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Combustível mais caro à vista
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O impacto do aumento nos preços dos combustíveis reflete diretamente na inflação e no bolso do consumidor. Foto: DALL·E
O impacto do aumento nos preços dos combustíveis reflete diretamente na inflação e no bolso do consumidor. Foto: DALL·E
A vida do brasileiro não está mesmo fácil e parece que o horizonte de melhora ainda não está no radar. No ano passado, fechamos com inflação de 4,83% (acima do limite máximo de 4,5% estipulado pelo Conselho Monetário Nacional) e as projeções deste ano apontam para valores ainda maiores na casa dos 5,5%. Como se não bastasse, os preços dos combustíveis seguem em alta no próximo mês. Isso porque foi aprovado o reajuste nas alíquotas do ICMS em mais de 7% sobre a gasolina e mais de 5% sobre o diesel para fevereiro deste ano. Outro fator importante que pressiona os preços dos combustíveis é o próprio dólar. Apesar de sermos autossuficientes na produção de petróleo, não o somos na produção de combustíveis (provenientes de refinarias). Hoje, cerca de 20% do que consumimos de gasolina e diesel vem de fora, afetando fortemente os preços desses produtos no mercado interno, principalmente depois de uma desvalorização de mais de 27% do real frente à moeda americana no ano passado. Sem falar na alta dos preços dos combustíveis no próprio mercado internacional (mais de 6% para a gasolina e mais de 12% para o diesel nos últimos 3 meses). Alta essa que ainda não foi repassada pela Petrobras. Nas refinarias da estatal, não houve reajuste no preço da gasolina em mais de seis meses. No caso do diesel, o reajuste não acontece há mais de um ano. Isso elevou a defasagem nos preços praticados no mercado interno frente ao mercado externo. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) a gasolina e o diesel estão sendo comercializados pela Petrobras, respectivamente, a 22% e 13% abaixo do preço praticado no mercado internacional. É fato que, em algum momento, a empresa poderá reajustar seus preços e isso afetará ainda mais os custos ao consumidor. Esse reajuste é importante e provável não apenas para reduzir os prejuízos da Petrobras na operação, mas também para garantir o abastecimento no mercado interno que também é proveniente da iniciativa privada. Já que ainda importamos 20% do combustível que consumimos, qualquer precificação artificial prolongada pode inviabilizar as importações, reduzindo a oferta e provocando, inclusive, futura alta nos preços por conta da escassez. Seja por conta do ICMS, do dólar ou da defasagem de preços, o combustível deve seguir sendo pressionado para cima e, com ele, a inflação geral. Solução? Contas públicas equilibradas reduzem a necessidade de aumento de impostos (como o ICMS), reduzem a fuga de capital do Brasil (mitigando a desvalorização do real) e trazem a inflação para a meta. Com inflação na meta, a pressão sobre eventuais intervenções nos preços dos combustíveis diminui, o que estimula o refino de petróleo pela iniciativa privada, aumentando a oferta e reduzindo o preço. A solução é relativamente conhecida. O que parece estar faltando é uma ampla discussão sobre um tema fundamental: orçamento público. Enquanto os gastos públicos continuarem superando as receitas, seguiremos acompanhando os preços para cima. Até onde?
Marcel LimaSobre o autor: Marcel Lima é sócio e assessor de investimentos da VALOR

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