Recente levantamento do Radar Agritech, desenvolvido pela SPVentures e Embrapa, registrou 845 agritechs em São Paulo e 30 no Espírito Santo. Talvez o número do ES seja um pouco maior, mas mesmo assim a diferença é muito grande e natural pelo tamanho do PIB desses estados. Mas os números de outros estados também não chegam nem perto de SP.
Quando debatemos sobre ecossistemas de inovação, os modelos que gostamos de pensar em emular são aqueles que têm um porte mais próximo do nosso, como Florianópolis e Recife. Porém, é importante ter em mente que nenhum desses chega perto do ecossistema paulista, ou dos ecossistemas paulistas, já que são vários, que muitas vezes nem se relacionam de forma organizada, se espalhando por capital e interior em grande quantidade de hubs e parques tecnológicos. Não é motivo para depreciação, mas é estratégico pensar em se relacionar mais profundamente com São Paulo.
Muitas vezes, o planejamento que elaboramos contempla a internacionalização de startups, um passo importante sem dúvida para o crescimento do ecossistema, mas não dá a devida importância ao imenso mercado paulista. São Paulo responde por 36% da produção industrial brasileira e abriga sedes de multinacionais e líderes nacionais.
Lá estão a maioria das grandes empresas, potenciais compradoras, com destaque nos setores industriais (automotivo, alimentos e bebidas, químico/petroquímico e aeroespacial), de serviços (financeiro, varejo, tecnologia e logística) e no agronegócio (processamento de alimentos, insumos agrícolas e bioenergia). Lá estão grandes hubs como Cubo do Itaú e Inovabra, do Bradesco e Distrito, as melhores universidades como USP e Unicamp, formadoras de pessoal e ímãs de atração e geração de startups e centros tecnológicos como o IPT que, aliás, sedia agora um grande centro do Google.
O Senai/SP tem uma atuação muito forte e acaba de inaugurar um enorme centro de tecnologia em São Bernardo do Campo. O Centro Paula Souza abriga 6 faculdades de tecnologia e 229 escolas técnicas. A maioria dos fundos venture capital têm sede ali, assim como a maioria dos CVCs-corporate venture capital, foram ali criados por grandes empresas. Em SP acontecem os maiores eventos profissionais de todos os assuntos, atraindo empresas de todo o país e do exterior.
Startups que desenvolvem produtos para empresas em geral, interessadas em acesso aos mercados, se quiserem, têm eventos todos os dias para participar, vender seus produtos e fazer network. No agronegócio há parques tecnológicos em Piracicaba, Campinas, Ribeirão Preto, São José dos Campos e São Carlos. Em saúde, há inúmeros grandes e ótimos hospitais como Einstein e Sírio-Libanês, altamente demandantes de tecnologia, alguns deles com suas próprias incubadoras e hubs.
Muitas empresas de todo o país, certamente fazem incursões comerciais em São Paulo, criando suas filiais ou representação comercial e participando de feiras e eventos. Mas para startups e para o ecossistema capixaba em geral é importante criar um vínculo permanente de troca de experiências e conhecimento. O mercado paulista não sabe o que acontece por aqui porque eles se bastam, a princípio.
A estratégia necessária é estar lá dentro, com startups sediadas no Cubo, Inovabra, hubs e parques, que mantém conexões com grandes empresas, trazer expoentes da tecnologia para palestrar e fazer parcerias no ES. Isso é mais importante, produtivo e mais barato em um primeiro momento, do que ir para o exterior. Internacionalizar é um passo mais ousado e mais trabalhoso.




