O médico Serginho Vidigal, filho do ex-prefeito de mesmo nome e sobrenome, será candidato a deputado federal este ano, estreando nas urnas. Nesta sexta-feira (20), ele assinará a ficha de filiação em seu novo partido, pelo qual disputará sua primeira eleição. E o escolhido é o Podemos, conforme antecipamos aqui no dia 25 de fevereiro.
Mesmo sem nunca ter disputado um processo eleitoral, Serginho, até então, era filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), sigla de centro-esquerda comandada no Espírito Santo pelo pai dele, o Sérgio Vidigal mais famoso, prefeito da Serra por quatro mandatos. Mas o PDT não conseguiu nem conseguirá montar chapa, no Espírito Santo, para disputar um lugar na Câmara.
Para manter vivo o projeto de chegar lá a partir de 2027, Serginho precisava entrar em outro partido até o dia 4 de abril. E ele escolheu o Podemos. Por que o Podemos?
Os motivos
Para acomodar seu filho, Sérgio Vidigal buscou um partido que atendesse a duas condições: ser de centro no espectro ideológico e ser da base do governo Casagrande
Assim como todo o PDT, Sérgio Vidigal (o pai) e Sérgio Vidigal (o filho) são aliados do governo Casagrande & Ricardo Ferraço.
O Podemos é um partido da base do governo Casagrande. Seu presidente, Gilson Daniel, é um grande aliado do governador e foi um dos primeiros a embarcar na pré-candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o candidato de Casagrande a governador.
Para Casagrande e Ricardo, estrategicamente, é importante fortalecer o partido aliado, sua chapa e o próprio Gilson Daniel.
Vale lembrar que Gilson é pré-candidato à reeleição, na chapa do Podemos que ele mesmo está montando.
A entrada de Serginho nessa chapa representa a certeza de que o Podemos fará pelo menos um deputado federal, aumentando significativamente as chances de o partido eleger dois no Espírito Santo (Gilson e Serginho, no caso).
Além disso, a entrada de Serginho cobriria (quiçá com sobras) a saída de outro candidato competitivo: o atual deputado federal Victor Linhalis. Grande aliado de Arnaldinho Borgo, Victor tende a migrar – a princípio, para o PSDB, partido presidido no Estado, desde dezembro, pelo prefeito de Vila Velha.
Além de Gilson Daniel, a chapa do Podemos para a Câmara já tem alguns nomes certos, como o da cantora gospel e ex-deputada Lauriete, a ex-prefeita de Vitória Capitã Estéfane, o jornalista Philipe Lemos, e o presidente do Incaper, Alessandro Broedel (todos já filiados à legenda).
Em dezembro, o deputado estadual Dr. Bruno Resende chegou a anunciar que iria para o Podemos agora, na janela partidária. Também é pré-candidato a deputado federal. Com a chegada de Serginho Vidigal, está reavaliando a decisão.
Por que o Podemos para Serginho?
O Podemos pode ser considerado um partido de centro-direita – embora tenha cargos no governo Lula (PT). Dizendo-o de maneira objetiva: é um partido do Centrão. Serginho, até pelo DNA político do pai, não gostaria de ir para um partido muito de direita.
O convite mais forte que ele tinha era o do União Brasil. O presidente estadual do partido, Marcelo Santos – também candidato a federal –, queria muito que ele entrasse no partido para reforçar a chapa da União Progressista, federação formada pelo União Brasil com o Progressistas (PP). Mas, com muitos caciques na mesma tribo, faltou consenso na federação. Da parte do PP, não houve o mesmo entusiasmo…
Além disso, há um complicador de fundo mais paroquial. Se entrasse no União Brasil, Serginho passaria a fazer parte da mesma federação de Audifax Barcelos, adversário do seu pai e da família Vidigal. O ex-prefeito da Serra está no PP, a outra face dessa federação, pela qual deve ser candidato a deputado estadual.