Deram o passo seguinte
Repercussão
“Uma instituição precisa ser respeitada. É bom que todos possam analisar se há respeito às instituições ou não”, afirma governador, sobre discurso do prefeito de Vitória no Sambão

Na última sexta-feira (6), para surpresa quase geral, os prefeitos Arnaldinho Borgo (PSDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos) apareceram juntos no Sambão do Povo e nas redes sociais, falando em “construir pontes” e “derrubar muros invisíveis”. Nesta terça-feira (10), o governador Renato Casagrande (PSB) evitou polemizar a atitude de Arnaldinho, até então um grande aliado, agora caminhando na direção de Pazolini, por sua vez um notório adversário. Casagrande disse que cabe a Arnaldinho, e somente a ele, decidir e declarar se ainda é ou não é um aliado do seu grupo político. Mas não explodiu a ponte cruzada agora pelo prefeito nem ergueu barreira alguma que impeça seu retorno.
O governador afirmou que não fechará as portas para Arnaldinho, se ele quiser seguir como aliado (o que implica interromper o movimento com Pazolini). Mas, quando lhe perguntamos se ainda classifica Arnaldinho como um aliado, disse que a pergunta precisa ser dirigida ao prefeito de Vila Velha, sugerindo ter sido ele quem atravessou para “a outra margem do rio” (ou, neste caso, da Baía de Vitória”).
Se as portas não foram fechadas, muito menos as torneiras das quais jorram, desde 2021, recursos estaduais na Prefeitura de Vila Velha. Segundo Casagrande, o Governo do Estado seguirá investindo na cidade de maneira republicana – independentemente da posição político-eleitoral assumida por Arnaldinho.
“Lógico, normalmente. Nós temos mais de R$ 2 bilhões de investimentos em Vila Velha. As obras continuam. Vamos continuar fazendo um investimento forte lá. A minha relação é para atender à comunidade, à população de Vila Velha.”
O colunista bem que tentou, mas o governador não quis qualificar nem conceituar a mudança radical de Arnaldinho no jogo eleitoral. “Não sei se é um blefe. Não preciso ficar falando sobre esse tema, já é um tema conhecido publicamente. A fala é mais de outras lideranças do que minha. É difícil a gente conceituar as atitudes das pessoas. Cada um tem responsabilidade pelas suas atitudes. É melhor eu não qualificar. Você estava lá e viu o que aconteceu. As pessoas que estavam lá podem qualificar o que aconteceu.”
Casagrande também evitou adjetivar o discurso de Pazolini no Sambão do Povo, durante o ato inaugural do Carnaval de Vitória: a entrega simbólica da chave da cidade para o Reio Momo, com seu séquio de belas passistas. Mas deu a entender que, em sua avaliação, faltou respeito institucional por parte do prefeito de Vitória.
Ainda de acordo com Casagrande, a inflexão de Arnaldinho rumo ao grupo de Pazolini “não muda nada” no processo eleitoral no Espírito Santo.
Desde meados de 2024, antes mesmo das últimas eleições municipais, Casagrande tem repetido a única condição que poderia levá-lo a não ser candidato a senador, deixando de renunciar em abril e ficando no cargo até o fim do atual mandato, em janeiro do ano que vem: se ele concluir que sua permanência no governo é absolutamente indispensável para evitar o desmanche da sua ampla coalizão, o desmoronamento do grupo político e do projeto eleitoral liderados por ele.
A inclinação de Arnaldinho para o lado de Pazolini é na certa uma rachadura importante nessa almejada unidade. Por isso, perguntamos a Casagrande se esse fato fortalece a hipótese de ele continuar no governo. Ele refuta qualquer ligação:
“Não tem nenhum fato que possa interferir na minha decisão. Tomarei minha decisão em março. Estou consultando as pessoas. O episódio em questão é um episódio que considero uma tentativa de aprofundar relacionamentos. Não muda nada. Não tem impacto para mudar para nenhuma direção o processo político no estado do Espírito Santo.”
Em tempo: a entrevista de Casagrande foi concedida à coluna por volta das 16h15 desta terça-feira (10) – antes, portanto, de Arnaldinho e Pazolini fazerem nova publicação conjunta nas redes sociais, após visita deste ao gabinete daquele na Prefeitura de Vila Velha.