Nas próximas duas semanas, os secretários municipais e estaduais que querem se candidatar a algum mandato nas eleições deste ano precisam entregar os cargos. É a chamada regra da “desincompatibilização”, imposta pela Justiça Eleitoral. A palavrinha difícil significa que os secretários com aspirações eleitorais são obrigados a se desligar dos respectivos cargos até o dia 4 de abril, seis meses antes do 1º turno em outubro.
É o mesmo prazo para a renúncia de prefeitos que queiram disputar qualquer mandato (caso, por exemplo, de Pazolini) e de governadores que queiram disputar algum mandato que não o de governador (caso, por exemplo, de Casagrande).
O atual governo Casagrande (PSB) possui 27 integrantes com status de secretário de Estado. Doze deles seguramente participarão das eleições gerais deste ano, disputando algum cargo parlamentar (deputado estadual ou federal).
O próprio governador também quer chegar ao Parlamento – ou, no caso dele, voltar. Será candidato a senador. Já o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é o pré-candidato apoiado por Casagrande para sua sucessão. Para poder disputar um assento no Senado, Casagrande renunciará ao cargo no dia 2 de abril, passando então o comando do governo a Ricardo. Para poderem disputar as eleições, os secretários de Estado terão de entregar os cargos dentro do mesmo prazo.
Neste caso, ao assumir o governo, Ricardo terá pelo menos 12 mudanças para fazer no primeiro escalão, substituindo de imediato os secretários de Estado que sairão para disputar as eleições. O sucessor de Casagrande terá de montar uma nova equipe, preenchendo os lugares vazios no secretariado. Isso sem contar as mudanças discricionárias que poderá fazer, se assim quiser. Ficará a seu critério.
Esse eventual governo de Ricardo será curto; praticamente um “mandato tampão”, concomitante com o processo eleitoral. Exatamente por isso, para ajudá-lo a se reeleger, Ricardo terá de formar um secretariado competente, que não deixe a peteca cair e já entre jogando bem.
Nosso levantamento também inclui as prefeituras dos quatro maiores municípios da Grande Vitória. A Prefeitura de Vitória tem dois secretários que vão sair para disputar as eleições (um deles, inclusive, já o fez). A de Vila Velha, dois. A de Cariacica, um. E a da Serra, uma ou duas.
A LISTA
A seguir, apresentamos, por ordem alfabética, a lista dos 12 secretários de Estado dispostos a encarar as urnas em 2026, com o cargo a ser disputado e a situação partidária de cada um. Seis deles são pré-candidatos a deputado federal; os outros seis, a estadual. A metade está filiada ao PSB. Nove são homens e três são mulheres.
Listamos também os membros de escalões menores do governo que seguramente serão candidatos.
Em seguida, trazemos a relação de secretários municipais de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica que seguramente sairão para disputar o pleito, ou que ainda avaliam fazê-lo.
Confira!
SECRETARIADO DE CASAGRANDE
Bruno Lamas (PSB), secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação: será candidato a deputado estadual pelo PSB.
Cyntia Grillo (Podemos), secretária de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social: em sua primeira disputa eleitoral, será candidata a deputada estadual pelo Podemos, comandado no Estado pelo deputado federal Gilson Daniel. Filiou-se ao partido no fim do ano passado.
Enio Bergoli (PSDB), secretário de Agricultura: será candidato a deputado federal. Já está resolvido a sair do PSDB. Deve ir para um partido de centro-direita da base governista, com grandes chances para o União Brasil.
Felipe Rigoni (PSB), secretário de Meio Ambiente: será candidato a deputado federal. Para isso, mudou de legenda: saiu do União Brasil e voltou para o PSB.
Guerino Balestrassi (MDB), ex-prefeito de Colatina e secretário de Recuperação do Rio Doce: será candidato a deputado estadual, pelo MDB ou por outro partido da base de Casagrande, como o Podemos. Ainda não se decidiu.
Jacqueline Moraes (PSB), secretária das Mulheres: será candidata a deputada estadual pelo PSB.
José Carlos Nunes (PT), secretário de Esportes: será candidato a deputado estadual pelo PT.
Manu Pedroso (PSB), secretária de Governo: será candidata a deputada federal pelo PSB. Entrou na sigla no ano passado.
Rafael Pacheco (PSB), secretário de Justiça: estreando nas urnas, será candidato a deputado federal pelo PSB. Assinou a filiação no partido na semana passada, ao lado do presidente nacional, o prefeito de Recife, João Campos.
Tyago Hoffmann (PSB), secretário de Saúde: será candidato a deputado federal pelo PSB. Ao se desincompatibilizar, reassumirá o mandato de deputado estadual.
Victor Coelho (PSB), secretário de Turismo: será candidato a deputado estadual pelo PSB.
Vitor de Angelo (PSB), secretário de Educação: estreante nas urnas, será candidato a deputado federal pelo PSB. Em dezembro, filiou-se oficialmente ao partido de Casagrande.
OUTROS ESCALÕES DO GOVERNO DO ESTADO
Alessandro Broedel (Podemos), diretor-geral do Incaper: será candidato a deputado federal pelo Podemos.
Alexandre Quintino (PDT), ex-deputado estadual e subsecretário de Habitação, Regularização Fundiária e Desenvolvimento Social (ligada à Sedurb): será candidato a deputado estadual, provavelmente pelo PP.
André Fagundes (Podemos), ex-prefeito de Nova Venécia e diretor-geral do Hospital Estadual Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus: será candidato a deputado estadual pelo Podemos.
Douglas Caus (sem partido), comandante-geral da PMES: falando a esta coluna em 16 de novembro do ano passado, admitiu disposição em disputar pela primeira vez uma eleição, por um partido de direita, se Casagrande e Ricardo o chamarem para discutir esse projeto. Pode ser candidato a deputado estadual ou federal.
Eustáquio de Freitas (PSB), diretor-geral do Departamento de Edificações e Rodovias (DER-ES): será candidato a deputado federal pelo PSB.
Fabrício Petri (PSB), ex-prefeito de Anchieta e assessor da Casa Civil: será candidato a deputado estadual por um partido da coalizão governista (em aberto).
Julinho da Fetaes (PT), assessor da Casa Civil: será candidato a deputado estadual pelo PT.
Lorena Vasques (PSB), subsecretária estadual de Estudos, Negócios, Planejamento e Infraestrutura Turística (ligada à Setur): será candidata a deputado federal pelo PSB, substituindo na chapa Victor Coelho, que “desceu” para estadual.
Marcus Vicente (PP), subsecretário de Relações Institucionais da Casa Civil: será candidato a deputado federal pelo PP.
Pablo Lira (PSB), diretor-geral do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN): pode ser candidato a deputado estadual pelo PSB. Segundo ele, está avaliando.
Philipe Lemos (Podemos), superintendente de relações institucionais da Cesan: filiado ao Podemos em dezembro de 2025, será novamente candidato a deputado federal, dessa vez pelo partido de Gilson Daniel.
Rogerio Favoretti (PT), subsecretário estadual de Agricultura Familiar: será candidato a deputado estadual pelo PT.
Vinicius Simões (PSB), subsecretário de Suporte à Educação: se o PSB precisar, poderá ser candidato a estadual ou a federal. Mas ele mesmo diz que provavelmente não será.
PREFEITURA DE VITÓRIA
Coronel Alexandre Ramalho (Republicanos): era secretário municipal de Meio Ambiente, mas já de desligou do cargo, no começo de março, para ser candidato a deputado federal pelo Republicanos.
Soraya Manato (Republicanos), secretária municipal de Assistência Social: será candidata a deputada federal pelo Republicanos.
PREFEITURA DE VILA VELHA
Anadelso Pereira (Podemos), secretário municipal de Esportes e Lazer: reassumirá o mandato na Câmara de Vila Velha e será candidato a deputado estadual, pelo grupo político de Arnaldinho Borgo, mas ainda não sabe por qual partido. A princípio, não pode sair do Podemos. E vai depender da definição da vida do próprio prefeito de Vila Velha.
Lyza Herzog (PSDB), secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres: confirma que será candidata a deputada estadual. Pretende concorrer pelo PSDB, atual partido de Arnaldinho.
PREFEITURA DA SERRA
Lilian Mota Pereira (PDT), secretária municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, acumulando a chefia da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania: muito ligada à ex-primeira-dama e ex-deputada federal Sueli Vidigal (PDT), será candidata a deputada estadual pelo PDT.
Laís Garcia (Rede), secretária municipal de Habitação: dirigente da Rede Sustentabilidade, é cotada para disputar para deputada estadual, mas afirma que, a princípio, não será candidata.
PREFEITURA DE CARIACICA
Sandro Locutor (MDB), secretário municipal de Desenvolvimento Econômico: tentará voltar à Assembleia Legislativa, onde já exerceu mandatos. Há poucos dias, trocou o PP pelo MDB, partido do prefeito Euclério Sampaio. É um dos três candidatos a deputado estadual apoiados por Euclério, ao lado de Denninho Silva (União), candidato à reeleição, e Lelo Couto (MDB), presidente da Câmara de Cariacica.