
Ricardo Ferraço: “Viva o PSB!”
Ricardo Ferraço chegou antes de Casagrande ao local do congresso do PSB. Passou alguns minutos na calçada, interagindo com os presentes. No visual, destacou-se pelas roupas escolhidas, bem mais informais que as dos demais na mesa de autoridades: calça jeans e uma camiseta preta com o dizer Espírito Santo. Em sua fala, o vice-governador “rendeu-se ao PSB”. Não poupou elogios ao partido do governador. Desde os primórdios de sua longa trajetória política, Ricardo é um homem público de direita – com alguma flexibilidade, centro-direita. O Partido Socialista Brasileiro é uma agremiação de centro-esquerda, pertencente ao campo progressista, como dito e reiterado por muitos dos presentes, inclusive Casagrande. > Em Vitória, João Campos é tratado como futuro presidente da República Isso não impediu Ricardo de afirmar, por exemplo, que “o PSB exerce protagonismo na política do Espírito Santo”; que “o PSB fez o Espírito Santo levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”; que “o PSB conduz o governo com diálogo e com humildade” e que faz “o governo mais municipalista do nosso país”. Em sua breve fala, Ricardo usou o slogan que tem repetido na internet e em eventos oficiais: “O Espírito Santo é o Brasil que dá certo”. E arrematou com “Viva o Espírito Santo! Viva o PSB!”, sob aplausos e gritos efusivos da militância do partido. Assim, Ricardo sinaliza algumas propensões importantes: quer, é óbvio, o apoio do partido do governador (afinal, precisa do apoio do próprio para se candidatar); não está nem aí se o PSB é um partido de centro-esquerda, teoricamente mais distante de suas próprias convicções ideológicas; não tem o menor interesse em entrar nesse debate de coloração ideológica; fará de tudo para evitar que a eleição estadual seja arrastada para essa arena e subsumida ao enfrentamento da direita contra a esquerda e vice-versa. Ricardo também repetiu algo que tem se fixado como um mantra dele: o de que o atual governo (o do PSB), ao contrário de gestões passadas, “consegue equilibrar duas questões muito importantes”: responsabilidade fiscal e investimentos sociais. “Nós já tivemos aqui no Espírito Santo governadores que gastaram demais e gastaram mal. E mergulharam o nosso estado numa desorganização profunda que causou muita dor a todas e todos os capixabas. Mas também já tivemos governo que só pensava na responsabilidade fiscal, que só pensava na poupança e que não fazia os investimentos necessários para que possa prover de políticas públicas aquilo que os capixabas esperam. Hoje nós temos um governo que concilia a responsabilidade fiscal com a capacidade de investimentos. E esse equilíbrio tem feito a diferença no estado do Espírito Santo, porque, para nós, responsabilidade fiscal não é fim, é meio para que possamos botar de pé as melhores e maiores políticas públicas para atender a população capixaba”, discursou o vice-governador. A primeira parte do raciocínio (governadores que gastaram mal, “desorganização profunda”) pode se referir a Albuíno Azeredo, Vitor Buaiz, José Ignácio, enfim, você pode escolher. A segunda (“só pensavam na poupança e não investiam”) é uma nítida fustigada de Ricardo em Paulo Hartung, adversário de ambos: de Casagrande e, mais ainda, dele mesmo.Eleições proporcionais: as metas do PSB
Hoje, o PSB tem três deputados estaduais no Espírito Santo (10% das 30 cadeiras da Assembleia): Janete de Sá, Dary Pagung e Toninho da Emater, que substitui Tyago Hoffmann, licenciado desde janeiro para comandar a Secretaria Estadual de Saúde. E o partido só tem um deputado federal (10% dos dez assentos da bancada capixaba na Câmara): Paulo Folletto, reeleito em 2022 para o quarto mandato seguido. > Servidores de outros Poderes do ES também terão aumento salarial Como disse Gavini, o PSB quer ampliar esses números em 2026, passando de três para quatro estaduais e de um para dois federais. Mas Casagrande é até mais otimista. Em seu discurso, afirmou que o partido pode até eleger cinco estaduais e, quem sabe, três federais. “Dependendo da conjuntura, podemos pensar em três deputados federais. Podemos pensar. Lógico que podemos pensar!” Aproveitando a presença de João Campos, futuro presidente nacional da legenda, Folletto destacou a importância de “reenergizar” a bancada do PSB na Câmara Federal. “Precisamos fazer volume de deputados federais. Não vou ficar mais sozinho lá.” Ele fez as contas. Em sua primeira eleição para a Casa, em 2010, o PSB fez 32 deputados federais no Brasil inteiro. Em 2014, foram 34. Hoje, o partido só tem 14. João Campos ressaltou que aumentar essa bancada é questão prioritária para a direção nacional do PSB.Tyago Hoffmann: “PSB nunca esteve dividido”
No 18º Congresso Estadual do PSB, o novo Diretório Estadual foi eleito, em chapa única, por unanimidade dos votos dos delegados, tendo à frente Alberto Gavini, reconduzido para mais três anos na presidência. A chapa tem 30% de mulheres. A próxima Executiva Estadual será formada por 24 membros, sete deles representando segmentos sociais do partido (jovens, mulheres, negros etc.). A nova Executiva terá dois vice-presidentes: Paulo Folletto e Tyago Hoffmann. Os dois foram, precisamente, pivôs da maior polêmica que precedeu o congresso e a reeleição de Gavini. > Papa Francisco e “Conclave”: a humildade e o elogio da dúvida contra os “donos da verdade” Encorajado por alguns pares – que entendiam ser importante uma renovação também no comando local –, Tyago Hoffmann chegou a aventar apresentar o nome para a presidência. Mas nem chegou a lançar pré-candidatura. Antes que pudesse fazê-lo, em entrevista à jornalista Fabiana Tostes, do jornal online Folha Vitória, Folletto opôs-se à ideia, declarou que conversaria com Tyago para dissuadi-lo e que, se ele insistisse em concorrer, disputaria a presidência contra ele. Os dois são pré-candidatos a deputado federal, e o receio de Folletto era o de um favorecimento de Tyago à própria candidatura. Assim, a postulação de Tyago morreu antes de nascer, e Gavini foi reconduzido sem dificuldades. Em seu discurso no encontro, Tyago exaltou a união do PSB e parabenizou muito Gavini pela condução: “Muito se falou na imprensa sobre a divisão do partido. O partido nunca esteve dividido. Enquanto estou aqui, nunca vi esse partido dividido. A gente faz debates e constrói consensos. E foi o que a gente fez aqui hoje. […] Gavini vai conduzir o partido nas eleições 2026”. Tyago também elogiou bastante o governo Casagrande, do qual é parte. Chamou-o de “melhor governo estadual do Brasil”. O secretário estadual de Saúde citou a construção de novos hospitais estaduais. Disse que o Himaba será o maior hospital infantil da América Latina e que o Fundo Soberano foi recentemente escolhido como o terceiro melhor do mundo e o melhor da América Latina. “O Espírito Santo é modelo em políticas públicas em todas as áreas.”Como ficou a Executiva estadual do PSB
Presidente: Alberto Gavini Vice-presidentes: Paulo Folletto e Tyago Hoffmann Secretário-geral: Paulo Menegueli Primeira secretária: Flávia Cysne Segundo secretário: Jilberlandio Miranda Santana Primeiro secretário de Finanças: Paulo Brusqui Segundo secretário de Finanças: Frei Paulão Secretários especiais: Bruno Lamas, Toninho da Emater, Jacqueline Moraes, Dary Pagung, Odmar Péricles, Eustáquio de Freitas e Givaldo Vieira Líder de bancada: Janete de Sá Há mais sete membros dos segmentos partidários.De outros partidos
Os deputados estaduais João Coser (PT) e Mazinho dos Anjos (PSDB) compareceram ao congresso do PSB. Coser participou da mesa e até discursou. > Dirigente acusa Coser de “traição”, e o samba atravessa de vez no PT do ESOs três eixos
Gavini transmitiu à militância os três pilares do PSB na preparação para as eleições 2026 no Espírito Santo:- Organização partidária
- Formação política
- Democracia