Ex-aliado

O que Bruno Lorenzutti tem a dizer sobre Arnaldinho com Pazolini

Ouvimos o ex-vereador por seu histórico no que diz respeito a Arnaldinho e por sua posição ocupada hoje, como membro do grupo de Pazolini

Bruno Lorenzutti foi presidente da Câmara de Vila Velha. Foto: Divulgação (Rede social)

“Com bons olhos”. Assim o ex-presidente da Câmara de Vila Velha Bruno Lorenzutti (Republicanos) vê a aproximação político-eleitoral do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), com o de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), de quem ele hoje é aliado.

“Não participei dessa articulação, mas entendo que, para vencer a eleição majoritária e chegar ao Governo do Estado, Pazolini precisa reunir o apoio de outras forças políticas importantes… E o prefeito de Vila Velha é certamente uma força política muito importante em seu município”, afirma Lorenzutti, pragmático.

Ouvimos o ex-vereador por seu histórico no que diz respeito a Arnaldinho e por sua posição ocupada hoje, como membro do grupo de Pazolini. Entre as duas últimas eleições municipais, Lorenzutti foi um dos aliados mais importantes de Arnaldinho em Vila Velha. Mas, em muito pouco tempo, foi de “um dos aliados mais importantes” para o distanciamento total, após ter sido preterido pelo prefeito de Vila Velha nas últimas eleições municipais.

Em 2020, sem legenda no MDB, Arnaldinho precisava de um partido para se filiar e concorrer pela primeira vez à Prefeitura de Vila Velha. Lorenzutti já estava no Podemos e participou de sua filiação ao partido. Arnaldinho venceu e chegou ao cargo de prefeito. Lorenzutti reelegeu-se vereador e, logo após a posse, tornou-se presidente da Câmara Municipal, com o apoio de Arnaldinho.

Lorenzutti ficou no cargo pelos quatro anos da legislatura, de 2021 a 2024, coincidindo com todo o primeiro mandato de Arnaldinho na prefeitura. Durante esse período, o prefeito teve no presidente da Câmara um fortíssimo parceiro estratégico. Lorenzutti foi um facilitador, pautando todas as matérias de interesse do Executivo Municipal. Os dois sempre eram vistos juntos, em tudo quanto é solenidade.

Pela somatória de fatores, em 2024, conforme se aproximava a campanha de Arnaldinho à reeleição, Lorenzutti era apontado, inclusive neste espaço, como favoritíssimo para ser o candidato a vice-prefeito escolhido pelo prefeito. Para isso, ele chegou a trocar o Podemos pelo MDB, no limite do prazo. Mas a previsão não se cumpriu.

Como companheiro de chapa, Arnaldinho optou pelo ex-presidente da Cesan Cael Linhalis (PSB), amigo e correligionário do governador Renato Casagrande (PSB), além de pai do deputado federal Victor Linhalis (Podemos), outro grande aliado do prefeito. Essa foi, tranquilamente, a maior surpresa em termos de composição de chapas na Grande Vitória, naquela eleição municipal.

Arnaldinho se reelegeu com um pé nas costas (quase 80% dos votos válidos, no 1º turno). Cael se tornou vice-prefeito. Lorenzutti não disputou nada. Ficou sem mandato. Logo após ser preterido, em agosto de 2024, declarou acreditar que a reeleição de Arnaldinho era o melhor para Vila Velha. Mas rompeu relações com o prefeito. Os dois, segundo Lorenzutti, não se falam desde então.

O ex-vereador agora tem uma nova meta eleitoral: chegar à Assembleia Legislativa nas eleições deste ano. Para isso, juntou-se a um novo grupo político. No ano passado, filiou-se ao Republicanos, partido de Lorenzo Pazolini, pelo qual será candidato a deputado estadual. Está inteiramente comprometido com o projeto prioritário do partido, que é eleger o prefeito de Vitória ao Governo do Estado.

Agora, por uma dessas voltas malucas que o mundo político dá, Lorenzutti vê Arnaldinho, também pré-candidato a governador, aliar-se a Pazolini.

Sinalizando publicamente a mais inesperada parceria política da década no Espírito Santo, os dois estiveram juntos no dia 6 de fevereiro no Sambão do Povo, em Vitória, no primeiro dia de desfile das escolas de samba capixabas. No dia 10, Arnaldinho recebeu Pazolini em seu gabinete na Prefeitura de Vila Velha. No dia 12, os dois começaram a percorrer juntos municípios do interior, em pré-campanha eleitoral, passando pelas cidades de Venda Nova do Imigrante, Conceição do Castelo e Castelo.

Pazolini é adversário do grupo político liderado pelo governador Renato Casagrande; Arnaldinho, ao contrário, sempre se posicionou como aliado do governador – desde que chegou à prefeitura. Agora, se une o adversário do Palácio Anchieta. O plano traçado nos bastidores é que os dois prefeitos renunciem em abril e fiquem livres para disputar o pleito de outubro, numa aliança eleitoral. Só um deles será candidato a governador, enquanto o outro poderá disputar uma vaga no Senado.

“Não guardo mágoa”

Para Lorenzutti, a aliança faz total sentido do ponto de vista estratégico para Pazolini – partindo da premissa de que o prefeito de Vitória é que será o candidato a governador. “Uma eleição majoritária é muito difícil, ainda mais contra o Governo do Estado. É preciso agregar outras forças políticas.”

O ex-presidente da Câmara de Vila Velha diz não guardar mágoa de Arnaldinho por ter sido preterido na composição da chapa dele em 2024. “Não tenho mais relação política com o prefeito Arnaldinho, mas não guardo mágoa pelo que passou. Só quero concentrar energia no que realmente importa daqui para a frente. Estou muito focado em me eleger deputado estadual e em fazer tudo o que estiver ao meu alcance para ajudar Pazolini a chegar ao Governo do Estado. Estou totalmente comprometido com esse projeto.”

Pouca gente acredita que Arnaldinho, nessa construção, será o candidato a governador no lugar de Pazolini. Mas perguntamos a Lorenzutti, em hipótese: e se isso acontecer? Se Arnaldinho acabar sendo candidato a governador com o apoio do Republicanos? Ele consegue se enxergar no palanque do prefeito de Vila Velha, apoiando-o para governador?

“Aí eu teria que pensar… Mas é difícil falar em uma hipótese que hoje nem está posta. O nosso entendimento é o de que Pazolini será o candidato a governador, e Arnaldinho está vindo para apoiá-lo. Estamos muito seguros quanto a isso. Nos grupos do Republicanos, o diálogo é esse.”

A declaração de Lorenzutti contém uma informação muito importante: nos círculos do partido de Pazolini, não há opção sendo discutida senão a candidatura do prefeito de Vitória.

Fiscal tributário concursado da Prefeitura de Vila Velha, Lorenzutti atualmente está cedido para atuar no Sindicato dos Servidores Públicos do Município de Vila Velha (Sinfais). É o atual diretor social da entidade.