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Casagrande responde sobre supostas ligações com Macário Júdice

Governador apresentou, nesta segunda-feira (2), sua versão sobre dois casos noticiados nacionalmente que ganharam grande repercussão nos últimos dias – ambos relacionando-o ao desembargador Macário Júdice, do TRF-2, preso preventivamente

O governador Renato Casagrande (PSB) apresentou, nesta segunda-feira (2), sua versão sobre dois casos noticiados por veículos da imprensa nacional que ganharam grande repercussão nos últimos dias – ambos relacionando-o ao desembargador Macário Júdice, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Casagrande negou que tenha praticado qualquer conduta ilícita.

Ele também acusou o delegado Romualdo Gianordoli, da Polícia Civil do Espírito Santo, de estar a buscar “artifícios” para justificar sua exoneração. Segundo o governador, a remoção do delegado do cargo de subsecretário estadual de Inteligência teria sido motivada por “incapacidade de conviver com colegas” e uso de informações sigilosas para cumprir “objetivos não republicanos”. “O inquérito da Corregedoria da Polícia Civil vai deixar isso bastante claro.”

O caso em questão tem como pivô o delegado Romualdo. A história foi publicada em reportagem da Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (2).

De acordo com a publicação, em outubro do ano passado, Casagrande exonerou Romualdo do cargo de subsecretário estadual de Inteligência, na Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), após uma investigação conduzida por ele que resvalou em Macário Júdice.

Em maio de 2025, a Polícia Civil deflagrou a Operação Baest, contra o “braço financeiro” da facção criminosa Primeiro Comando de Vitória. No dia 24 de setembro, os quatro delegados encarregados das investigações concluíram o relatório do inquérito, indiciando o empresário Adilson Ferreira. Ele foi indiciado sob a suspeita de ser um dos responsáveis pela lavagem de dinheiro da facção.

Segundo a reportagem da Folha, o telefone do empresário, apreendido pela Polícia Civil, “continha conversas supostamente irregulares com o magistrado [Macário Júdice]”. Outro trecho da reportagem diz que o “aparelho continha conversas [de Adilson] com o juiz [Macário] que indicavam a atuação dele em licitações dentro da gestão de Casagrande”.

Ainda de acordo com a Folha, após 24 de setembro, os quatro delegados que assinaram o relatório foram retirados dos cargos que ocupavam, incluindo Romualdo.

Na mesma data, 24 de setembro, o delegado-geral da Polícia Civil, José Darcy Arruda, retirou Alan Moreno de Andrade do Centro de Inteligência e Análise Telemática (Ciat). Em 2 de outubro, José Lopes Pereira deixou a coordenação da unidade. Em dezembro, Ricardo de Almeida Soares foi transferido do Departamento de Homicídios para o de Narcóticos.

Em 24 de outubro, o próprio Casagrande exonerou Romualdo do cargo de subsecretário de Inteligência da Sesp. O delegado chegou a assumir um posto menor, de assessor, na estrutura da secretaria, mas em dezembro foi exonerado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Leonardo Damasceno.

Logo após o desligamento, Romualdo passou a afirmar que foi afastado devido ao avanço da Operação Baest sobre “um empresário da Serra”, em referência a Adilson Ferreira. “Esse indivíduo tem contato com várias pessoas do alto escalão da sociedade. Pessoas que têm contato com o governo e pessoas que têm contato com a Polícia Civil, que infelizmente se encontra bastante corroída”, publicou em rede social.

À reportagem da Folha, Damasceno afirmou que nem ele nem o governador têm conhecimento da existência de diálogos suspeitos envolvendo o empresário Adilson Ferreira e o desembargador Macário Júdice e que, portanto, as remoções e remanejamentos dos quatro delegados não tiveram nenhuma relação com tais diálogos. “Não tenho esse hábito de tomar conhecimento de investigação sigilosa, muito menos o governador.”

Segundo o secretário, as exonerações e remanejamentos ocorrem em razão de desgaste entre parte da equipe que atuou na Operação Baest com o chefe da Polícia Civil, José Darcy Arruda. Já no caso específico de Romualdo, o secretário acresceu outra razão. Ele disse à Folha que chegou a nomeá-lo como assessor, mas precisou exonerá-lo de novo porque ele começou a ter atuação política junto ao Movimento Brasil Livre (MBL).

Nesta segunda-feira (2), em entrevista coletiva no Palácio Anchieta, o governador subiu o tom contra Romualdo:

“O delegado sabe por que foi exonerado. Ele está buscando um artifício. Ele foi exonerado por incapacidade de conviver com colegas e por uso de informações para que pudesse cumprir objetivos não republicanos. No processo que tramita na Corregedoria da Polícia Civil, o inquérito vai deixar isso bastante claro”.

O outro caso: PF pede ao STF abertura de inquérito contra Casagrande

Na última sexta-feira (27), a revista Veja e outros órgãos de imprensa publicaram que a Polícia Federal pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes que autorize a abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para investigar o governador do Espírito Santo por “ajustes potencialmente criminosos” com Macário, em 2024.

Capixaba, Macário foi preso no fim do ano passado, em outra investigação da PF, no caso do deputado estadual fluminense TH Joias. Ele foi preso preventivamente sob a suspeita de vazar, para o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), informações sigilosas relativas a potencial envolvimento de deputados estaduais do Rio de Janeiro com o Comando Vermelho.

No celular de Macário, apreendido na operação, foi identificada uma troca de mensagens, via Whatsapp, entre ele e Casagrande. Para os investigadores da PF, as conversas poderiam indicar a suposta “troca de favores”, conforme o relatório final da investigação sobre as relações de Macário com Rodrigo Bacellar, encaminhado ao STF em 28 de janeiro. Por isso, eles pediram a Moraes a abertura do inquérito em face de Casagrande.

Em julho de 2024, um mês ante do início do período oficial de campanha das últimas eleições municipais, Casagrande entrou em contato com Macário por Whatsapp. Na mensagem, enviou uma decisão judicial desfavorável ao então prefeito de Montanha, André Sampaio, aliado do governador. O prefeito recorria da decisão junto ao TRF-2, tribunal que abrange os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.

Casagrande perguntou a Macário se o relator do recurso no tribunal “aceitava bem” uma ligação para tratar do caso. Macário se prontificou a ajudar. Casagrande respondeu que queria apenas pedir “rapidez”, “atenção” e “carinho” na análise do recurso. Macário levou pessoalmente ao colega relator, por acaso seu vizinho, o memorial da defesa do prefeito.

Vinte dias depois – pouco antes do início da campanha –, o desembargador avisou a Casagrande, também por Whatsapp, que o “assunto estava resolvido”: no TRF-2, o recurso do aliado do governador foi julgado favoravelmente.

Meses depois, Macário pediu ao Governo do Espírito Santo para ceder um assessor a seu gabinete no TRF-2, o que foi feito.

À Veja e em suas redes sociais, na sexta-feira (28), Casagrande negou ilegalidade em sua troca de mensagens com Macário. Por meio de nota, afirmou que “a conversa foi institucional e republicana e no intuito de agilizar a tramitação do processo para encerrar uma indefinição jurídica e política em que se encontrava o município naquele momento do período pré-eleitoral. E que toda a conversa foi realizada através de aplicativo de mensagens, pois não há nada sigiloso ou ilícito”.

Nesta segunda-feira (2), na entrevista coletiva concedida no Palácio Anchieta, o governador reiterou:

“Minha conversa foi pública, transparente, bastante institucional e republicana. Não tive nenhum interesse a não ser, no ambiente que a gente está vivendo, reduzir a instabilidade política no município.”