Eleições 2026: para guardar e cobrar

Quem está de verdade na disputa pela Câmara dos Deputados no ES

Quais partidos com certeza terão chapa completa? Quais provavelmente terão? Quais só por força de um milagre? Um por um, dissecamos as condições reais de cada partido, hoje, no ES

Este texto é daqueles para guardar e cobrar colunista mais à frente (precisamente, em agosto): exercício de antecipação. A primeira projeção é a seguinte: nas próximas eleições gerais, no Espírito Santo, teremos um número de candidatos a deputado federal sensivelmente menor do que tivemos nas duas eleições mais recentes.

Isso será consequência da nossa segunda previsão: poucos partidos, bem poucos, conseguirão efetivamente botar de pé uma chapa completa de candidatos a deputado federal em nosso estado. A disputa real pelas dez vagas da bancada capixaba na Câmara dos Deputados no próximo mandato (2027/2030) ficará circunscrita a poucas siglas.

Hoje, arrisco-me a dizer que, no Espírito Santo, só meia-dúzia de partidos ou federações brigarão verdadeiramente pelas dez vagas em disputa: a Federação Brasil da Esperança (PT/PV/PCdoB), o Partido Liberal (PL), o Partido Socialista Brasileiro (PSB), a Federação União Progressista, o Podemos e o Republicanos.

O Brasil tem muitos partidos registrados no TSE, mas relevantes, relevantes mesmo, há algo em torno de 15. No Espírito Santo, menos. Com a onda de fusões, incorporações e federações, isso tende a se reduzir ainda mais para 2026.

Segundo dados oficiais da Justiça Eleitoral, nas eleições gerais de 2018, o Espírito Santo teve 170 candidatos a deputado federal (uma concorrência de 17 candidatos por vaga). No pleito de 2022, o número subiu para 201 candidatos ao cargo (20 postulantes por vaga). Nas eleições deste ano, esse número talvez não passe de 100. Se chegar a isso, serão, em média, dez candidatos para cada vaga em disputa. Cem candidatos a federal correspondem a, no máximo, nove chapas completas.

No Espírito Santo, uma chapa completa à Câmara Federal deverá ter 11 candidatos, sendo pelo menos quatro mulheres, em respeito à cota de gênero de 30%. Dirigentes partidários estimam que, para eleger um deputado, uma chapa terá de totalizar algo entre 180 mil e 210 mil votos.

Esse tende a ser o quociente eleitoral (número de votos válidos para deputado federal no Estado, dividido pelo número de vagas em jogo). Cabe lembrar que, desde o pleito de 2022, partidos não podem se coligar na eleição para deputados. A última eleição com esse instituto foi a de 2018. Então, cada partido ou federação precisa montar e lançar a própria chapa para a Câmara.

Primeira prateleira: chapa completa assegurada

Hoje, com chapa completa inteiramente garantida, eu diria que só existem três partidos ou federações no Espírito Santo. Dois deles são justamente aqueles situados nas duas pontas da polarização ideológica nacional desde que Jair Bolsonaro se filiou ao primeiro: o Partido Liberal (PL), do ex-presidente da República, e a Federação Brasil da Esperança – junção do Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Lula, com o Partido Verde (PV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB). O terceiro é o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do governador Renato Casagrande.

No quesito “chapa completa assegurada”, os três saem em vantagem sobre os demais porque, neste momento, já reúnem um bom núcleo de pré-candidatos à Câmara que:

. são muito leais e identificados com as respectivas legendas;

. podem ser considerados competitivos;

. não têm chance de acabar se candidatando a outro cargo eletivo (deputado estadual, senador…);

. não têm chance alguma de mudar de sigla – isto é, não entrarão no mercado do troca-troca partidário até o dia 4 de abril, quando terminará o prazo para filiação de quem vai disputar as eleições.

Segunda prateleira: chapa completa bem encaminhada

Numa segunda prateleira dentro do mesmo quesito, outros três partidos ou federações também têm chances muito elevadas de bater uma chapa completa: a Federação União Progressista (União Brasil com Progressistas), o Podemos e o Republicanos. Dizendo o mesmo pelo avesso: dificilmente essas três agremiações deixarão de ir para a disputa com uma chapa completa.

A diferença para aqueles da prateleira acima é que, sobre esses três partidos, ainda pairam algumas incertezas: gente que pode entrar na chapa até abril, gente que pode sair, gente que pode acabar por se candidatar a outro cargo que não o de deputado federal…

Vale dizer que, no Espírito Santo, as chapas da Federação União Progressista, do Podemos e do Republicanos ainda são um projeto em construção: a montagem ainda precisa ser finalizada e receber acabamento. Para isso, os dirigentes dos três estão indo ao mercado.

Terceira prateleira: chapa completa muito improvável

Num terceiro pelotão, temos um punhado de partidos que, embora bem tradicionais e/ou atualmente pujantes em nível nacional, terão de cortar um dobrado para conseguir erguer uma chapa em condições reais de competir e fazer uma cadeira de federal no Espírito Santo.

Aqui incluo o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Podem lançar chapa completa? Podem. Mas hoje o caminho para cada um deles parece muito difícil. Seria praticamente um começar da estaca zero, ou da “estaca um”, erguendo toda a chapa em torno de um puxador de votos.

Abaixo, passamos a analisar detidamente o quadro atual para a montagem da chapa de cada um dos partidos ou federações destacados acima. Os das duas primeiras prateleiras são aqueles que de fato estão hoje na briga pelos dez lugares na bancada federal do ES:

PRIMEIRA PRATELEIRA

Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB)

João Coser é o presidente estadual do PT

Seguramente terá chapa completa, puxada por três candidatos do PT atualmente com mandato e bastante conhecidos pelos eleitores: a atual deputada federal Jack Rocha, que buscará a reeleição, e os deputados estaduais João Coser e Iriny Lopes, que tentarão voltar à Câmara. Na radiografia do PT, cada um pertence a uma corrente diferente. Em setembro passado, Coser assumiu a presidência estadual do partido no lugar de Jack.

Inicialmente candidata à reeleição na Assembleia, Iriny subiu para a chapa federal para suprir, ao menos parcialmente, a lacuna deixada por Helder Salomão (PT). O deputado federal, a princípio, buscaria seu quarto mandato sucessivo na Câmara. Mas, com o aval da direção nacional do PT, assumiu o lugar de pré-candidato da Federação Brasil da Esperança ao Governo do Espírito Santo.

A chapa da federação de esquerda também conta com o vereador de Vila Velha Rafael Primo (PT) e com o ex-secretário estadual de Saúde Nésio Fernandes (PCdoB), entre outros.

Partido Liberal (PL)

Magno Malta é o presidente estadual do PL

Na certa terá chapa completa, fundada, hoje, em dois pilares: o deputado estadual Lucas Polese e o vereador de Vitória Dárcio Bracarense. Os dois têm a cara do bolsonarismo no Espírito Santo: são visceralmente antipetistas (e radicalmente contrários à esquerda em geral); defendem com unhas e dentes o ex-presidente, seus ditos e feitos.

Um terceiro pilar, em tese, pode reforçar a chapa: a publicitária Maguinha Malta, uma das filhas do senador Magno Malta, detentor de plenos poderes na direção do PL no Espírito Santo.No entanto, desde abril de 2025, Maguinha é a aposta do PL-ES (leia-se de Magno) para o Senado. O senador não abre mão desse projeto. Como disse aqui na quinta-feira (5), a candidatura de Maguinha a senadora é “inegociável”. Em tese, porém, se ela “descer para a Câmara”, além de aumentar a votação total da chapa de federais, ajudará o partido a cumprir a cota de gênero.

A chapa do PL sofreu um baque no fim do ano passado, com o muito provável desfalque de Gilvan da Federal. Inicialmente candidato à reeleição e maior aposta do partido como “puxador de votos” da chapa, o deputado foi condenado por órgão colegiado (o TRE-ES) em dezembro. Está, assim, inelegível, por ter se tornado “ficha suja”. Ele e o PL ainda têm esperança de reverter a situação no TSE a tempo de ele conseguir disputar. Do contrário, o Pastor Dinho (PL), vereador da Serra, grande aliado de Gilvan, pode subir para a chapa. A princípio, ele é candidato à Assembleia.

Partido Socialista Brasileiro (PSB)

Alberto Gavini (com Casagrande) é o presidente estadual do PSB

O partido no poder no Espírito Santo desde 2019 também tem chapa 100% assegurada. A “sustança” está em um punhado de aliados do governador Renato Casagrande, muito leais a ele, maior líder do partido no Estado desde o fim do século passado.

Gravitando em torno de sua liderança estão o secretário estadual de Saúde, Tyago Hoffmann, o presidente do DER-ES, Eustáquio de Freitas, a secretária estadual de Governo, Emanuela Pedroso, e o secretário estadual de Educação, Vitor de Angelo. Todos serão candidatos a federal.

Hoffmann e Freitas são filiados de longa data ao PSB. Já Emanuela filiou-se no início de 2025 – e assumiu a presidência da legenda em Vila Velha. De Angelo entrou na sigla em dezembro.

O secretário estadual de Justiça, Rafael Pacheco, é outro que tem boas chances de concorrer a federal pelo PSB, a convite de Casagrande.

Todos podem se valer das respectivas posições estratégicas no Governo do Estado como vitrine para impulsionar suas candidaturas.

A chapa ainda conta com nomes como Jadir Pela, ex-reitor do Ifes.

SEGUNDA PRATELEIRA

União Progressista (UP)

Da Vitória é o presidente estadual da Federação União Progressista

Assim como no resto do país, a federação do União Brasil com o Progressistas (PP) nasce como uma potência, inclusive eleitoral, no Espírito Santo, com boas chances de eleger dois federais, pelo menos, se mantido o quadro atual.

Hoje, filiados a uma dessas duas siglas, a federação tem quatro potenciais candidatos competitivos no Espírito Santo: no PP, os atuais deputados federais Evair de Melo e Josias da Vitória (este, presidente estadual do partido e da federação no Espírito Santo); no União Brasil, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (presidente estadual da legenda), e o secretário estadual do Meio Ambiente, Felipe Rigoni.

Ocorre que o solo em que se fundam as bases dessa chapa é um tanto quanto instável. Dependendo dos futuros movimentos de alguns de seus integrantes, ela pode se esvaziar bastante. Nesse caso, as baixas precisariam ser repostas por outros quadros com musculatura política.

Da Vitória pode se tornar candidato a senador (apoiando Ricardo Ferraço ao governo). Seria a realização de um antigo desejo do coordenador da bancada capixaba no Congresso.

Evair é outro que sonha em se candidatar a senador, mas, nessa “superfederação”, dificilmente terá brecha para isso. Já foi até incentivado por Bolsonaro a concorrer ao Senado e, de tão bolsonarizado, é sempre cotado para ingressar no PL. Ele mesmo disse aqui, na quarta-feira (4), que tem conversado com Magno sobre essa alternativa. Mas o lugar ali, como Magno reafirmou, está guardado para Maguinha.

Por pragmatismo, Evair pode ficar no PP e concorrer a federal mesmo, ainda que o União Progressista fique no palanque do governo Casagrande/Ricardo, ao qual faz oposição.

Rigoni, por sua vez, pode sair do União e tem conversado com outras siglas, entre as quais o Podemos e o PSB.

Ciente de seu poderio e do seu poder de barganha na mesa de negociação, a Federação União Progressista espera, do governo Casagrande/Ricardo, toda ajuda possível para sustentar a sua chapa à Câmara.

Na prática, isso significa, por exemplo, garantir a permanência de Rigoni no União Brasil e filiar quadros ligados ao governo que postularão o mesmo cargo, como o secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli (hoje no PSDB, mas já de saída anunciada), e o deputado federal Messias Donato (hoje no Republicanos, mas leal a Euclério Sampaio, apoiador de Casagrande e Ricardo).

Ao mesmo tempo, Marcelo Santos estende tapete vermelho para filiar ao União Brasil o médico Serginho Vidigal (PDT), também pré-candidato a federal. Se ele entrar na chapa e esta, além dele, tiver Marcelo, Evair e Da Vitória, anotem aí: a Federação União Progressista terá enormes chances de eleger, pelo menos, três deputados federais no Espírito Santo.

Podemos

Gilson Daniel é o presidente estadual do Podemos

Provavelmente terá chapa completinha, projeto em andamento nas mãos do deputado federal Gilson Daniel, seu presidente estadual há muitos anos. O próprio Gilson é o centro da chapa, mas é preciso reforços. Para isso, ele também conta com a ajuda do governador Renato Casagrande.

O Podemos foi um dos primeiros a embarcar na candidatura de Ricardo Ferraço a governador. O acordo passa pela filiação de soldados de Casagrande, para engrossar a chapa da agremiação. Uma delas já se consumou: antiga paquera do Podemos, o jornalista Philipe Lemos, hoje em cargo menor na Cesan, filiou-se oficialmente em dezembro. Rigoni é outro alvo do partido.

Gilson também já filiou a ex-deputada federal Lauriete, popular no meio evangélico como cantora gospel.

Além de Gilson, o Podemos tem, desde 2023, um segundo deputado federal na bancada capixaba: o “deputado do Arnaldinho”, Victor Linhalis. No início de dezembro, o prefeito de Vila Velha assumiu a presidência do PSDB no Espírito Santo, por nomeação do presidente nacional, Aécio Neves. Com isso, Arnaldinho pode viabilizar a própria candidatura a governador. No diálogo com Aécio, uma das contrapartidas assumidas pelo prefeito foi sua ajuda pessoal para filiar quadros e montar a chapa de deputados do PSDB no Estado.

Nesse contexto, Victor pode mudar de partido, ainda mais se Arnaldinho virar mesmo adversário eleitoral de Ricardo (já apoiado pelo Podemos). Na verdade, no anúncio de Arnaldinho como novo presidente estadual, Victor também foi tratado como nova aquisição do PSDB. Aécio disse publicamente que o espera no ninho tucano.

Mas pode não ser uma boa para “o deputado do Arnaldinho”. Ele pode ficar “vendido”, como único candidato viável em uma chapa fraca, sem chances de atingir o quociente eleitoral.

Republicanos

Erick Musso é o presidente estadual do Republicanos

Presidido no Espírito Santo por Erick Musso, o Republicanos tem sua chapa iniciada com o próprio ex-presidente da Assembleia. Seu desafio é manter e montar o resto. Hoje, o partido conservador tem dois membros na bancada capixaba na Câmara: Amaro Neto e Messias Donato. Este com certeza buscará renovar o mandato. Amaro tende a fazer o mesmo, embora com poder de fogo eleitoral provavelmente reduzido em relação a 2022 e bem longe do que foi em 2018, devido a seu muito pálido mandato.

Amaro tende a ficar no Republicanos. Difícil mesmo será manter Messias, que é fiel a Deus, à sua igreja evangélica, ao bolsonarismo e a seu padrinho político e prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), por sua vez apoiador de Ricardo Ferraço (MDB), por sua vez adversário do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, por sua vez probabilíssimo candidato a governador pelo… Republicanos. Na janela de março, Messias deverá ir para onde Euclério definir: União Brasil e MDB estão entre as possibilidades.

Sem perder tempo, Erick tem ido ao mercado. Já “contratou” a ex-deputada federal Soraya Manato. Secretária de Assistência Social na gestão de Pazolini em Vitória desde o ano passado, ela se filiou ao Republicanos em dezembro, para ser candidata a federal – ajudando o partido, ainda, a cumprir a cota de gênero.

Movimento parecido foi conduzido com o Coronel Alexandre Ramalho, secretário de Meio Ambiente de Vitória também desde o ano passado. Para assumir o cargo, ele saiu do PL. Ramalho também já se filiou ao Republicanos, anunciando sua pré-candidatura a deputado federal.

TERCEIRA PRATELEIRA

PDT

Sérgio Vidigal é secretário estadual de Desenvolvimento
Sérgio Vidigal é quem controla o PDT no ES

O partido de Sérgio Vidigal (PDT) é um dos mais consistentes aliados do PSB e do governo Casagrande, desde sempre. O filho mais novo de Vidigal, Serginho Vidigal, é pré-candidato a federal. Herdeiro da profissão e do capital político do pai, o médico tem tudo para ir bem nas urnas em sua estreia eleitoral. Mas ele sozinho não basta.

O filho de Sérgio e Sueli seria a espinha dorsal da chapa, mas hoje, fora ele, não há nada… para conseguir bater uma chapa com chances de brigar por uma vaga, o PDT precisará ser socorrido pelo governador e por Ricardo. Do contrário, nada feito. Serginho poderá ter um caminhão de votos (digamos, mais de 100 mil) e nem assim conseguirá se eleger, porque a chapa completa dificilmente atingirá o quociente se ficar dependente só dos votos dele.

PSD

Renzo Vasconcelos é o presidente estadual do PSD

No momento, o partido de Gilberto Kassab tem, nesta capitania, a pré-candidatura da médica Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina, e só. A esposa do prefeito Renzo Vasconcelos, presidente estadual do PSD, fará sua estreia nas urnas e é uma grande incógnita.

Ela mesma, Renzo e a influente família Vasconcelos apostam numa ampla votação – com a transfusão do capital político do prefeito, bem votado em suas últimas campanhas, e a ajuda da máquina municipal. Mas, de novo, a exemplo de outros casos citados acima: como a disputa à Câmara não é majoritária, uma andorinha não faz verão nas urnas.

O PSD também está com as portas escancaradas para o deputado estadual Sérgio Meneguelli, “poca-urna” da eleição de 2022 para a Assembleia Legislativa. Mas o ex-prefeito de Colatina está determinado a, desta vez, ser candidato a senador. Já avisou a todos os partidos que não será candidato a deputado nem se a mãe dele ressuscitar e lhe fizer esse pedido. Palavras dele, literalmente.

Para não sacrificar a própria mulher na estreia dela nas urnas, pode ser que Renzo recalcule a rota e a lance na chapa de deputados estaduais do PSD. Ali ela poderá contribuir muito, com chances reais de se eleger como a puxadora de votos da chapa.

MDB

Ricardo Ferraço: "Bandido não vai se criar no ES". Foto: Mateus Fonseca/Governo-ES
Ricardo Ferraço é o presidente estadual do MDB

Hoje é muito difícil enxergar o partido de Ricardo Ferraço com uma chapa para a Câmara dos Deputados. Só se a ex-senadora Rose de Freitas for de novo candidata a federal e se o secretário estadual de Recuperação do Rio Doce, Guerino Balestrassi, der um passo adiante.

Hoje Rose bate o pé como pré-candidata a senadora, enquanto o ex-prefeito colatinense se diz pré-candidato a deputado estadual… Em tese, pode candidatar-se a federal, no lugar de Paulo Foletto (PSB), que em janeiro anunciou sua decisão de não ser candidato novamente à Câmara, abrindo um vácuo que poderia ser ocupado por Guerino em Colatina e adjacências.

Eventual chapa do MDB também poderia ser encorpada com o auxílio pessoal de Casagrande (mas haja bocas para alimentar!).

PSDB

Arnaldinho Borgo é o presidente estadual do PSDB

Hoje, diríamos que a chapa prometida por Arnaldinho a Aécio dificilmente ficará de pé. Tudo bem sopesado, é possível que até Victor Linhalis desista de migrar para o PSDB na próxima janela e continue na chapa do Podemos, onde terá maiores chances de se reeleger.

Fontes da coluna afirmam que, a interlocutores, o deputado já tem admitido que está repensando sua ida para o PSDB no rastro do seu maior aliado. Questão de sobrevivência política.

Quarta prateleira: podem ter chapa, mas sem chance alguma

Fora isso, quem resta? Partidos hoje bem pequeninos, com pouca expressão política no Espírito Santo. Podem até registrar uma chapa, mas passarão longe da disputa real por uma cadeira na Câmara.

O Novo, por exemplo, tende a lançar uma chapa, mas sem a expectativa de chegar nem perto de beliscar um lugarzinho na bancada capixaba. O objetivo realista é atingir uma votação total mínima (algo em torno de 40 mil a 50 mil votos) que ajude o partido a superar, nacionalmente, a cláusula de barreira.

Outros poderão fazer o mesmo, com o mesmo objetivo “pés no chão”, cientes de que não têm tamanho para brigar lá em cima, com os grandes. É o caso da Federação Renovação Solidária – formada, em dezembro, pelo Partido Renovação Democrática (PRD) com o Solidariedade.

Com o auxílio direto do prefeito Arnaldinho Borgo, essa pequena federação poderá montar e lançar uma chapa no Espírito Santo, como parte do esforço nacional para superar a cláusula de desempenho. Arnaldinho assumiu tal compromisso perante os dirigentes nacionais das duas siglas.