Um empresário mineiro, mas com forte atuação no Espírito Santo há mais de 20 anos, assumiu a presidência do conselho da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav). Marcos Rodrigues Chaves comandará durante o biênio 2026-2027 a importante associação que reúne 3.800 empresas do agro de todas as regiões do Brasil. A Andav reúne distribuidoras responsáveis por levar insumos, tecnologia e assistência técnica direto aos produtores rurais espalhados por todo o país, e emprega aproximadamente 70 mil pessoas no setor de distribuição.
Para se ter uma ideia da importância do setor para o país, tudo que chega de insumos para o produtor rural no país, 48% chega por meio das empresas distribuidoras. Outros 30% são vendidos diretamente por multinacionais para grandes produtores, principalmente aos produtores de grãos, e 22% chega aos produtores via cooperativas. Das nove mil empresas de distribuição registradas no Brasil, 3.800 estão filiadas a Andav. “Daí você consegue ver a importância de uma instituição como a Andav. A gente trabalha para melhorar a condição de trabalho das distribuidoras e atuamos fortemente em questões como a reforma tributária, por exemplo”, explicou Marcos Chaves.
Na cerimonia de posse da nova diretoria, que ocorreu em São Paulo, a senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento entre 2019 e 2022, destacou o papel da Andav dizendo que “sem uma distribuição organizada, não teríamos a segurança alimentar que o agronegócio garante ao Brasil e ao mundo”.
Marcos nasceu em Manhumirim, região da Zona da Mata mineira e, além de empresário, é engenheiro agrônomo e especialista em Gestão Empresarial. Depois de se formar na Universidade Federal de Viçosa, Marcos se mudou para Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como representante comercial de grandes marcas e passou a viver de perto a rotina dos produtores de cana de açúcar da região. Ao perceber as oportunidades na área, em 1997, Marcos fundou, na garagem de casa, sua empresa, a Apoio Distribuidora Agrícola. O crescimento da companhia o trouxe para o Espírito Santo em 2000.
Aqui no Estado, em Marataízes, Marcos criou o primeiro posto particular de recebimento de embalagens vazias de agrotóxicos do país. Em 2006, o empresário se mudou de vez para Vila Velha e passou a comandar daqui toda a operação da sua empresa e filiais.
Marcos sempre trabalhou com a ideia de mostrar que os defensivos agrícolas são fundamentais para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro e que esses produtos podem ser usados de forma a causar o menor dano possível ao meio ambiente. Com as práticas desenvolvidas em sua empresa, eles conquistaram o primeiro lugar nacional no Prêmio Defesa Vegetal (Andev), reconhecido como o “Oscar da Agricultura”, que premia projetos de sustentabilidade, educação, inovação e boas práticas agrícolas.
Marcos pontuou que os principais objetivos e desafios de sua gestão serão aumentar a representatividade dos associados, melhorar o acesso ao mercado e a sustentabilidade dos negócios, focar ainda mais na responsabilidade socioambiental e fortalecer as alianças estratégicas. “Alianças estratégicas envolvem a nossa relação com a indústria, com os órgãos do governo e com a cadeia produtiva”.
A nova diretoria da Andav assumiu pouco antes de começar a guerra no Oriente Médio entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O confronto afeta diretamente o setor de distribuição de insumos, afinal, o Irã é um dos maiores produtores de fertilizantes do planeta e vende seus produtos para o agro brasileiro.
“Sobre a guerra são dois pontos: os fertilizantes e o diesel. Tudo isso afeta o custo de produção. O Irã é um dos maiores produtores e exportadores de fertilizantes hidrogenados, principalmente a uréia. O Irã exporta cerca de 4.8 milhões de toneladas de ureia por ano. Por isso, o país desempenha um papel crucial no abastecimento global de insumos agrícolas. O Brasil é um grande importador de fertilizantes e somos afetados diretamente pela instabilidade no Irã, que influencia os preços internacionais. O diesel subiu mais de 20% desde o início do conflito. Isso atinge o funcionamento das máquinas agrícolas, aumentam os preços da logística e dos transportes das commodities. Estamos chegando no momento crítico da colheita da soja, e esse conflito está impactando todos os setores da cadeia. Estamos acompanhando tudo e estudando as melhores formas de enfrentar esse momento tão delicado no planeta”, destacou Marcos.





