Logo após a formalização da renúncia de Lorenzo Pazolini, com o ofício apresentado por ele ao presidente da Câmara de Vitória, o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Ales) Erick Musso confirmou à coluna: Pazolini é pré-candidato a governador do Espírito Santo.
Presidente da Ales por seis anos, entre 2017 e 2022, Erick é não só o presidente estadual do partido de Pazolini, o conservador Republicanos, como também seu principal articulador político. Desde a chegada de Pazolini à Prefeitura de Vitória, em 2021, Erick atua nos bastidores como procurador dos interesses políticos do prefeito, em diálogos e costuras com potenciais aliados e dirigentes de outros partidos.
Leia a seguir a nota oficial enviada por Erick Musso:
Nota à imprensa
O Espírito Santo vive um momento decisivo. E é justamente nesses momentos que precisamos ter clareza de lado e de propósito.
Ao lado do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, acompanhei de perto uma gestão que entregou resultados concretos, reorganizou a capital, enfrentou desafios com coragem e mostrou que é possível governar com transparência, ética, responsabilidade, eficiência e compromisso com as pessoas. A gestão do prefeito Lorenzo Pazolini reposicionou Vitória no cenário nacional de forma positiva, com protagonismo e reconhecimento.
Esse histórico não pode ser ignorado. É ele que sustenta a construção de uma alternativa sólida, preparada e com capacidade real de fazer o Espírito Santo caminhar dentro dos propósitos éticos em que acreditamos.
Respeitamos todas as pré-candidaturas colocadas, porque acreditamos na democracia como a única alternativa legítima para o debate de ideias e a construção de soluções para a sociedade, mas sigo convicto de que o nosso projeto representa um caminho seguro, com equilíbrio, diálogo e resultado, um projeto que não nasce de estruturas de poder, nasce do povo e da confiança construída com trabalho e entregas.
Seguimos firmes rumo à construção do Espírito Santo que queremos, pensando no que realmente importa: o futuro e a qualidade de vida do povo capixaba.
Que Deus nos abençoe
Erick Musso
A soma de sinais de que Pazolini, há tempos, é muito pré-candidato
A confirmação por parte de Erick é importante por dar uma “cara” ainda mais explícita à pré-candidatura de Lorenzo Pazolini ao Governo do Espírito Santo… Mas não é como se esta informação estivesse envolta num véu de mistério. Poucas vezes alguém foi tão pré-candidato a governador (com uma série de movimentos pessoais nessa direção) sem admitir publicamente a intenção de disputar o cargo. É uma estratégia.
O próprio partido de Pazolini o trata abertamente como pré-candidato a governador desde janeiro do ano passado. Em nota oficial à imprensa no referido mês, a direção estadual do partido informou que começava, então, a “caminhada” do prefeito de Vitória rumo à pré-candidatura.
No mesmo mês, o próprio Pazolini se lançou em uma bateria de visitas regulares a municípios do interior e a localidades na periferia de outras cidades da Grande Vitória (feiras livres; a Ceasa, em Cariacica etc.), acompanhado pelo mesmo Erick e pelo deputado federal Evair de Melo (PP).
Por sinal, Evair é um dos políticos capixabas que há muito tempo declaram apoio explícito a Pazolini para… governador do Espírito Santo. A ele se somam outros, como o ex-deputado federal Carlos Manato (Republicanos) e o ex-governador Paulo Hartung (PSD).
Até hoje, Pazolini cumpre regularmente essas agendas de cunho pré-eleitoral em outros municípios, fora do horário oficial de expediente na Prefeitura de Vitória. Em fevereiro deste ano, foi acompanhado pelo prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), que ensaiou uma aproximação eleitoral com ele (mas acabou recuando).
Aliás, o discurso de Pazolini no ato inaugural do Carnaval de Vitória, a entrega simbólica da chave da cidade ao Rei Momo, no dia 6 de fevereiro, também teve conotação eleitoral (figurativamente). Em palavras próximas a estas, Pazolini defendeu que, na política, como no samba, a “ancestralidade” e a “velha guarda” devem ser respeitadas, mas precisam dar passagem à “modernidade”.
Aos 43 anos, o prefeito vem para esta eleição apostando na imagem de “renovação”, em contraponto ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), 62, que tomará posse nesta quinta-feira (2) como governador do Estado e disputará a reeleição em outubro.
Além disso, delegado de carreira que é na Polícia Civil do Espírito Santo, Pazolini também requereu formalmente, em janeiro, o gozo de três meses de licença a que tem direito. A licença deve ser retirada agora, a partir da renúncia, já que ele teria de se reapresentar ao comando da Polícia Civil. O requerimento já foi aprovado, e os três meses poderão ser usufruídos por ele, até julho. O período deverá ser aproveitado para ele circular ainda mais, firmar acordos e alianças, consolidar as bases da sua pré-candidatura.
Aliado a tudo isso, o prefeito costuma repostar, em seu feed e/ou nos stories, matérias sobre pesquisas eleitorais que o trazem na liderança da corrida ao Palácio Anchieta. Ontem mesmo, ele fez isso. Já fez acenos – embora tímidos, até o momento – ao eleitorado bolsonarista. E, desde meados do ano passado, sua logo em suas publicações carrega as três cores do Espírito Santo. Ele mesmo costuma usar camisetas com dizeres relacionados ao Estado e passou a concluir discursos gritando “Viva Vitória! Viva o Espírito Santo!”.
Cabe recordar ainda que, durante a campanha à reeleição, em 2024, respondendo a esta pergunta em mais de uma entrevista, Pazolini jamais descartou interesse em disputar as eleições deste ano nem se comprometeu publicamente a completar o segundo mandato em Vitória, se reeleito fosse (como foi). Deixou a possibilidade em aberto. Não chegou a ser assertivo. Mas não mentiu sobre este tema.
O encontro decisivo com o presidente do PSD-ES antes do “anúncio da renúncia”
Por volta das 9h30 da manhã desta quarta-feira (1º), enquanto a Câmara de Vitória recebia o comunicado oficial da sua renúncia, Pazolini postou nos stories foto de um café da manhã tomado com o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos (PSD).
Renzo é o presidente estadual do Partido Social Democrático (PSD). A entrada do PSD na futura coligação majoritária de Pazolini é fundamental para encorpá-la, dando-lhe mais recursos de campanha e maior tempo de propaganda eleitoral na TV no rádio. O PSD é um partido de grande porte, com boa bancada na Câmara dos Deputados.
A aliança eleitoral com o PSD, sigla do ex-governador Paulo Hartung, está bem encaminhada há algum tempo – muito embora Renzo tenha ensaiado, nas últimas semanas, uma reaproximação política e administrativa com o governo de Casagrande e de Ricardo Ferraço.
Dois cotados para vice de Pazolini
A primeira-dama de Colatina, Lívia Vasconcelos, está entre os cotados para ser candidata a vice-governadora na chapa de Pazolini. A princípio, é pré-candidata a deputada estadual pelo PSD.
Outro cotado é o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon, também do PSD, com quem ele tomou um café na última segunda-feira (30).

