
Zé Preto
Criador de cavalos e vereador mais votado de Guarapari em 2020, Zé Preto foi um dos cinco deputados estaduais eleitos pelo PL em 2022. Tão logo foi eleito, passou a dizer algo que muito desagradou a Magno: anunciou que se integraria à base aliada do governo Casagrande, e assim de fato agiu desde os primeiros meses do mandato.
Juninho Corrêa
Ex-seminarista e membro de uma ala bem conservadora do catolicismo, o jovem Juninho Corrêa elegeu-se vereador de Cachoeiro em 2020. Até o início do ano passado, era cotado para se candidatar a prefeito pelo PL e considerado bem competitivo, num município altamente permeável ao bolsonarismo. Porém, em fevereiro de 2024, anunciou a decisão de se desfiliar do PL, não ser candidato a nada e voltar ao seminário para se ordenar padre. Ao expor seus motivos, queixou-se da condução do partido por Magno Malta e da estratégia eleitoral ditada pelo senador, que o impedia de se coligar com outras siglas (até siglas de direita). Desentendeu-se também com Callegari, influente na mesma região. Mas a decisão durou pouco, e ele logo desistiu de desistir. Em vez de voltar para o seminário, Juninho filiou-se ao Novo e foi candidato a vice-prefeito do veteraníssimo Theodorico Ferraço (PP). A chapa foi vitoriosa. O PL chegou em segundo lugar, com o então vereador Léo Camargo. Juninho já até assumiu a Prefeitura de Cachoeiro por um período no lugar de Ferraço, durante licença do prefeito para tratar de questões de saúde.Alexandre Ramalho
O ex-secretário estadual de Segurança teve uma passagem bem mais curta no PL do que se poderia imaginar, haja vista seu entusiasmo enquanto ali esteve. Em março de 2024, após entregar o cargo de secretário e se desfiliar do Podemos, Ramalho entrou no PL, a convite de Magno Malta, tendo a ficha de filiação abonada pessoalmente por Jair Bolsonaro. Filiou-se para ser candidato a prefeito de Vila Velha e o foi.
Durante a temporada eleitoral, radicalizou o discurso e revelou-se um dos mais fervorosos bolsonaristas, participando de atos públicos com Gilvan da Federal, Eduardo Bolsonaro, Sargento Fahur, entre outros. Apostando na divisão ideológica, passou a campanha a tachar o prefeito Arnaldinho Borgo de “esquerdista” e criticou bastante o governo Casagrande e o PSB, partido do governador, por serem de esquerda. Mas a tática falhou: aliado de Casagrande, o prefeito canela-verde se reelegeu com quase 80% dos votos válidos.
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Sem mandato nem cargo público, Ramalho fez nova revisão de rota. Em abril deste ano, após 13 meses de filiação ao PL, o coronel da reserva da PMES aceitou o convite de Erick Musso e Lorenzo Pazolini (ambos do Republicanos) para assumir a Secretaria de Meio Ambiente de Vitória. Para isso, saiu do PL, pois Magno não queria participação na gestão de Pazolini. A mudança é parte de um plano maior: Ramalho deve se filiar ao Republicanos para se candidatar a deputado no próximo ano.
Carlos Manato
A rigor, ainda está no PL, mas a desfiliação oficial é só uma questão de tempo. Pelo partido de Bolsonaro, foi candidato a governador do Espírito Santo em 2022, e a verdade é que chegou muito perto. Levou a eleição para o segundo turno, no qual teve 46,1% dos votos válidos. Deu trabalho para Casagrande, mas o viu se reeleger.
Após o pleito, não partiu para a oposição. Ao contrário, deu um tempo da política e foi se concentrar em seus negócios empresariais: construiu e inaugurou uma pousada em Pedra Azul. No começo deste ano, dizendo querer ser candidato a senador em 2026, voltou a fazer algumas movimentações políticas. Mas suas chances de ficar no PL são remotas.
Primeiro, pelo mesmo motivo que levou até Callegari a decidir agora sair do PL: para ser candidato a senador, terá de procurar outra legenda, pois o lugar no PL está guardado, pelo próprio Magno, para Maguinha Malta.
Mas, no caso de Manato, há uma questão adicional: um desentendimento pessoal com Magno. Após a derrota nas urnas em 2022, ele passou a exteriorizar algo que era evidente (bastava olhar os números informados ao TSE): como presidente estadual do PL, Magno concentrou os recursos do Fundo Eleitoral na própria campanha a senador, deixando a de Manato, financeiramente, em segundo plano. Manato fala em uma dívida de campanha milionária que teria sobrado para ele mesmo quitar, após supostas promessas não cumpridas pela direção partidária.