Fiel da balança
Troca de partido
Secretário estadual de Meio Ambiente também explica o motivo principal da sua decisão. Ele estava no União Brasil e quer voltar à Câmara Federal

Querendo voltar a ocupar um lugar na Câmara dos Deputados, o secretário estadual de Meio Ambiente, Felipe Rigoni, anunciou seu “novo” partido na manhã desta quarta-feira (11): ele sairá do União Brasil para voltar a se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), sigla do governador Renato Casagrande.
Segundo Rigoni, um fator decisivo para a escolha foi sua excelente relação com o prefeito de Recife, João Campos, presidente nacional do PSB, e com a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP). Os três foram colegas na Câmara dos Deputados, como representantes da “nova guarda” do partido, entre 2019 e 2022. Em nota oficial, Rigoni declarou:
“Comunico que após muito diálogo e reflexão tomei a decisão de me filiar ao PSB, partido liderado pelo governador Renato Casagrande e nacionalmente por grandes amigos que tenho na política: a deputada Tabata Amaral e o prefeito de Recife, João Campos.
Meu retorno ao PSB é fruto de muito diálogo e de lealdade política. Sigo motivado para continuar ajudando a construir um Espírito Santo cada vez melhor para todos os capixabas.”
Rigoni começou sua carreira política justamente no PSB. Em 2018, filiado ao partido, disputou sua primeira eleição e foi uma das grandes surpresas daquele pleito no Espírito Santo. Mesmo pouco conhecido, elegeu-se como o segundo deputado federal mais votado do Estado, com 84.405 votos – atrás somente de Amaro Neto. O filho de Renato Casagrande, Victor Casagrande, foi um dos estrategistas da sua campanha eleitoral.
No meio do mandato na Câmara, o jovem deputado teve alguns desentendimentos com a direção nacional do PSB. Um deles, ao votar a favor da reforma da Previdência, em 2019, contrariando orientação da direção partidária.
Em março de 2022, articulando-se com líderes nacionais, ele assumiu a presidência do União Brasil no Espírito Santo. O partido surgiu no fim do ano anterior, a partir da fusão do DEM com o PSL. Ao chegar à presidência estadual, Rigoni também lançou sua pré-candidatura a governador do Espírito Santo.
Com índices fracos nas pesquisas, o deputado voltou atrás e, em julho de 2022, anunciou sua desistência e o apoio do União Brasil à candidatura de Erick Musso (Republicanos) ao Senado. Erick chegou em 3º lugar, em disputa vencida por Magno Malta (PL). Redefinindo a rota em cima da hora, Rigoni acabou tentando reeleger-se na Câmara. Com mais de 60 mil votos, não fez feio, mas a chapa do UniãoBrasil não atingiu o quociente eleitoral, e ele ficou de fora.
Na eleição para governador, Rigoni manteve-se neutro no 1º turno. Mas, logo no início do 2º turno, anunciou apoio a Casagrande contra Manato (PL) e publicou um vídeo denunciando a antiga filiação do ex-deputado à Scuderie Le Cocq.
Casagrande foi reeleito e, na formação da nova equipe de governo, convidou Rigoni para ser seu secretário de Meio Ambiente, cargo até hoje exercido por ele.
Durante os últimos três anos, Rigoni viveu um período muito conturbado no União Brasil. Foram várias as investidas, jurídicas e políticas, de diversos atores, para lhe tomarem o comando do partido no Espírito Santo. A isso se somaram os resultados ruins colhidos nas urnas, no Estado, nas eleições gerais de 2022 e nas municipais de 2024.
Rigoni segurou-se no cargo o quanto pôde, até que sucumbiu: em agosto de 2025, sob o risco de uma intervenção nacional do União Brasil no diretório local, Rigoni renunciou à presidência estadual, assumida e exercida, desde então, pelo presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos.
Rigoni volta ao PSB para compor uma chapa à Câmara dos Deputados já formada, principalmente, por outros secretários de Estado. Ali estão os secretários de Governo, Emanuela Pedroso, de Saúde, Tyago Hoffmann, e de Educação, Victor de Angelo, além do presidente do DER-ES, Eustáquio de Freitas. Também estão o ex-reitor do Ifes Jadir Pela e a subsecretária de Turismo, Lorena Vasques.