
“Então, se Arnaldinho se movimentar em direção a aliados, mesmo não tendo um script combinado, está dentro de um comportamento normal. Nós temos hoje aliados e adversários. Todos sabem quem são os nossos aliados e quem são os nossos adversários. Então, se o movimento for dentro de um ambiente de aliados, é um comportamento normal.”Em outras palavras, se Arnaldinho começar a ciscar para fora do grupo de Casagrande e flertar com adversários políticos, o governador já não enxergará nisso a menor “naturalidade”. Verá tal comportamento como um problema ou talvez, até mais, como uma afronta. A resposta do governador é um recado translúcido ao seu maior aliado entre os prefeitos do Espírito Santo, ao lado de Euclério Sampaio.
E quem são os adversários?
Como Casagrande disse, “todos sabem” quem são os adversários dele mesmo e de seu governo no Espírito Santo. Para o leitor ou leitora que eventualmente não saiba ou não se lembre, eles estão divididos em três “potes”. O primeiro é o que contém Lorenzo Pazolini e o grupo político concentrado ao redor do prefeito de Vitória, potencial candidato a governador do Espírito Santo. Esse grupo, hoje, tem sua cabeça no partido Republicanos, mas também há partes vindas do PP e do PL. O segundo é pote do Partido Liberal (PL), que faz oposição a Casagrande na trincheira da extrema-direita bolsonarista. O terceiro é o ex-governador Paulo Hartung, que está prestes a se filiar ao PSD, na próxima segunda-feira (26). > Pazolini nomeia ex-deputado e líder evangélico em cargo na Prefeitura de Vitória Eventualmente, para as próximas eleições estaduais, pode haver interseções entre eles. Por exemplo, em tese, Hartung poderia apoiar Pazolini, que poderia se juntar ao PL… Recentemente, Arnaldinho tem feito alguns flertes públicos com agentes políticos que estão entre esses adversários “que todos sabem quem são”. No dia 15 de abril, encontrou-se com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, principal operador político e eleitoral de Pazolini. O prefeito de Vila Velha fez questão de publicar a foto dos dois juntos e sorridentes. Na legenda ainda tascou: “Conversamos sobre os desafios das grandes cidades e o futuro do Espírito Santo”. Questionado sobre esse encontro, Casagrande foi categórico:“Ter encontro é normal da política. Ter compromisso é diferente. Ter encontro é normal. Ter compromisso e uma articulação real com quem não é aliado, isso não é adequado. E não acredito que ele esteja fazendo isso.”Em outras palavras, flertar pode; namorar, não.