
“Política se faz com diálogo, parceria e compromisso com o futuro. Seguimos juntos, trabalhando pelo que realmente importa: o bem do povo capixaba”.No último dia 12, Arnaldinho reuniu-se com o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, na casa dele, na capital paulista. Da conversa, também participou o deputado federal Victor Linhalis (Podemos), principal aliado de Arnaldinho no Congresso Nacional. Kassab é o presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), um dos maiores do país e o que mais elegeu prefeitos no Brasil em 2024. Eles conversaram sobre a provável filiação de Arnaldinho à legenda, que ficou muito bem encaminhada. Arnaldinho é pré-candidato a governador do Espírito Santo em 2026. Seu ingresso no PSD – de preferência, para comandar a sigla – atende a seu objetivo de viabilizar a própria candidatura, num partido grande e que ele possa conduzir com total autonomia no Estado. Aliados de Arnaldinho, entre os quais o próprio Linhalis, consideram certa a filiação do prefeito ao PSD. Arnaldinho, porém, a princípio, pretende se filiar para assumir a presidência estadual da sigla, hoje com o prefeito de Colatina, Renzo Vasconcelos. Essa é uma aresta a ser resolvida. Mas a aresta maior, que despertou uma reação veemente por parte de Casagrande, tem outro nome e sobrenome. Chama-se Paulo Hartung. O PSD é a futura casa do governador, cuja filiação é iminente (está marcada para a próxima segunda-feira, 26, em São Paulo). É, portanto, o partido que abrigará o retorno de Hartung à vida pública e uma possível candidatura do ex-governador no ano que vem, após oito anos sem exercer e 12 sem disputar mandatos. Como é público e notório, Hartung e Casagrande são adversários irreconciliáveis. Onde um pisa, o outro não passa. Hartung mantém excelente relacionamento com Kassab. O encontro de Arnaldinho com o cacique nacional e seu movimento em direção ao PSD (sem ter combinado com Casagrande) acenderam, no mercado político, uma forte especulação sobre a possível participação de Hartung na articulação do encontro e até na iminente filiação do prefeito de Vila Velha. Nesse caso, teríamos um forte sinal relativo a uma aproximação política de Arnaldinho com o ex-governador – ideia que em nada agrada a Casagrande. Não por acaso, questionado pela coluna na terça-feira (20) sobre as movimentações eleitorais do aliado e sobre seu plano de entrar no futuro partido de Hartung, Casagrande mandou este recado que não dá margem a muita interpretação:
“Se Arnaldinho se movimentar em direção a aliados, mesmo não tendo um script combinado, está dentro de um comportamento normal. Nós temos hoje aliados e adversários. Todos sabem quem são os nossos aliados e quem são os nossos adversários. Então, se o movimento for dentro de um ambiente de aliados, é um comportamento normal.”O governador, portanto, traçou um limite muito bem definido de até onde está disposto a “admitir” as movimentações próprias de Arnaldinho. Não aceitará eventual flerte, muito menos namoro de Arnaldinho com Hartung (ou com qualquer outo adversário). Hoje, o nome preferido de Casagrande para a própria sucessão no ano que vem é o do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). À coluna, o governador tornou a dizer que seu vice é “o nome prioritário” para cumprir essa missão. No entanto, ele voltou a citar Arnaldinho como um dos aliados que pode vir a concorrer ao governo como representante de seu grupo. Na conversa a portas fechadas no gabinete do governador nesta quarta, Casagrande disse a Arnaldinho, face a face, o mesmo que já havia afirmado à coluna. E acrescentou que não terá compromisso com quem não estiver no projeto liderado por ele para as eleições de 2026. Arnaldinho reafirmou sua parceria com Casagrande. Publicamente, inclusive, por meio do post mencionado acima.