
“Estou pronto e preparado para ser candidato a governador, na hora certa.”“A política e a especulação são gêmeas siamesas”, afirmou o vice-governador em outro ponto da entrevista. Ricardo tratou de dirimir qualquer suspeita ou especulação de que pudesse não estar em seus planos ser candidato ao Palácio Anchieta, para suceder seu maior aliado, Renato Casagrande (PSB), que disse, no fim de dezembro: “Se desejar, Ricardo vira candidato natural à sucessão”. Ele o deseja, sim. E muito. Trabalhará intensamente por isso, fará o que lhe couber, o que estiver ao seu alcance, para se viabilizar, chegando competitivo em abril de 2026 e dando assim, a Casagrande, o conforto necessário para sair de cena, passar-lhe o cetro de governador e ir à luta na eleição para o Senado. Ricardo procurou escolher bem as palavras para não incorrer em alguma conduta vedada pela legislação eleitoral. Nos bastidores, mostrou um cuidado extremado e certo receio, eu diria, com o tratamento que seria dado pelo entrevistador às suas palavras (especificamente, com o título que eu daria à entrevista, temendo que eu estampasse “Ricardo se lança ao governo”, ou algo assim). Então fica combinado: para todos os efeitos, Ricardo não está (ainda) lançando candidatura ao governo nem se lançando ao Palácio Anchieta. Mas isso pouca diferença faz, é quase um preciosismo semântico diante do teor das suas afirmações. As palavras do vice-governador não deixam um quê de dúvida quanto à sua obstinação em se viabilizar. E põem de pé um punhado de certezas, as quais passamos a listar e explicar.