O delegado Romualdo Gianordoli, da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), filiou-se no último sábado (4) ao Partido Social Democrático (PSD). A informação foi confirmada pelo próprio.
Sábado foi o último dia do prazo de filiação de possíveis candidatos a algum mandato eletivo nas eleições do segundo semestre. Desse modo, Gianordoli está apto a participar do processo eleitoral, se assim quiser. Ele avalia concorrer ao cargo de deputado estadual, mas diz que ainda não se decidiu quanto a isso.
O PSD faz parte da aliança eleitoral erguida em torno do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, pré-candidato a governador pelo Republicanos. Na semana passada, o apoio a Pazolini foi declarado tanto pelo presidente nacional da sigla como por seu presidente estadual, Gilberto Kassab e Renzo Vasconcelos, respectivamente. No Espírito Santo, PSD e Republicanos estarão na mesma coligação.
No sábado, Gianordoli chegou a estar muito perto de se filiar ao próprio Republicanos, partido de Pazolini. Porém, em conversas entre dirigentes dos partidos da citada aliança, conclui-se que, se for candidato a deputado estadual, ele contribuirá mais na chapa do PSD, muito mais necessitada de reforços para fazer uma boa bancada na Assembleia Legislativa.
Delegado de carreira da PCES (como Pazolini), Gianordoli filiou-se ao PSD – e, de certa forma, juntou-se à frente partidária do ex-prefeito de Vitória – um dia após José Darcy Arruda, ainda delegado-geral da corporação, entregar o cargo ao agora governador Ricardo Ferraço (MDB). Arruda estava sob forte pressão e alegou motivos de saúde. Após ter recebido um sexto diagnóstico de câncer, ele será submetido a uma cirurgia na próxima quinta-feira (9).
Até lá, o governador Ricardo Ferraço precisará escolher um novo chefe para a Polícia Civil. O governo já decidiu que será outro delegado de carreira.
Colisão frontal com chefe da Polícia Civil
O delegado Romualdo Gianordoli ficou bastante conhecido, primeiramente, por ter coordenado a operação que resultou na prisão de um dos criminosos mais procurados pelas forças estaduais de segurança, Fernando Morais (o Marujo), em 2024.
Nos últimos meses, Romualdo Gianordoli também ganhou bastante visibilidade na mídia capixaba e nacional. Foi ele um dos delegados da PCES que bateram de frente, de maneira pública, com José Darcy Arruda.
Após ter sido exonerado do cargo de subsecretário de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), em outubro do ano passado, ele passou a fazer críticas públicas à Polícia Civil e à cúpula da segurança no Estado, em vídeos publicados no Instagram.
Nas redes sociais, Romualdo declarou que sua saída não teve motivações técnicas, mas políticas. Também afirmou que a Polícia Civil estaria “bastante corroída” e sugeriu interferências em investigações delicadas, incluindo a Operação Baest. Deflagrada em maio do ano passado, a operação investigava o suposto braço financeiro da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória.
Em reportagem publicada pela Folha de S. Paulo no dia 2 de março deste ano, o jornal noticiou que, após 24 de setembro, os quatro delegados que assinaram o relatório foram retirados dos cargos que ocupavam, incluindo Romualdo.
Na mesma data, 24 de setembro, José Darcy Arruda retirou Alan Moreno de Andrade do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat). Em 2 de outubro, José Lopes Pereira deixou a coordenação da unidade. Em dezembro, Ricardo de Almeida Soares foi transferido do Departamento de Homicídios para o de Narcóticos.
Em 24 de outubro, o então governador Renato Casagrande exonerou Romualdo do cargo de subsecretário de Inteligência da Sesp. O delegado chegou a assumir um posto menor, de assessor, na estrutura da secretaria, mas em dezembro foi exonerado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Leonardo Damasceno.
A Sesp rebateu as declarações de Romulado nas redes sociais, classificando-as como falsas e determinando a investigação do caso. Segundo a pasta, as falas poderiam configurar crimes como denunciação caluniosa e uso indevido de informações sigilosas.
Romualdo processou Arruda depois que o chefe da PCES divulgou nas redes sociais que ele é alvo de apuração interna por suspeita de ter se apropriado de informações sigilosas de investigações conduzidas pela corporação.
No dia 2 de março, na entrevista coletiva em que anunciou a decisão de renunciar para tentar voltar ao Senado, Casagrande afirmou que Romualdo estaria a buscar “artifícios” para justificar sua exoneração.
Nas palavras do então governador, a remoção do delegado do cargo de subsecretário estadual de Inteligência, em outubro, teria sido motivada por “incapacidade de conviver com colegas” e uso de informações sigilosas para cumprir “objetivos não republicanos”. “O inquérito da Corregedoria da Polícia Civil vai deixar isso bastante claro”, disse Casagrande, naquela oportunidade.