Sambão do Povo
rio de janeiro
Mocidade, Beija-flor, Viradouro e Tijuca atravessaram a avenida carioca no segundo dia de desfiles
Escrito por Redação em 17 de fevereiro de 2026
A Marquês de Sapucaí foi palco de homenagens à música, à literatura e às tradições afro-brasileiras na segunda noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro se destacaram com apresentações que uniram emoção, simbolismo e impacto visual.
Além delas, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também cruzaram a avenida dentro do tempo regulamentar de 80 minutos. As quatro escolas apostaram em enredos biográficos e culturais, reforçando a diversidade temática da festa.
A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”. A escola celebrou o legado artístico e comportamental da cantora.
Com um samba-enredo lotado de referências aos grandes hits da cantora, a Mocidade trouxe um abre-alas com escultura do rosto de Rita, com fantasias coloridas e referências à cultura hippie.
Além disso, a agremiação evitou o uso de penas naturais, em respeito à defesa da causa animal, bandeira histórica da artista e levou para avenida um carro com cães e gatos que homenageavam também o cão Orelha, agredido e morto em Santa Catarina. O último carro fez alusão à música “Lança Perfume” e contou com a presença de Roberto de Carvalho, viúvo da cantora.
Atual campeã, a Beija-Flor de Nilópolis apresentou o enredo “Bembé”, inspirado na tradicional cerimônia do Bembé do Mercado, realizada há mais de um século em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.
A escola transformou a avenida em um grande ritual, com alegorias que representaram rituais de purificação e referências a orixás como Oxum e Iemanjá.
O desfile apostou em forte simbologia religiosa e valorização das tradições afro-brasileiras. Como prometido no samba-enredo, a Sapucaí se transformou em um grande ritual de macumba e respeito ao Bembé.
Já na madrugada, a Unidos do Viradouro homenageou Mestre Ciça com o enredo “Pra Cima, Ciça”. O Mestre de bateria é um dos maiores nomes da história do carnaval carioca.
Logo na comissão de frente, a escola destacou o tradicional apito de Ciça que se transformavam no Grande Arco da Praça da Apoteose, e contou com a presença do homenageado.
A escola também marcou o retorno da atriz Juliana Paes como rainha de bateria, após 18 anos. Além disso, recriou um momento histórico de 2007, quando os ritmistas desfilaram sobre um carro alegórico após ideia do Mestre Ciça.
Encerrando a noite, a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “Carolina Maria de Jesus”. A escola recontou a trajetória da escritora mineira, autora de “Quarto de Despejo”, desde a infância até o reconhecimento literário.
A comissão de frente apresentou a escritora num quarto que se transformava num carrinho utilizado por Carolina para recolher materiais na rua. Outro destaque foi o casal de mestre-sala e porta-bandeira que retomou uma antiga tradição do carnaval que é se vestir com o símbolo da escola, que no caso da Tijuca, é o pavão.
O desfile destacou o combate ao apagamento histórico da autora e reforçou a importância de preservar sua memória na literatura brasileira.