Fiel da balança

União Progressista: a importância da federação nas eleições no ES

Grupo de Casagrande e Ricardo não pode se dar ao luxo de perder a superfederação de Marcelo Santos e Da Vitória para a coligação de Pazolini – ainda mais agora, com o cavalo de pau de Arnaldinho. E a condição para o apoio é muito clara

Ricardo Ferraço, Marcelo Santos e Da Vitória unem forças em evento promovido pelo segundo. Foto: assessoria de Marcelo Santos
Ricardo Ferraço, Marcelo Santos e Da Vitória unem forças em evento promovido pelo segundo (31/05/2025). Foto: assessoria de Marcelo Santos

Num jogo eleitoral equilibrado como o que se desenha neste momento na disputa pelo Governo do Estado, o candidato a fiel da balança tem nome e sobrenome: União Progressista. Nenhum partido ou federação é mais cobiçado por pré-candidatos a governador; nenhum pode fazer maior diferença em um palanque majoritário. Por seu precioso tempo de propaganda eleitoral e por seus valiosos recursos para financiamento de campanha – frutos dos seus mais de 100 deputados federais –, todos querem fechar aliança com a chamada “superfederação”.

Assim como no resto do país, a federação do União Brasil com o Progressistas (PP) nasce como uma potência eleitoral no Espírito Santo, com boas chances de eleger dois deputados federais, pelo menos, se mantido o quadro atual. Comandado no Espírito Santo pelo deputado federal Josias da Vitória (PP), o União Progressista, hoje, pende mais para o lado do Palácio Anchieta, isto é, para o movimento liderado pelo governador Renato Casagrande (PSB), com o vice Ricardo Ferraço (MDB) como candidato a governador. Diríamos que, a preço de hoje, três quartos da federação estão dentro desse projeto.

O próprio Da Vitória já declarou em mais de uma ocasião: está construindo com Casagrande a eleição majoritária no Espírito Santo (para governador e senadores). E temos a informação de que Casagrande e Ricardo já formaram um petit comité que tem se reunido regularmente para discutir o andamento do processo eleitoral no Estado. Dele também fazem parte Da Vitória, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (presidente estadual do União Brasil e segundo na hierarquia da federação), e, ainda, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (muito próximo de todos eles).

Mas atenção: eu disse “três quartos”. Falta entrar no projeto de corpo inteiro. E, se não podemos afirmá-lo, é porque uma parte da federação, na pessoa do próprio Da Vitória, mantém um pé no movimento que tem em Lorenzo Pazolini (Republicanos) a aposta para chegar ao governo, como adversário de Ricardo e do Palácio Anchieta. O próprio Da Vitória conversa bem com Pazolini e com Erick Musso, presidente do Republicanos e articulador político do prefeito de Vitória. E agora, ao que tudo indica, o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) se junta a esse mesmo movimento. Da Vitória chegou até a convidar Arnaldinho para se filiar ao PP no ano passado.

Ora, em “circunstâncias normais”, isto é, antes do bater de asas de Arnaldinho, o Palácio Anchieta não poderia se permitir, de jeito nenhum, perder o União Progressista para a coligação a ser provavelmente encabeçada por Pazolini. Agora, pode menos ainda.

Com Arnaldinho ao lado de Pazolini durante o processo eleitoral, o jogo no Espírito Santo, em tese, fica muito mais equilibrado. Mas, se o União Brasil migrar para a coligação de Pazolini – e se tal coligação ainda contar com o apoio e até com a presença de Arnaldinho –, aí o jogo começa a ficar muito favorável para o prefeito de Vitória, e o Palácio Anchieta pode começar a ver o seu projeto sucessório desandar. Como dito no início: o União Progressista pode ser o fiel da hoje equilibrada balança de forças políticas estaduais, desequilibrando-a para um lado ou para o outro.

A principal condição

Ora, o que é que os líderes do União Progressista mais desejam e mais necessitam, como condição sine qua non para apertarem a mão e fecharem apoio definitivo a qualquer candidato a governador? Resposta simples: ajuda na construção da chapa da federação para eleger deputados federais.

Hoje, filiados ao União Brasil e ao PP, a federação tem quatro potenciais candidatos competitivos no Espírito Santo: no PP, os atuais deputados federais Evair de Melo e Josias da Vitória; no União Brasil, Marcelo Santos e o secretário estadual do Meio Ambiente, Felipe Rigoni.

Ocorre que o solo em que se fundam as bases dessa chapa é um tanto quanto instável. Dependendo dos futuros movimentos de alguns de seus integrantes, ela pode se esvaziar bastante. Nesse caso, as baixas precisarão ser repostas por outros quadros com musculatura política.

Da Vitória pode se tornar candidato a senador (apoiando Ricardo Ferraço ao governo). Seria a realização de um antigo desejo do coordenador da bancada capixaba no Congresso.

Evair é outro que sonha em se candidatar a senador, mas, nessa “superfederação”, dificilmente terá brecha para isso. Já foi até incentivado por Bolsonaro a concorrer ao Senado e, de tão bolsonarizado, é sempre cotado para ingressar no PL. Ele mesmo disse aqui, na última quarta-feira (4), que tem conversado com Magno sobre essa alternativa. Mas o lugar ali, como Magno reafirmou, está guardado para Maguinha Malta.

Por pragmatismo, Evair pode ficar no PP e concorrer a federal mesmo, ainda que o União Progressista fique no palanque do governo Casagrande/Ricardo, ao qual faz oposição.

Rigoni, por sua vez, pode sair do União e tem conversado com outras siglas, entre as quais o Podemos e o PSB.

Ciente de seu poderio e do seu poder de barganha na mesa de negociação, a Federação União Progressista espera, do governo Casagrande/Ricardo, toda ajuda possível para sustentar a sua chapa à Câmara.

Na prática, isso significa, por exemplo, garantir a permanência de Rigoni no União Brasil e filiar quadros ligados ao governo que postularão o mesmo cargo, como o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli (hoje no PSDB, mas já de saída anunciada), e o deputado federal Messias Donato (hoje no Republicanos, mas leal a Euclério Sampaio, apoiador de Casagrande e Ricardo).

Ao mesmo tempo, Marcelo Santos estende tapete vermelho para filiar ao União Brasil o médico Serginho Vidigal (PDT), também pré-candidato a federal. Se Serginho entrar na chapa e esta, além dele, tiver Marcelo, Evair e Da Vitória, anotem aí: a Federação União Progressista terá enormes chances de eleger, pelo menos, três deputados federais no Espírito Santo.

Esse suporte à chapa liderada por Da Vitória e Marcelo Santos é a última e mais importante condição para que a “superfederação” sacramente o apoio a Ricardo Ferraço ao Governo do Estado. Dizendo-o de outro modo: é o único fator que, a esta altura, pode levar o União Progressista a desistir de apoiar Ricardo para, na reta final das decisões, pular para um palanque adversário – por exemplo, o de Pazolini. Questão de sobrevivência.

Marcelo e companhia esperam que o governo lhes estenda de bom grado essa mão amiga, convencendo alguns aliados (Enio? Rigoni?) a irem para o sacrifício eleitoral. Esses “reforços” assomariam à chapa da Federação União Progressista sabendo que não há a menor chance de conseguirem se eleger; apenas serviriam de “escada”, ajudando a chapa a garantir dois deputados e quem sabe até chegar a três, que todos sabem quem são: Da Vitória, Evair e Marcelo.

Mas o que poderia levar um Rigoni, um Enio ou quem quer que seja a aceitar esse tipo de sacrifício? Aventa-se, por exemplo, a promessa antecipada de que serão secretários de Estado no próximo governo, em caso de vitória de Ricardo nas urnas em outubro. Tanto Rigoni quanto Enio são bem próximos a Ricardo. Aliás, na montagem do governo Casagrande 3, em dezembro de 2022, entraram no secretariado na cota do vice-governador.

Aposta na Assembleia: de 6 a 8 deputados

E quanto à chapa para eleger deputados estaduais? Aí é que o União Progressista espera mesmo fazer a festa. Os líderes da federação projetam eleger, no mínimo, seis dos 30 deputados. No mínimo. A projeção é de 6 a 8.

Além de Marcelo Santos, que será candidato a federal, essa federação, hoje, tem deputados estaduais com mandato: Marcos Madureira e Raquel Lessa, do PP, e Deninho Silva, do União Brasil. Os três têm chances reais de continuar na federação para disputar a reeleição. O deputado estadual Adilson Epindula, hoje no PSD, já disse que vai para o PP na janela partidária de março. José Esmeraldo, hoje no PDT, pode ir para o União Brasil. Também são pré-candidatos à reeleição.

O PP ainda pode lançar, na mesma chapa, o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, o ex-prefeito de São Mateus Daniel da Açaí, o vereador de Vila Velha e ex-deputado Hércules Silveira e o vereador de Cariacica Fernando Santório.

Já o União Brasil pode reforçar a chapa com o vice-prefeito de Linhares, Franco Fiorot, com a vereadora de São Mateus Elcimara da Farmácia, a mais votada da cidade em 2024, e com a vereadora de Conceição da Barra Ciara da Pesca, a mais votada da cidade em 2020 e 2024.

Com muitos possíveis candidatos com projeção de cerca de 20 mil votos, essa chapa poderá até ultrapassar 200 mil votos. O quociente eleitoral, votação total necessária para a chapa fazer um deputado estadual, deve ficar em torno de 60 mil votos.

Renzo Mendes a deputado federal

Enquanto isso, Renzo Mendes (PP), vereador de Vila Velha, foi confirmado por Josias da Vitória como candidato a deputado federal. Aliado do prefeito Arnaldinho Borgo, ele entra sem chances de vitória, numa chapa pesadíssima (como descrito a cima).

Mas, além de ajudar a chapa com seus votos, ele não ficará sem mandato (tem mais dois garantidos como vereador) e aproveitará o período de campanha para se tornar mais conhecido, já pensando na próxima eleição para prefeito de Vila Velha, em 2028. Sem Arnaldinho no páreo, o cargo estará abertíssimo.