O deputado federal Helder Salomão já tinha o apoio da direção estadual e da cúpula nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) para ser candidato a governador do Espírito Santo. Faltava só o aval pessoal do presidente Lula, líder maior da legenda. Agora, já não falta nada. Em reunião realizada em Brasília, nesta segunda-feira (30), Lula avalizou a pré-candidatura de Helder.
“Conversei com o presidente Lula e ele declarou apoio à minha pré-candidatura ao Governo do Estado. Estou feliz com a confiança e pronto para liderar um projeto majoritário que contemple todos os capixabas”, declarou o deputado e ex-prefeito de Cariacica.
Durante o encontro, os dois discutiram as prioridades estratégicas do partido em solo capixaba, nas eleições gerais deste ano. Além do fortalecimento do palanque de Lula à reeleição no Espírito Santo, foi destacada a importância da reeleição do senador Fabiano Contarato, a manutenção de duas cadeiras na Câmara dos Deputados e a ampliação de duas para três ou quatro vagas na Assembleia Legislativa.
“Estou confiante que iremos para o segundo turno das eleições com a apresentação de um projeto inovador, construído de forma participativa, para que o futuro do Espírito Santo seja muito melhor,” afirmou Helder, logo após o encontro homologatório com Lula.
Encerrando seu terceiro mandato seguido como deputado federal, após dois mandatos de prefeito de Cariacica (2005-2012), Helder disputará o Palácio Anchieta liderando uma frente formada por partido de esquerda.
O PT faz parte da Federação Brasil da Esperança, também composta pelo Partido Verde (PV) e pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). A candidatura do petista também é apoiada pela federação do Partido Socialismo e Liberdade (PSol) com a Rede Sustentabilidade.
A reunião com Lula foi costurada pelo presidente nacional do PT, Edinho Silva. Segundo a assessoria do petista, a partir de agora, com o apoio pessoal de Lula, sua pré-candidatura a governador do Estado entra numa nova fase.
Análise: objetivos estratégicos
Com efeito, a candidatura de Helder a governador cumpre um objetivo muito estratégico no Espírito Santo, tendo em vista os planos nacionais do PT. A princípio, ele não entra nesse páreo como um dos favoritos, nem desponta com chances fenomenais de vitória. E pode estar a sacrificar, em nome do partido, uma reeleição que seria bastante provável para mais um mandato qualificado na Câmara dos Deputados.
Mas o PT precisava e precisa, imprescindivelmente, de um palanque majoritário bem estabelecido no Espírito Santo, com um candidato a governador próprio comprometido com a reeleição de Lula, que peça votos para o atual presidente (além de os pedir para si mesmo para governador e para Contarato na disputa ao Senado). Nas últimas eleições gerais, em 2022, o PT não teve isso no Espírito Santo. No 2º turno, Lula perdeu para Jair Bolsonaro no Estado com pouco mais de 40% dos votos válidos.
Neste ano, se Helder não entrasse na corrida, o PT mais uma vez ficaria carente de um palanque majoritário. Entre os outros possíveis candidatos ao Palácio Anchieta cotados neste momento, nenhum apoia Lula nem pedirá votos para ele.
Prestes a tomar posse como governador do Estado na quinta-feira (2), Ricardo Ferraço (MDB) deverá concorrer à reeleição. Quer distância do PT e até já assinou uma carta, com presidentes do MDB em outros estados, pedindo à direção nacional que cada um fique liberado para apoiar quem quiser à Presidência. O PT, por sua vez, decidiu não ficar no governo de Ricardo.
Já o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), também pode renunciar até o dia 4 de abril e ser candidato a governador, em oposição a Ricardo. É outro que quer distância do PT.
Finalmente, o senador Magno Malta pode ser candidato a governador pelo Partido Liberal (PL), de Jair e Flávio Bolsonaro. Dispensa considerações nesse sentido.