Sambão do Povo
Na Folia
Impulsionados pelo Regional da Nair, o maior da capital, uma multidão acompanhou os desfiles tanto no Centro Histórico quanto na Avenida Beira-Mar.
Escrito por Josue de Oliveira em 17 de fevereiro de 2026
O último dia oficial de Carnaval acontece nesta terça-feira (18) e, certamente, vai deixar saudades nos foliões de Vitória, que acompanharam um verdadeiro espetáculo com as apresentações dos blocos de rua.
Impulsionados pelo Regional da Nair, o maior da capital, uma multidão acompanhou os desfiles tanto no Centro Histórico quanto na Avenida Beira-Mar. As imagens impressionantes das ruas tomadas por foliões, aliadas às belezas naturais da região central, consolidaram Vitória no roteiro dos blocos das capitais do Sudeste, ao lado de Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.
Para se ter uma ideia da dimensão que o Carnaval de Vitória alcançou, somente no último domingo, durante a apresentação do Regional da Nair, mais de 200 mil pessoas se divertiram na Avenida Beira-Mar ao som de marchinhas e músicas tradicionais da folia.
E não são apenas capixabas que fazem o Carnaval de Vitória. Um levantamento da Buser, plataforma de passagens de ônibus, considerando o período de viagem entre 12 e 18 de fevereiro, aponta a capital capixaba na quinta posição do ranking nacional de destinos mais procurados no Carnaval e entre as quatro primeiras do Sudeste. Entre os turistas, Vitória foi o destino mais buscado por paulistas, cariocas e mineiros.
O Regional da Nair surgiu em 2011, durante um encontro de amigos universitários no Bar da Zilda, um dos principais redutos da boêmia do Centro de Vitória.
“Decidimos criar o bloco e, na primeira vez, nem havia tradição de glitter ou fantasias. Era mais um evento de verão e, mesmo assim, foi muita gente. Saiu da Zilda e hoje é uma tradição, explicou um dos organizadores do bloco, André Félix.
Até então, o grupo desfilava tradicionalmente pela Rua Sete, mas começou a ganhar grandes proporções e acabou transferido para a Avenida Beira-Mar, também no Centro. Em 2020, na última apresentação antes da pandemia, o Regional arrastou uma multidão de 60 mil pessoas. Foi em 2017 que o bloco passou a desfilar durante o Carnaval oficial, antes, integrava apenas a programação pré-carnavalesca da cidade.
“Mexemos em uma tradição da nossa bolha, que era aproveitar o feriado para viajar. Essa foi uma mudança revolucionária. O Regional conseguiu colocar a cidade no Carnaval”, destacou Felix.
Além de ganhar mais espaço na Beira-Mar, o bloco passou a desfilar pela manhã, antes, saía à tarde. Para o organizador, essa foi mais uma mudança importante na cultura do capixaba, que passou a curtir a folia também durante o dia.
Mas a pergunta que muitos fazem é: quem é a famosa Nair que deu origem ao maior bloco de rua do Carnaval do Espírito Santo e foi responsável por tantas transformações?
“A Nair era uma amiga da Comunicação da UFES que morava em um apartamento no Parque Moscoso apenas com as irmãs, sem os pais. Ela sempre abrigava as festas da turma”, explicou.
Segundo Félix, “regional” é um termo que designa uma formação clássica de choro. “No dia da despedida da Nair de Vitória para Brasília, eu e Vitor Lopes, outro organizador do bloco, decidimos montar uma formação nesse formato. E chamamos de Regional da Nair porque aconteceu no apartamento dela.”
O Carnaval de blocos de 2026 reafirma a grandiosidade da folia de rua nas três maiores capitais brasileiras, com centenas de cortejos, ritmos variados e multidões ocupando avenidas e bairros.
Em Belo Horizonte, o Carnaval de rua bate recorde: 612 blocos cadastrados para desfilar entre 31 de janeiro e 22 de fevereiro, com cerca de 660 cortejos previstos pelas diversas regionais da cidade — da Savassi ao Centro e Santa Tereza. Entre os blocos mais esperados estão Então, Brilha!, Baianas Ozadas e Quando Come Se Lambuza, além de atrações como Funk You e Lua de Crixtal, que misturam samba, axé, funk e marchinhas.
No Rio de Janeiro, o Carnaval de rua segue intenso, com mais de 460 blocos autorizados a desfilar pelo Centro e bairros até 22 de fevereiro. Entre os destaques tradicionais de 2026 estão o Cordão da Bola Preta — que abre o sábado de Carnaval com multidões — além de Céu na Terra, Amigos da Onça, Bangalafumenga, Bloco Exagerado e Bloco do Barbas.

Já em São Paulo, a folia segue em expansão: a programação oficial confirma mais de 620 blocos de rua entre 6 e 22 de fevereiro. Entre os principais grupos estão Acadêmicos do Baixo Augusta, Bloco da Preta, Casa Comigo, Tarado Ni Você, além de Agrada Gregos, Minhoqueens e Sargento Pimenta, com ritmos que vão do samba ao pop e ao forró carnavalesco.
Em cada uma dessas cidades, o Carnaval de rua de 2026 demonstra não apenas tradição e diversidade musical, mas também a força da cultura popular brasileira, reunindo famílias, amigos e turistas em celebrações vibrantes, democráticas e cheias de cor.