

A vida útil das habilidades está entrando em colapso
Antigamente, a pessoa estudava, se formava, e com as habilidades e competências adquiridas, passava 30 anos ou mais trabalhando, até que decidisse se aposentar. Agora temos que estudar mais e as competências técnicas adquiridas hoje terão valor por menos tempo. De acordo com o futurologista Ian Beacraft, CEO da Signal & Cipher, as competências técnicas que estão sendo aprendidas neste exato momento terão utilidade por apenas 16 meses! O valor do que fazemos deixa de ser “o que eu sei” para “como eu me adapto e consigo aplicar este novo conhecimento”. Em algum momento, as competências técnicas terão seu valor muito próximo de zero. Isso cria ansiedade. É exaustivo. Por que aprender algo novo se daqui a pouco tudo muda novamente? As escolas e as faculdades precisam remodelar o ensino e mudar a forma como aprendemos. Para suportar esse ambiente de constante transformação é preciso se concentrar em como reaprender o padrão. O problema é que estamos biologicamente programados para evitar mudanças. Como desaprender o que sabemos? Este é o desafio. A democratização tecnológica está acontecendo agora e a IA tem a capacidade de fazer nossos anos de experiência e expertise valerem cada vez menos. Empresas pequenas conseguirão concorrer de igual para igual com grandes empresas. Pequenas equipes serão capazes de trabalhar como departamentos inteiros.Perdemos o monopólio da inteligência
Para Eduardo Ibrahim, CEO da Humana IA, entramos numa era em que perdemos o monopólio da inteligência. A IA vai nos convidar a repensar o que é ser um ser humano. O novo líder será aquele que souber orquestrar humanos e IA para criar valor cognitivo combinado. O valor será criado combinando inteligência humana com inteligência artificial. Os seres humanos serão responsáveis por alimentar a IA com padrões que definem o que é ética, com julgamentos, intenções, empatia, consciência e criatividade. E caberá a inteligência artificial cuidar da velocidade, da memória, das inferências, da geração e combinação de dados. Toda empresa será uma empresa de IA. Estamos entrando em territórios não explorados. Historicamente, aqueles que venceram foram os que moldaram o futuro que hoje é a nossa vida. Experimentem. Estamos todos na linha de partida e temos a oportunidade de ouro de impactar o nosso futuro. Primeiro mudamos as ferramentas e depois as ferramentas nos mudam.
*Fabrício de Lima é sócio e assessor de investimentos na Valor, especialista em Investimentos e Private Banking (IBMEC) com MBA em Gestão e Engenharia da Qualidade (USP). É engenheiro (UFV) e empresário.





