
O pródigo conjunto probatório
No dia 31 de dezembro, Erick mandou uma mensagem de texto para Magno, com votos de feliz ano novo. O senador lhe respondeu com um aceno, sinalizando que os dois precisam se sentar para conversar. O muito aguardado encontro ainda não ocorreu. Poderá se consumar em breve. Até lá, o que não falta são evidências, fortes evidências, desse princípio de reaproximação estratégica. Só na semana passada, Erick recebeu dois deputados do PL em seu gabinete na Prefeitura de Vitória (desde janeiro, ele é secretário de Governo de Pazolini): Lucas Polese (de Colatina) e Callegari (de Cachoeiro). São, desde o início do atual mandato, em 2023, os dois deputados que fazem a mais ruidosa oposição ideológica ao governo Casagrande no plenário da Assembleia – mais até que o Capitão Assumção (PL), que passou a centrar fogo em pautas nacionais e no governo Lula. Além disso, na última quinta-feira (13), Erick tomou café numa padaria com o deputado federal Gilvan da Federal. Também conversou por telefone com o deputado estadual Danilo Bahiense e com o ex-vereador Léo Camargo, candidato derrotado à Prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim no ano passado. Todos do PL.
O sonho do partido de Pazolini: uma frente de direita ampliada
Ao mesmo tempo, o Republicanos quer manter conversas com União Brasil, PP e Podemos. São siglas posicionadas do centro para a direita. Hoje, no Espírito Santo, esses três partidos estão na aba do Palácio Anchieta, mas os republicanos não desistirão de tentar atraí-los para uma frente de direita e de oposição, até o último momento. Acreditam que a permanência desses partidos na coligação de Casagrande vai depender do candidato escolhido para sua sucessão. Enquanto turbina a possível candidatura de Ricardo Ferraço, o Palácio Anchieta mantém duas cartas na manga: Sérgio Vidigal (PDT) e Arnaldinho Borgo (Podemos). Se for mesmo Ricardo, é mais provável que PP, Podemos e União fiquem no palanque da situação. Se for, por exemplo, Vidigal, já é mais difícil, por ser ele um homem público historicamente de esquerda. O Republicanos também faz questão de manter excelente relação e conversas com Arnaldinho até 2026. O sonho de consumo do Republicanos é ter o prefeito de Vila Velha apoiando o candidato de oposição dessa frente – Pazolini, se a eleição fosse hoje. O Republicanos apoiou a reeleição de Arnaldinho e está na base do prefeito. Tem seu novo líder na Câmara Municipal de Vila Velha, o vereador Devanir Ferreira. Mas é difícil até imaginar Arnaldinho apoiando Pazolini, ou qualquer outro candidato que não seja o do grupo de Casagrande. O Governo do Estado injeta muitos recursos em Vila Velha. Seu vice-prefeito, Cael Linhalis, é do PSB – e a escolha foi fruto dessa parceria, aparentemente inquebrável. O prefeito já reiterou à imprensa seu compromisso de lealdade a Casagrande e seu apoio a Ricardo Ferraço como o candidato do grupo. Arnaldinho está, literalmente, correndo lado a lado com o governador. “No pique do Casão”.
Pazolini foi a Marcos Pereira
No início de dezembro, Erick Musso levou Pazolini ao presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, em São Paulo. Sem especificar mandato, Pazolini disse ao dirigente que está à disposição do partido para as eleições de 2026.A road trip pré-eleitoral pelo ES
Em janeiro, Erick e Pazolini decidiram colocar o pé na estrada para começar a tornar o prefeito de Vitória mais conhecido pelo interior do Estado – onde vive metade da população capixaba. Acompanhados do deputado federal Evair de Melo (PP), opositor de Casagrande, já passaram por Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins e Vargem Alta. Os vídeos das excursões, com direito a muito corpo a corpo, têm sido publicados pelo prefeito em seu Instagram com o título “Na Estrada com Pazola”. A legenda do último é bem de pré-candidato: “Cada abraço, cada conversa e cada jogo reforçam o que sempre acreditamos: juntos, podemos construir um Espírito Santo cada vez mais forte e unido”. Desde janeiro, como já observado aqui, todos os seus posts, inclusive sobre ações da Prefeitura de Vitória, são assinados com “Prefeito Pazolini” nas três cores da bandeira do Espírito Santo. Além de “Viva, Vitória!”, ele passou a gritar, em qualquer ocasião, “Viva o Espírito Santo!”.O contato com Paulo Hartung
No Republicanos, a percepção é a de que Paulo Hartung será candidato a governador e incentiva Pazolini a se candidatar ao governo. Erick e Hartung se falam pessoalmente uma vez por mês e, por telefone, pelo menos uma vez por semana. Se Hartung entrar mesmo no PSD – o que está previsto para abril – e quiser ser candidato a senador, ficará em posição curiosa. Caso essa frente de direita se concretize, ele, no PSD, ficará ao lado do Republicanos e até do PL de Bolsonaro e de Magno. Como governador, de 2015 a 2018, Hartung foi um grande crítico de Bolsonaro, alertando para os riscos contidos no extremismo e no populismo de direita representados pelo então deputado federal em caso de chegada à Presidência. Em entrevista dada em novembro ao programa EStúdio 360, Hartung respondeu a uma pergunta relacionada a Bolsonaro. Naquele mesmo dia, era esperada a apresentação do inquérito da Polícia Federal, indiciando o ex-presidente por golpe de Estado – o mesmo que resultou, na última terça-feira (18), em denúncia da PGR contra ele. Hartung contemporizou. Não fez uma só crítica a Bolsonaro. Destacou que a experiência o ensinou a ter prudência e cuidado com prejulgamentos.