Eleições 2026

Meneguelli sobre o Senado: “Confio na palavra de Hartung e de Renzo”

Mesmo se ex-governador se lançar ao Senado no PSD, deputado acredita que poderá concorrer ao cargo pela mesma legenda: “Isso me foi dito pelo Paulo Hartung, e até hoje, que eu saiba, ele sempre honrou sua palavra”. Entenda aqui os riscos para ele

Sérgio Meneguelli. Foto: Lucas S. Costa/Ales
Sérgio Meneguelli. Foto: Lucas S. Costa/Ales
Sérgio Meneguelli é deputado estadual. Foto: Lucas S. Costa/Ales

O deputado estadual Sérgio Meneguelli (PSD) tem uma meta fixa nas eleições 2026: ser candidato a senador, mais nada. “Quero que todos os partidos e políticos do Espírito Santo saibam: nem se minha mãe ressuscitar e me pedir, eu serei candidato à reeleição ou a deputado federal. Eu seria um mico de circo, um palhaço, se fizesse isso.”

Para realizar o sonho de enfim se candidatar ao Senado, o ex-prefeito de Colatina precisa de um novo partido. No Republicanos, pelo qual chegou à Assembleia em 2022, ele não ficará. O partido que lhe negou legenda há quatro anos não lhe dará legenda agora, e ele já decidiu sair. Fará isso na próxima janela, de 7 de março a 5 de abril. Seu destino mais provável é o Partido Social Democrático (PSD), no qual já está bem encaminhado, desde o ano passado. Ou, pelo menos, estava.

Meneguelli não dá como 100% certa sua entrada no PSD. “Não. Ainda estou conversando. O partido em que eu estiver precisa saber que, se eu for, vou para ser candidato somente a senador. Não aceito outro cargo, como aconteceu comigo em 2022, no Republicanos. Mas ali eu fui pego de surpresa e nem estava preparado para ficar sem mandato. Hoje, se isso acontecer – e eu acho que não vai acontecer –, eu estou preparado para participar da política sem mandato. Mas é claro que prefiro seguir participando com mandato. No Senado.”

Ocorre que na categoria “possíveis candidatos ao Senado”, Meneguelli passa a ter uma companhia de peso dentro do próprio PSD. Nesta semana, os bastidores políticos do Espírito Santo foram movimentados pelas declarações do ex-governador Paulo Hartung a este espaço, em entrevista publicada aqui na última segunda-feira (2). Hartung está filiado ao PSD desde maio do ano passado. No fim do ano, apareceu ao lado de Meneguelli nas redes sociais, como um dos maiores incentivadores de sua entrada no mesmo partido.

Mas, na referida entrevista, com inédita assertividade, Hartung se disse “animadíssimo” a voltar a pleitear um mandato majoritário no Espírito Santo. Tirando vice-governador, são dois os cargos majoritários em disputa em cada estado: governador e senador. Para governador, na mesma entrevista, Hartung declarou apoio ao prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Resta eventual candidatura ao Senado – mesmo cargo desejado por Meneguelli.

Respondendo a uma pergunta direta nossa sobre possível postulação ao Senado, o ex-governador foi afirmativo: “Sou militante. ‘Ah, precisa do Paulo em tal posição em 2026 para ajudar a construir essa mudança que nós precisamos fazer’. Ah, meu irmão, agarro com as duas mãos, sem dificuldade.”

Hartung também deixou claro que sua decisão só será tomada no período de convenções partidárias, de 20 de julho a 5 de agosto – até porque, como não tem mandato, não precisa se decidir antes. Se o ex-governador decidir concorrer ao Senado, contará com pleno aval do líder nacional do PSD, Gilberto Kassab. Este, aliás, já indicou que gostaria de ver isso. Os dois, atualmente, são unha e carne – a ponto de terem ido juntos ao programa “Conversa com Bial”, da Rede Globo, no ano passado.

Já o presidente estadual do PSD, Renzo Vasconcelos, em entrevista dada aqui em dezembro, declarou que Kassab só lhe pediu uma coisa: dar a Hartung plenas condições de ser candidato ao que ele quiser.

Ora, se lá no período de convenções se confirmar uma candidatura de Hartung ao Senado, isso em tese – frisemos: em tese – pode complicar bastante as aspirações de Meneguelli, que já passou por algo parecido em 2022, quando foi preterido por Erick Musso no Republicanos.

Tecnicamente, é até possível que um mesmo partido, este ano, lance dois candidatos ao Senado na mesma unidade da federação, já que há duas vagas em disputa. A legislação eleitoral o permite.

Porém, no plano fático, isso é altamente improvável, por uma série de motivos práticos: dificilmente um mesmo partido, por maior que seja, divide os ovos em duas cestas. Do ponto de vista político e financeiro, já é difícil bancar um candidato… que dirá dois! Isso além do risco de um tirar votos do outro, os dois acabarem “menores” e morrerem num abraço de afogados.

Tudo isso considerado, perguntamos a Meneguelli: ele não teme mesmo a repetição do filme que viveu em 2022, “Anatomia de uma Queda – Parte 2”? A partir das declarações e da intensificação dos movimentos de Hartung, ele por acaso está reavaliando se vale mesmo a pena entrar no PSD?

Para o leitor entender a “potencial armadilha”: quem quer ser candidato a qualquer cargo em outubro precisa estar filiado, até o dia 5 de abril, ao partido pelo qual vai disputar. É um prazo à prova de arrependimentos. Depois disso, se trocar de novo de sigla, o pré-candidato se elimina: fica impedido de disputar.

Assim, Meneguelli até pode se arrepender, mas não poderá voltar atrás. Se entrar mesmo no PSD, ficará amarrado ao partido, terá de se manter firme e só lhe restará acreditar que obterá, de verdade, a legenda para disputar o Senado. Mas, entre abril e o início de agosto, haverá o período de convenções. E aí (em tese) Hartung pode emergir como candidato ao mesmo cargo, pelo mesmo PSD. E aí como fica Meneguelli?

Respondendo à nossa pergunta, o deputado diz confiar tanto na palavra de Hartung quanto na de Renzo Vasconcelos. Diz que tanto um como o outro lhe prometeram que, entrando no PSD, ele poderá de fato se candidatar a senador.

“Primeiro, eu tenho a palavra do próprio governador [Paulo Hartung]. E tenho a promessa do Renzo. Mesmo antes de eu declarar apoio a ele para prefeito de Colatina em 2024, ele me disse que ia lutar para eu ser candidato a senador. Se depender da palavra do Paulo Hartung e do Renzo, de ele cumprirem a palavra deles, e eu acredito que eles cumpram, eu serei candidato a senador.”

Meneguelli acredita que o PSD, se for o caso, pode, sim, lançar ele e Hartung ao Senado. Diz ter ouvido isso do próprio ex-governador, falando em hipótese.

“Acredito que sim, porque isso me foi dito pelo Paulo Hartung, e até hoje, que eu saiba, ele sempre honrou sua palavra. Quando conversei com o Paulo Hartung, ele me disse: ‘Eu não sendo candidato ao Senado, você pode ser; e eu sendo, você também pode ser’. Não tenho motivo para desconfiar. E não vejo nada para que o PSD possa negar essa candidatura a mim. Hoje, tudo indica que vou para o PSD. Agora, também tenho o direito de avaliar a situação eleitoral.”

De acordo com o deputado e ex-prefeito de Colatina, Renzo marcará em breve uma ida deles a São Paulo para ele ser apresentado e conversar pessoalmente com Gilberto Kassab – informação também passada por Hartung. “Quero conversar olho no olho. Kassab é bom articulador e pessoa de palavra honrada.”

Interferências de cima”

Meneguelli não é o único político na ativa no Espírito Santo que já foi forçado a desistir de uma candidatura majoritária assaz competitiva, por “interferência de cima”. Curiosamente, além do próprio exemplo (em 2022), ele cita um episódio que teve a participação direta de Paulo Hartung – quando Ricardo Ferraço foi trocado por Renato Casagrande na cabeça da chapa oficial, na sucessão do então governador, em 2010.

“Há quatro anos, você sabe que minha candidatura ao Senado sofreu interferência. Foi o mesmo com a candidatura do Ricardo ao Governo do Estado em 2010. Naquela época, ele ia ser candidato a governador. Paulo Hartung já estava anunciando ele. Ricardo saiu para disputar o Senado… Você vê que teve interferência lá de cima…”

Mas ele acha que, dessa vez, isso não ocorrerá. O deputado está convencido de que não só será candidato como se tornará o primeiro representante do norte capixaba no Senado desde os anos 1980, com Moacyr Dalla, presidente do Colégio Eleitoral que elegeu Tancredo Neves em 1985.

“Não tenho plano B nestas eleições. Acredito ainda que vou disputar o Senado. Esse é meu sonho e é meu plano. E acho que o norte do estado torce por isso.”

Dizendo-se admirador de Paulo Hartung, Meneguelli tem consciência de que “ele só vai dizer se vai lançar candidatura na prorrogação”. “Ele vê política como Fórmula 1: é na reta final que se acelera”.

Ainda assim, parece disposto a assumir o risco de ser jogado, de novo, para fora da pista… Lembrando: ao contrário da Fórmula 1, nas eleições majoritárias no Brasil, uma mesma equipe (um partido) muito raramente entra na pista com dois pilotos defendendo a escuderia.