Carnaval 2026
Carnaval 2026
Terceira escola de samba a desfilar neste sábado (7), a Boa Vista celebra a tradição do congo capixaba e o mítico João Bananeira
Escrito por Redação em 06 de fevereiro de 2026
A Independente de Boa Vista, atual campeã do Carnaval de Vitória, levará para o Sambão do Povo o enredo “João do Congo – A voz que dança nas folhas da resistência”. A escola aposta na valorização do congo capixaba e de uma de suas figuras mais simbólicas: o mítico João Bananeira.
O enredo parte do reconhecimento do congo como uma das matrizes fundamentais da identidade cultural do Espírito Santo. Mais do que uma manifestação folclórica, o congo é apresentado como um sistema vivo de memória, fé e resistência, transmitido por gerações e mantido pela prática cotidiana das comunidades.
Nesse contexto, João do Congo surge como personagem central. Corpo mascarado que dança e ocupa as ruas, ele representa o espírito brincante do congo e transforma a alegria em ato político. Nascido simbolicamente das folhas de bananeira e da força coletiva da comunidade, João atravessa quilombos, terreiros, bandas de congo e festejos populares, além de dialogar com marcos legais de reconhecimento e devoções como São Benedito e Nossa Senhora da Penha.
Fundada em 14 de outubro de 1975, no bairro Itaquari, em Cariacica, a Grêmio Recreativo Cultural Esportivo Social Escola de Samba Independente de Boa Vista surgiu inicialmente como o bloco carnavalesco Mocidade Unida de Boa Vista.
A consolidação como escola de samba ocorreu na década de 1980, período em que a agremiação passou a adotar as cores vermelho, azul e branco, além da águia como seu principal símbolo.
Ao longo de sua trajetória, a Boa Vista construiu um histórico de enredos voltados a temas culturais, sociais, históricos, ambientais e artísticos, com ênfase na valorização da identidade capixaba, da diversidade cultural e de personagens de relevância nacional e internacional.
Ouça aqui.
É folha que rompe o silêncio da mata
A voz que arrebata, o encantamento
O som da identidade brasileira
E dele nasceu JOÃO BANANEIRA
Alma da rua que resiste na casaca e no tambor
Entre o sagrado e o profano, elo atravessador do tempo…
Reza, ladainha e movimento
O fogo no sangue que mantém acesa a chama
Da Ancestralidade Africana
É Roda D’água do meu Espírito Santo
Terra batida, quintal de fundamento
É canto, dança e reza
Um ser mascarado
O sincretismo num cortejo de Congado
Ele é a lenda, ele é um de nós
Ele é quem zomba e ri na cara do opressor
Se há quem duvide, ele vive na esperança
E sobrevive em fantasia de criança
O grito de Cariacica pro mundo entender
Que a força da fé permanece em você
Em cada “Fincada”, em toda promessa
Vejam, Mãe Santa no alto da Penha
A bênção às Bodas de ouro
Minha escola, meu maior tesouro
É por ela e por você, João
Que eu vou cantar
Quem é Boa Vista sabe como é
Não se dobra e nem curva
Não leve a mal
Sou resistência desse Carnaval