Para o Carnaval de Vitória 2026, a Unidos de Jucutuquara leva para o Sambão do Povo o enredo “Arreda, homem, que aí vem mulher”, que tem como eixo central a figura de Maria Padilha, entidade presente nas tradições afro-brasileiras.
A proposta do enredo apresenta Maria Padilha como uma força ancestral que atravessa diferentes tempos e territórios, conectando espiritualidade, cultura popular e memória coletiva. A narrativa parte da ideia de que as entidades espirituais não estão restritas a um único período histórico, mas se manifestam continuamente por meio de símbolos, gestos, cantos e rituais, sendo ressignificadas pelas comunidades que as cultuam.
Durante o desfile, a agremiação propõe uma reflexão sobre o feminino como expressão de poder, sabedoria e transgressão, destacando mulheres que rompem silêncios, ocupam espaços e constroem suas próprias trajetórias.
História da escola
Fundada em 29 de janeiro de 1972, a Unidos de Jucutuquara surgiu como um bloco carnavalesco, inicialmente formado apenas por homens e sem enredo definido, que desfilavam pelas ruas utilizando tamancos como parte da fantasia.
Com o passar dos anos, o grupo passou por um processo de transformação, incorporando novas indumentárias e ampliando a participação feminina. A partir de 1980, a agremiação passou a integrar os concursos promovidos pela Prefeitura de Vitória.
O bom desempenho nas apresentações levou à transformação oficial em escola de samba, consolidada em 1986, com a fundação do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos de Jucutuquara.
Ficha técnica
- Nome: Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Jucutuquara
- Fundação: 29 de janeiro de 1972
- Localização: Jucutuquara, Vitória
- Cores: Verde, vermelho e branco
- Símbolo: Coruja
- Presidente: Ewerton Fernandes
- Carnavalesco: Marcelo Braga
- Mestre de bateria: Yan Corrêa e Ed Wisley
- Rainha de bateria: Fernanda Passon
- Intérprete: Kaike Sant'Anna
Dados do desfile – Carnaval de Vitória 2026
- Enredo: “Arreda, homem, que aí vem mulher”
- Número de componentes: 1.400
- Alas: 19
- Carros alegóricos: 3
- Tripés: 1
Cante o samba-enredo
Ouça aqui.
Você sabe quem eu sou pela minha gargalhada
A rainha dessas ruas, da encruzilhada
Sou eu, sou eu! Sou Maria, sou Odara
A Padilha da Nação Jucutuquara
Deu meia noite, galo canta na porteira
O clarão da lua cheia ilumina o caminhar
Tentaram apagar a minha história
Feito brasa na fogueira insisto em queimar
De saia rodada na madrugada
Fiz altar no cruzeiro
Se meu trono é renegado, coroada no terreiro
Ê, Calunga! Maré que vem e que vai
No sopro o vento me faz a dona do cabaré
Entre dois mundos meu encanto incorporou
Quando o ogã anunciou:
Arreda homem que aí vem mulher
Ela é Maria, Mariá
Ela é Maria, Mariá
Feitiço e sedução faço e desfaço
O meu peito é de aço e o coração de sabiá
Se meu coração é bom, a navalha é afiada
O perfume que fascina, veneno que mata
Se queres proteção peça com fé
Inimigo teu come debaixo do meu pé!
A dor que é transformada em amor
A flor que o espinho protege, não trai!
Quem bebe do meu champanhe “gira” e não cai
(Ô abre a roda pra eu passar)
A voz de quem nunca se cala é Mojubá!


