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O fim do ovo de Páscoa? Enquanto ovos encalham nas prateleiras, fatias de bolo viralizam e esgotam
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Ovo de páscoa
Ovo de Páscoa. Foto: Reprodução

Tem algo diferente acontecendo nessa Páscoa. E quem está no comércio já percebeu.

As gôndolas estão cheias. Os ovos de chocolate estão lá, empilhados, esperando. Mas os consumidores passam, olham o preço e seguem em frente. Sem culpa. Sem saudade.

Na Grande Vitória, o preço do chocolate subiu mais de 10% entre fevereiro de 2025 e 2026, segundo Guilherme Dietze, economista da FecomercioSP, acumulando sobre altas que já vinham pesando no bolso desde o ano anterior.

Um ovo de 350g chegando a R$ 120 não é mais surpresa. É motivo de desistência.

Só que o consumidor não desistiu da Páscoa. Ele encontrou outra saída.

A Febre das Fatias

Enquanto o mercado tradicional patinava, as redes sociais já estavam criando o próximo fenômeno. Vídeos com cortes generosos, recheios que não acabam e um preço que faz sentido explodiram nas timelines. As “fatias de bolo” ou “bolo de feira” viraram febre nacional, e rápido.

Não é só visual. É a lógica perfeita para o momento: quase 400g de bolo recheado por R$ 20 a R$ 35, contra um ovo de 350g que pode custar até R$ 120. Quem faz essa conta não volta atrás.

Dentro da confeitaria, a virada já aconteceu

A confeiteira Silvia Melo, de Jardim da Penha -Vitória, não precisou esperar os dados chegarem. Ela está vivendo isso na prática. Nesta semana pré-Páscoa, os pedidos de ovo estão quietos. As fatias do seu Bolo Pudim, por outro lado, esgota todo santo dia.

São cerca de 33 quilos de fatias vendidos por semana, já ocupando a segunda posição entre os produtos mais vendidos da confeitaria. Um número que ela mesma não esperava ver tão cedo.

E o que Silvia vive no balcão, ela também escuta de suas mais de 18 mil alunas espalhadas pelo Brasil.

Liliane, de Baixo Guandu (ES), conta uma história que virou rotina: “Tenho cliente que compra seis fatias de uma só vez, cliente que comprou o bolo inteiro. Já deu fila na frente da loja de clientes esperando para comprar. Esgota tão rápido que até hoje eu não consegui colocar no meu delivery.”

Produção que acaba antes da loja abrir. Fila na calçada. Delivery impossível de implementar porque não sobra produto. Isso não é tendência, isso é demanda real.

O consumidor não quer menos. Ele quer mais, pelo preço certo.

Esse movimento conta uma história maior do que a Páscoa. O consumidor brasileiro não parou de consumir. Ele ficou mais exigente. Ele quer fartura, quer prazer, quer experiência. Só não quer mais pagar caro por pouco.

As fatias entregam tudo isso. E os pequenos produtores que perceberam isso antes das grandes marcas estão colhendo os resultados agora. Ainda é cedo para saber se as fatias vão roubar o trono do ovo de vez. Mas nesta Páscoa, o recado já foi dado em alto e bom som: quem não se adapta ao que o consumidor quer, não vende. Simples assim.


*Camila Lamburghini trabalha a 20 anos com Marketing, é fundadora da Agência Kingdom Criativo, uma agência de Marketing 360º, nos últimos 6 anos especializada em Marketing Digital e comportamento do consumidor, com foco em Confeitarias. Palestrou em feiras com a Fipan, sou Hotmart Black, e está sempre em busca de novidades sobre as mudanças do mercado digital e empreendedorismo.

 

 

 


 

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Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Sim Notícias.

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