Disputa pela Câmara

Serginho Vidigal: grandes chances de ser candidato a federal pelo Podemos

Filiação, segundo fontes, está bem encaminhada. Entenda aqui o raciocínio que rege esta articulação. Se ela se concretizar, Casagrande terá de compensar o União Brasil

Serginho Vidigal
Serginho Vidigal

O médico Serginho Vidigal, filho mais novo do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal, será candidato a deputado federal, como confirmou em meados do ano passado. Desde então, entrou numa situação ambígua. Por seu DNA político e pela escassez de pré-candidatos a deputado federal com reduto na Serra, aposta-se que ele, embora estreante nas urnas, possa concentrar muitos votos. Essa perspectiva provoca tanto atração como repulsa entre dirigentes partidários e outros pré-candidatos ao mesmo cargo.

Enquanto alguns dirigentes sonham em tê-lo na sua chapa de federais (para aumentar a votação total da chapa e as chances de eleger um ou mais deputados), quem já está na chapa não quer tê-lo como companheiro e concorrente, com medo de perder para ele a almejada cadeira na Câmara.

Serginho está no PDT, partido do pai dele, mas não tem condições de ficar lá, por um motivo simples: no Espírito Santo, o PDT não terá chapa competitiva para a Câmara Federal, se é que conseguirá registrar chapa.

Em meio a essa situação, algumas opções se apresentaram para o herdeiro político de Vidigal, como o PSB e o União Brasil. Mas agora a alternativa mais forte para Serginho passa a ser outra agremiação. A preço de hoje, há grande probabilidade de ele se filiar ao Podemos, sigla de centro-direita presidida no Espírito Santo pelo deputado federal Gilson Daniel.

O martelo ainda não foi batido. Nenhum dirigente do Podemos confirma a articulação. Mas uma fonte do Palácio Anchieta e outra do PDT (ligada a Sérgio Vidigal), sob condição de anonimato, confirmam o seguinte: Vidigal, Gilson Daniel e o governador Renato Casagrande (PSB) têm dialogado sobre isso e, hoje, a ideia de filiação de Serginho ao Podemos está bem encaminhada.

O Podemos é um partido da base do governo Casagrande. Seu presidente, Gilson Daniel, é um grande aliado do governador e foi um dos primeiros a embarcar na pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o candidato de Casagrande a governador. Para Casagrande e Ricardo, estrategicamente, é importante fortalecer o partido aliado, sua chapa e o próprio Gilson Daniel.

Vale lembrar que Gilson é pré-candidato à reeleição, na chapa do Podemos que ele mesmo está montando.

Se confirmada, a entrada de Serginho nessa chapa representará a certeza de que o Podemos fará pelo menos um deputado federal, aumentando significativamente as chances de o partido chegar a dois (Gilson e Serginho, no caso).

Além disso, a entrada de Serginho cobriria (quiçá com sobras) a possível saída de outro candidato competitivo: o atual deputado federal Victor Linhalis.

Grande aliado de Analdinho Borgo, Victor tem convite para se filiar ao PSDB, partido presidido no Estado, desde dezembro, pelo prefeito de Vila Velha. Arnaldinho precisa entregar uma chapa de federais à direção nacional do PSDB, compromisso assumido por ele com Aécio Neves quando foi designado para assumir a presidência estadual. A princípio, essa chapa tende a ser erguida em torno de Victor Linhalis.

Por ora, Victor segue no Podemos. Ainda não declarou, definitivamente, que trocará o partido pelo PSDB. Mas, se isso de fato ocorrer, será preciso repor a “baixa eleitoral”. Também aí, entraria Serginho.

Além de Gilson Daniel, a chapa do Podemos para a Câmara já tem alguns nomes certos, como o da cantora gospel e ex-deputada Lauriete, a ex-prefeita de Vitória Capitã Estéfane, o jornalista Philipe Lemos, o presidente do Incaper, Alessandro Broedel (todos já filiados à legenda), e o deputado estadual Dr. Bruno Resende, que migrará do União Brasil na janela partidária de março, conforme já anunciou.

Por que o Podemos para Serginho?

Como referido acima, o Podemos pode ser considerado um partido de centro-direita – embora tenha cargos no governo Lula (PT). Serginho, até pelo DNA político do pai, não gostaria de ir para um partido muito de direita.

O convite mais forte que ele tinha era o do União Brasil. O presidente estadual do partido, Marcelo Santos – também candidato a federal –, queria muito que ele entrasse no partido para reforçar a chapa da União Progressista, federação formada pelo União Brasil com o Progressistas (PP). Mas, com muitos caciques na mesma tribo, faltou consenso na federação. Da parte do PP, não houve o mesmo entusiasmo…

Além disso, há um complicador de fundo mais paroquial. Se entrar no União Brasil, Serginho passa a fazer parte da mesma federação de Audifax Barcelos, adversário do seu pai e da família Vidigal. O ex-prefeito da Serra está no PP, a outra face dessa federação, pela qual deve ser candidato a deputado estadual.

Casagrande terá de compensar o União Brasil

Se Serginho Vidigal for mesmo para o Podemos, com um empurrãozinho de Casagrande, o governador terá um desafio: ao cobrir um buraco, ele destapa outro e precisará também cobri-lo com outra peça.

Tentando montar uma grande coligação para sustentar a candidatura de Ricardo Ferraço (a mesma que já tem PSB, PDT, MDB e Podemos), Casagrande quer garantir a presença da Federação União Progressista.

Para tanto, uma das condições importantes é ajudar essa federação a fortalecer sua chapa para a Câmara dos Deputados: Casagrande tem de “transferir reforços”, principalmente, para o União Brasil.

O partido de Marcelo Santos contava com a permanência do secretário estadual do Meio Ambiente. Este já anunciou que irá para o PSB. O partido também sonhava com a filiação de SerginhoVidigal. Pelo jeito, também não o terá.

No desafio de manter todas as forças aliadas satisfeitas, contentando a todos por igual e ajudando-os a “nivelar” a competitividade das chapas, Casagrande precisará, urgentemente, oferecer compensações a um União Brasil duplamente frustrado. Vale dizer: nesse desafio do equilíbrio, terá de deslocar um ou mais aliados para serem candidatos a deputado federal, no lugar de Rigoni e Serginho, nessa chapa da Federação União Progressista.