
“Apoio entusiasmado a ideia desse renascimento do PSDB junto com o Podemos e, eventualmente, depois, com outros partidos do centro democrático. De certo modo, o PSDB hoje renasce.”Luiz Paulo não nega o óbvio: o PSDB encolheu muito nos últimos anos e, por isso, a fusão com o Podemos responde a uma necessidade prática. Ele também reconhece que os tucanos cometeram alguns erros estratégicos nos últimos anos e que tais erros explicam, em parte, a perda de tamanho. “O partido se reduziu muito. Cometeu alguns erros de estratégia, principalmente em São Paulo.” O ex-prefeito de Vitória cita o episódio da disputa das prévias na última eleição presidencial, entre João Doria e Eduardo Leite, então governadores de São Paulo e do Rio Grande do Sul. Doria venceu as prévias, mas nenhum dos dois, no fim, foi candidato à Presidência da República. O ex-prefeito de Vitória também foi contra o lançamento de José Luiz Datena pelo PSDB à Prefeitura de São Paulo nas últimas eleições municipais. Preferia que o partido tivesse apoiado Tabata Amaral (PSB). “Era a melhor opção para o povo de São Paulo.” Mas o principal motivo da atrofia do PSDB, na avaliação de Luiz Paulo, é o fato de não ter se rendido à polarização entre o lulismo e o bolsonarismo, vigente desde 2018 na política nacional. Na conversa com a coluna, o tucano repetiu uma análise crítica que fez na pré-campanha a prefeito de Vitória em 2024, quando se preparava para concorrer de novo ao cargo exercido por ele de 1997 a 2004: a de que, nos últimos anos, forças do centro liberal e democrático cederam aos apelos do bolsonarismo, enquanto outros representantes do mesmo campo, por motivos diferentes, curvaram-se ao lulopetismo. “O PSDB é o único partido que não participou dos governos do PT nem do governo do Bolsonaro. E pagou um preço por essa coerência histórica. O partido teve uma sequência de dificuldades de se manter longe da polarização. A maioria das pessoas optou por um lado ou por outro. As pessoas que davam prioridade à agenda econômica fecharam os olhos para o golpismo, para a aliança com a extrema direita internacional, com uma pauta claramente antidemocrática e iliberal, por conta de uma suposta ‘agenda pró-mercado’. Deve estar dando uma certa vergonha agora neles, com o Trump. E outros que apoiam a defesa da democracia se renderam ao PT, que faz um governo Lula 3 completamente descompromissado com a agenda nacional e não tem o menor interesse em lidar com os verdadeiros interesses do país. É uma agenda eleitoral superficial, baseada no populismo e no personalismo”, avalia Luiz Paulo. Segundo ele, ideologicamente, o partido resultante da fusão será um partido de centro democrático. Politicamente, o objetivo é justamente oferecer aos brasileiros, nas próximas eleições, uma alternativa à extrema direita e à esquerda encarnada pelo PT: “O eixo principal desse movimento de fusão é oferecer ao país uma opção longe dos populismos e dos extremos: PT e PL, Lula e Bolsonaro”. Já no âmbito estadual, o filho de Mariazinha Vellozo Lucas sustenta que, a partir do casamento com o Podemos, o partido oriundo da fusão não só pode como deve procurar exercer protagonismo na política capixaba, começando pela próxima disputa eleitoral. “Estou muito animado com essa perspectiva. Acho que temos de ter protagonismo no processo eleitoral. Temos de nos posicionar. Temos de lançar candidaturas. Tenho ótima relação com os prefeitos do Podemos aqui, como o Lucas Scaramussa, de Linhares, e o Marcus da Cozevip, de São Mateus. Fiquei sentido com a saída de Arnaldinho [desfiliado do Podemos em março]. Estou disposto a ajudar nessa construção”, adianta Luiz Paulo, que preside o PSDB na capital do Espírito Santo. É nesse contexto que o tucano histórico se diz realmente disposto a apresentar seu nome para as próximas eleições estaduais. “Sou candidato a construir o projeto 2026 e jogar na posição em que sou mais útil ao nosso projeto. Estou disposto a jogar onde o partido me escalar. Não vou construir candidatura com base em projeto pessoal.” Ele confirma que uma dessas posições pode ser a de candidato a senador pelo partido a surgir da fusão (provisoriamente chamado de “PSDB+Podemos”) e que tem mesmo disposição para entrar nessa disputa, já repleta, hoje, de pré-candidatos. O ponto é exatamente esse. Apesar da prodigalidade de potenciais candidatos no Espírito Santo para preencher as duas vagas de senador que estarão em aberto, Luiz Paulo só se sente representado por um deles. Como aliado do governador Renato Casagrande (PSB), o ex-prefeito apoia a pré-candidatura do próprio para senador e, complementarmente, a do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) para o Governo do Estado. Quanto à segunda vaga para o Senado, ele a vê inteiramente em aberto. Não enxerga o seu campo e as suas crenças representados por nenhum dos outros nomes hoje apontados como possíveis candidatos a senador, incluindo os dois cujos mandatos chegarão ao fim: Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (ainda no Podemos, aliás). “A preço de hoje, eu, como eleitor, não teria como votar na segunda vaga de senador. Eu votaria em Ricardo Ferraço para governador e em Renato Casagrande para senador. Hoje, eu anularia meu segundo voto para senador, porque não vejo ninguém que represente as coisas que eu penso para merecer meu entusiasmo. Quanto aos dois que terminam o mandato, tem um que é do PT, está no projeto de reeleição de Lula, e outro que não fez um mandato digno de ser reconduzido”, opina Luiz Paulo, que vibra com a iminente fusão: “Até pouco tempo atrás, as pessoas davam o PSDB como um partido que ia acabar. Agora não só não vai acabar como, com o Podemos, terá discussão sobre o processo eleitoral de 2026”.