Eleições 2026

Partido de Paulo Hartung fecha apoio a Pazolini e Arnaldinho

E mais: o que o PSD agrega à coligação; o fator Sérgio Meneguelli; a incursão de Pazolini e Arnaldinho pelo Noroeste; a maratona de Ricardo e Casagrande pelo interior do Estado

O Partido Social Democrático (PSD) decidiu se incorporar ao movimento eleitoral que reúne o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB). O anúncio ainda não foi feito pelo presidente estadual do partido, o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. Ele pretende fazê-lo em um grande evento, no mês de março. A aliança está selada.

Na sexta-feira (20), os dois prefeitos da Grande Vitória foram ao encontro de Renzo, em Colatina. Os três fizeram e publicaram uma daquelas fotos que “gritam” e dispensam legenda: todos se dando as mãos, uma por cima da outra, simbolizando a união de forças. Também participaram do registro o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, articulador de Pazolini, e a médica Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina. Lívia é a maior aposta do PSD para concorrer a deputada federal ou estadual.

Longe de ser um fato surpreendente, a presença do PSD nessa frente eleitoral, alternativa à do governo Casagrande, é a confirmação de uma tendência assinalada aqui mesmo algumas vezes. Não havia a menor chance de o PSD se juntar ao movimento eleitoral do Palácio Anchieta, que tem o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como candidato à sucessão. O governo nunca teve a expectativa de contar com o PSD em sua coligação.

Para começo de análise, o PSD é, desde maio do ano passado, o partido do ex-governador Paulo Hartung, nêmesis do governador Renato Casagrande (PSB). Hartung já até declarou apoio a Pazolini para governador, em entrevista à coluna, publicada no início deste mês.

O próprio Renzo não é considerado um aliado pelo Palácio Anchieta. Em 2024, o governo Casagrande apoiou Guerino Balestrassi (MDB), derrotado por Renzo, na eleição a prefeito de Colatina. Em dezembro de 2025, o atual prefeito e presidente estadual do PSD deu entrevista à coluna e, numa espécie de desabafo, disse que sempre se considerou um aliado do governo Casagrande, mas que nunca foi prestigiado.

Para completar, no cenário político estadual, PSD e Republicanos estão muito afinados nos últimos anos. Sob a condução de Renzo, o PSD apoiou a reeleição de Pazolini em Vitória em 2024; sob a liderança de Erick Musso, o Republicanos apoiou a chegada de Renzo à Prefeitura de Colatina no mesmo pleito.

A presença do PSD na coligação majoritária liderada pelo Republicanos de Pazolini é muito importante em termos práticos. Hoje, no Espírito Santo, o PSDB basicamente se resume a Arnaldinho. Agrega muito pouco à coligação em matéria de recursos financeiros, tempo de propaganda eleitoral e aliados políticos.

Já o PSD, hoje bem maior que o PSDB em âmbito nacional, agrega bem mais recursos e tempo de TV e rádio. Mas também não soma tanto no quesito “rede de aliados”. Grande no país, o PSD hoje é relativamente pequeno no Espírito Santo. Nas eleições municipais de 2024, elegeu só dois prefeitos nos 78 municípios capixabas, além do próprio Renzo.

De todo modo, também entra na equação o exército de assessores políticos da Prefeitura de Colatina. Sem nenhuma capilaridade fora da Grande Vitória, Pazolini e Arnaldinho precisam urgentemente se tornar mais conhecidos no interior do Espírito Santo, onde o Governo do Estado nada de braçada, não só pelos investimentos que faz nas cidades interioranas como porque os “veteranos” Casagrande e Ricardo Ferraço têm cerca de 40 anos de atuação política intensa em tais redutos.

É possível que, a partir da aliança com Renzo, Pazolini e Arnaldinho estabeleçam em Colatina, quarta cidade mais populosa fora da Grande Vitória, a base de sua campanha pelo interior do Estado. Aliás, já começaram a fazê-lo.

O fator Meneguelli

Um nó que Renzo Vasconcelos precisará desatar com muito tato diz respeito a um aliado deveras importante para ele: o deputado estadual Sérgio Meneguelli.

O deputado quer ser candidato a senador e não abre mão disso. Tem convite de Renzo para entrar no PSD, o que terá de consumar até 4 de abril. Mas precisa de garantias de que, entrando no partido, terá mesmo legenda para disputar uma cadeira no Senado.

Ocorre que a chegada de Arnaldinho a essa mesma frente eleitoral muda um pouco as coisas de figura… Pelo desenho traçado por Pazolini, Erick Musso e Arnaldinho, se o prefeito de Vitória for candidato a governador, o de Vila Velha poderá ser candidato a senador, pela mesma coligação.

Isso deixa o espaço mais “apertado” para Meneguelli. Nessa mesma coligação, só restará uma vaga para outro candidato ao Senado. Meneguelli precisa ter certeza de que essa outra vaga será dele. Mas há outros peixes grandes nessa frente, como o ex-governador Paulo Hartung.

Muito em breve, Renzo deve ir a São Paulo com Meneguelli, para apresentá-lo ao presidente nacional e oráculo do PSD, Gilberto Kassab. Desse encontro poderá sair uma resolução quanto à filiação ou não de Meneguelli ao partido.

Somente depois disso, com essa questão resolvida, Renzo deverá fazer o anúncio público quanto à entrada do PSD nessa coligação em formação.

Incursão pelo Noroeste

Como dissemos, Pazolini e Arnaldinho precisam correr contra o tempo para aumentarem o próprio recall no interior capixaba. Para isso, têm contado muito com a ajuda do deputado federal Evair de Melo. Geograficamente mais forte onde eles são mais fracos, o parlamentar bolsonarista tem sido um cicerone para a dupla.

Na noite da última sexta-feira (20), Evair realizou um evento de prestação de contas do mandato no município de Águia Branca, vizinho a Colatina, no clube de um grande cafeicultor da região. Participaram agentes políticos e empresariais de vários municípios do Noroeste. Além de Evair, discursaram Pazolini, Arnaldinho e Erick Musso.

Uma impressão compartilhada por um espectador do encontro: Pazolini e Arnaldinho estão só num início de caminhada e estão na fase de praticamente apresentarem a si mesmos e a suas pré-candidaturas aos líderes políticos do interior. Mas, para além do discurso meio genérico de “renovação” e de slogans como o “novo Espírito Santo”, ainda precisam conhecer melhor quem é quem no interior e, principalmente, quais são as demandas específicas de cada localidade.

Ninguém pode cobrar “plano de governo” a esta altura… Mas é preciso começar a abordar, objetivamente, as necessidades e prioridades dos lugares visitados.

O novo Espírito Santo”

Aliás, “O Novo Espírito Santo” é claramente o slogan em que os estrategistas e marqueteiros políticos de Pazolini e Arnaldinho estão apostando agora. A expressão apareceu na entrevista do prefeito de Vila Velha à coluna, publicada aqui na sexta-feira (20). Está em texto mandado à imprensa por Evair de Melo e até em comentários de assessores do prefeito de Vila Velha a postagens deles no Instagram.

Contraofensiva forte do governo

Enquanto Arnaldinho e Pazolini percorreram Colatina e Águia Branca, a caravana do governo Casagrande passou com estrondo pela mesma região. Entre quinta-feira (19) e sábado (21), Casagrande e Ricardo Ferraço maratonaram por cinco municípios do Norte e do Noroeste, fazendo entregas e anunciando outras.

Foram acompanhados em cada passo pelo presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), e pela secretária estadual de Governo, Emanuela Pedroso (PSB).

Na noite de sábado, Casagrande e Ricardo ainda participaram de um grande culto evangélico com o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB). Neste domingo, continuam a maratona, com entregas em Domingos Martins.

Prefeito de Colatina ausente

Após passagens por Boa Esperança, Nova Venécia, Vila Pavão e Marilândia, a caravana culminou justamente em Colatina, na tarde de sábado (21). Chamou a atenção a ausência de Renzo Vasconcelos.

No dia seguinte à foto tirada com Pazolini e Arnaldinho, o prefeito não compareceu à solenidade oficial de inauguração da primeira etapa de uma estrada do Programa Caminhos do Campo e assinatura da ordem de serviço para a construção da segunda etapa.

Meneguelli também não participou.

O discurso de Da Vitória

Quem participou da entrega em Colatina foi o deputado federal Josias da Vitória, presidente estadual da Federação União Progressistas (União Brasil com PP). Seu discurso teve um trecho enigmático, que permite mil interpretações:

“Olha, o que a cidade e o que o Estado já fez por nós, nós temos a obrigação de, independente da posição, do time de cada um, da onde ele torce, que eu tenho a minha posição… Quando o nosso desafio seja o desafio do Espírito Santo, o nosso partido vai ser o povo capixaba”.

Entenderam?

Bola fora

Cumprindo a determinação do seu partido, o PSB, o Professor Júnior Bola entregou na manhã de sábado (20) o cargo que ocupava na Prefeitura de Vila Velha. Ele era subsecretário municipal de Cultura.