Carnaval 2026
Carnaval 2026
Segunda escola de samba a desfilar no sábado (7), a Unidos da Piedade homenageia a vida e a obra do intérprete Edson Papo Furado
Escrito por Redação em 06 de fevereiro de 2026
A Unidos da Piedade vai homenagear, no Sambão do Povo, a vida e a obra de Edson Papo Furado, um dos nomes mais importantes da história da escola e referência da cultura popular capixaba. Intitulado “O Canto Livre de Papo Furado”, o enredo destaca a trajetória do intérprete e sua contribuição para o samba e para o carnaval do Espírito Santo.
Com o mesmo nome do disco lançado por Edson em 2003, o enredo apresenta o canto como filosofia de vida, além de expressão de liberdade e resistência.
Edson Papo Furado esteve presente desde a fundação da escola e foi um dos primeiros intérpretes da agremiação. Considerado um dos sambistas mais longevos do carnaval capixaba, ele também é reconhecido como um dos pioneiros do samba no Estado. Ao longo de sua trajetória, sua voz esteve à frente da escola em momentos decisivos, conduzindo a Unidos da Piedade à conquista de 14 títulos.
Fundada em 15 de janeiro de 1955, a Unidos da Piedade é a primeira escola de samba do Espírito Santo e uma das mais tradicionais do carnaval capixaba. Conhecida como a “mais querida”, a agremiação nasceu no Morro da Piedade, em Vitória, a partir da mobilização de jovens e trabalhadores que encontraram no samba uma forma de expressão cultural e fortalecimento comunitário.
Da integração entre as comunidades da Piedade, Fonte Grande e áreas vizinhas, a escola revelou gerações de ritmistas, compositores, músicos, mestres de bateria, bailarinos e aderecistas que compõe o samba no Espírito Santo.
Ouça aqui.
O sino da matriz em melodia
O sol se escondeu no horizonte
Trago no meu peito a mais querida
E recebo na descida o amor da Fonte Grande!
Sou eu o anjo preto abençoado
Fiz do morro meu altar
Vem do samba a força que me guia
Ao ouvir a poesia canto feito o Grumará…
Sou eu a voz da liberdade
O serrano gente boa, filho da simplicidade!
Foi agora que eu cheguei, Doná,
Pra voltar não tenho hora
Deixo a vida me levar, com brilho no olhar.
E os acordes da viola
Foi agora que eu cheguei, Doná,
Tá gravado na lembrança
Com barquinhos de papel
Brinquei pertinho do céu
No meu tempo de criança
Me encantei… o som da natureza inspirou
A levada do congo me emocionou
No ritmo embalado, no rock, sapateado
Ouvindo os conselhos da vovó,
A simpatia pro gogó
Boêmio… nos bares fui consagrado
Filosofando, virei o “Papo Furado”
Lindas canções eternizei
Mulher Luz, por ti me apaixonei
À Velha Guarda minha reverência
Obá do samba, griot da resistência
Na escola do meu coração
Quatorze vezes campeão!
Bate forte no couro, deixa o pêlo arrupiar
Hoje tem festa, o morro vai coroar
O baluarte da comunidade
Viva o rei do quilombo Piedade!