletem o que muitos de nós que atuamos no dia a dia da tecnologia e da inovação sentimos na pele: há um ambiente fértil em construção, onde o diálogo entre empresas, governo e academia está mais robusto e focado em resultados concretos. Isso cria um ciclo virtuoso de geração de soluções, atração de investimentos e desenvolvimento de capital humano.
Mas nesse caminho, precisamos continuar investindo em educação tecnológica desde a base, reter talentos que muitas vezes migram para mercados maiores e criar incentivos para que os negócios que nascem aqui também cresçam e permaneçam aqui.
Temos todos os elementos para ser referência nacional. O desafio agora é manter o empresarial e cultural na inovação como vetor de desenvolvimento sustentável, inclusivo e competitivo.
Thiago Molino
é CEO da Globalsys.
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