Carnaval 2026
Carnaval 2026
Terceira escola de samba a desfilar nesta sexta-feira (6), a agremiação propõe uma reflexão sobre o feminino como força ancestral e expressão de poder
Escrito por Redação em 05 de fevereiro de 2026
Para o Carnaval de Vitória 2026, a Unidos de Jucutuquara leva para o Sambão do Povo o enredo “Arreda, homem, que aí vem mulher”, que tem como eixo central a figura de Maria Padilha, entidade presente nas tradições afro-brasileiras.
A proposta do enredo apresenta Maria Padilha como uma força ancestral que atravessa diferentes tempos e territórios, conectando espiritualidade, cultura popular e memória coletiva. A narrativa parte da ideia de que as entidades espirituais não estão restritas a um único período histórico, mas se manifestam continuamente por meio de símbolos, gestos, cantos e rituais, sendo ressignificadas pelas comunidades que as cultuam.
Durante o desfile, a agremiação propõe uma reflexão sobre o feminino como expressão de poder, sabedoria e transgressão, destacando mulheres que rompem silêncios, ocupam espaços e constroem suas próprias trajetórias.
Fundada em 29 de janeiro de 1972, a Unidos de Jucutuquara surgiu como um bloco carnavalesco, inicialmente formado apenas por homens e sem enredo definido, que desfilavam pelas ruas utilizando tamancos como parte da fantasia.
Com o passar dos anos, o grupo passou por um processo de transformação, incorporando novas indumentárias e ampliando a participação feminina. A partir de 1980, a agremiação passou a integrar os concursos promovidos pela Prefeitura de Vitória.
O bom desempenho nas apresentações levou à transformação oficial em escola de samba, consolidada em 1986, com a fundação do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos de Jucutuquara.
Ouça aqui.
Você sabe quem eu sou pela minha gargalhada
A rainha dessas ruas, da encruzilhada
Sou eu, sou eu! Sou Maria, sou Odara
A Padilha da Nação Jucutuquara
Deu meia noite, galo canta na porteira
O clarão da lua cheia ilumina o caminhar
Tentaram apagar a minha história
Feito brasa na fogueira insisto em queimar
De saia rodada na madrugada
Fiz altar no cruzeiro
Se meu trono é renegado, coroada no terreiro
Ê, Calunga! Maré que vem e que vai
No sopro o vento me faz a dona do cabaré
Entre dois mundos meu encanto incorporou
Quando o ogã anunciou:
Arreda homem que aí vem mulher
Ela é Maria, Mariá
Ela é Maria, Mariá
Feitiço e sedução faço e desfaço
O meu peito é de aço e o coração de sabiá
Se meu coração é bom, a navalha é afiada
O perfume que fascina, veneno que mata
Se queres proteção peça com fé
Inimigo teu come debaixo do meu pé!
A dor que é transformada em amor
A flor que o espinho protege, não trai!
Quem bebe do meu champanhe “gira” e não cai
(Ô abre a roda pra eu passar)
A voz de quem nunca se cala é Mojubá!