

A resposta oficial da SEDH
Perguntamos à secretária Nara Borgo por que Renan foi exonerado e como ela responde às manifestações do ex-subsecretário. Em nota oficial, enviada por sua assessoria, a SEDH reafirmou seus compromissos com “a criação de políticas públicas que garantam o bem-estar de todas as pessoas”. No fim do texto, bem nas entrelinhas, também deixou uma alfinetada no exonerado. “Informamos que a Secretaria de Estado de Direitos Humanos (SEDH) atua na garantia dos direitos de todas as pessoas seguindo planos construídos com a participação da sociedade civil em temáticas de Igualdade Racial, Gênero, Juventudes, Criança e Adolescente, Pessoa Idosa, Pessoas em Situação de Rua, buscando, em articulação com outras secretarias, órgãos e instituições, a gestão e criação de políticas públicas que garantam o bem-estar de todas as pessoas. Sobre as equipes que lideram estes processos, estas são definidas por várias instâncias pela sua capacidade técnica, ética e política.” > Uma regra fundamental na eleição para o Senado que pode mudar tudoMovimentos sociais reagem
Em nota assinada por 17 entidades – notadamente, ligadas às minorias LGBTQIA+, incluindo a Secretaria Estadual LGBT do PT no Espírito Santo –, movimentos sociais reagiram à demissão do subsecretário e manifestaram “profunda preocupação” com o fato. “Essa decisão, acompanhada de mudanças na condução das políticas da Secretaria de Direitos Humanos (SEDH), sinaliza um retrocesso preocupante nas ações voltadas à promoção da igualdade e dos direitos humanos no Estado”, avaliaram. Também usando a palavra “desumano”, os signatários elogiaram a atuação de Renan na pasta e classificaram sua exoneração como um ato de desrespeito à própria comunidade. “Sua atuação foi marcada por competência e compromisso. Sua exoneração, conduzida de forma desrespeitosa e sem diálogo com os movimentos sociais, representa não apenas a perda de um profissional qualificado, mas um desrespeito à história de luta e resistência da comunidade LGBTQIA+ no Espírito Santo. A história não pode ser apagada ou descartada, pois isso é desumano”. Relembrando o apoio dado a Casagrande em sua reeleição em 2022 e a recente promulgação da Lei Estadual Antigênero, graças à sanção tácita do governador, os movimentos se disseram “decepcionados”. “Esse cenário causa um profundo sentimento de decepção nos movimentos sociais, que, em 2022, durante evento em Vitória, declararam apoio à reeleição do governador Renato Casagrande, reconhecendo seu compromisso com a pauta da diversidade. Essa confiança depositada merece ser honrada com ações que fortaleçam a cidadania e a inclusão”. > MPES decide não propor acordo a vereadores da Serra suspeitos de corrupção Os movimentos finalizam a nota com uma exortação direta a Casagrande, dizendo que ele e Nara Borgo precisam “rever decisões”: “Governador Renato Casagrande, seu mandato é uma oportunidade para fortalecer o diálogo com os movimentos sociais e reafirmar o compromisso com os direitos humanos. O governo estadual e a secretária Nara Borgo precisam a rever decisões que comprometam as conquistas históricas dos Direitos Humanos no ES. Que sua trajetória seja um legado para os Direitos Humanos. Não podemos aceitar retrocessos que desrespeitem a luta de uma comunidade historicamente marginalizada”.