Empresas devem incluir saúde mental na gestão de riscos
Escrito por Rodrigo Gonçalves

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Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo A partir de 25 de maio, todas as empresas do Brasil precisarão adotar medidas voltadas à saúde mental no ambiente de trabalho. A obrigatoriedade faz parte da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que passa a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O tema foi debatido no seminário Preservar na Indústria 2025, realizado pelo Sindicato das Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico do Espírito Santo (Sindifer), na última quinta-feira (17). Especialistas discutiram os impactos da nova norma na rotina das empresas e os desafios para sua implementação.

Nova regra exige mudança de cultura nas empresas

Para o presidente do Sindifer, Leonardo Cereza, o cumprimento da norma vai além da legalidade. “Mais do que uma obrigação legal, a segurança é uma responsabilidade social e um diferencial competitivo. Investir em prevenção é investir em pessoas”, afirma. A mudança chega em um cenário de alerta: em 2024, o Brasil registrou mais de 470 mil afastamentos por motivos relacionados à saúde mental, segundo dados do Ministério da Previdência Social. Durante o evento, temas como higiene ocupacional, segurança psicológica, produtividade e prevenção de acidentes foram tratados por profissionais da indústria e especialistas em saúde no trabalho.

Empresas precisam de planejamento e apoio técnico

A consultora do Sindifer, Heloísa Guimarães, especialista em Fatores Humanos e Organizacionais, destaca que o primeiro passo é avaliar o contexto da empresa. “Como não há um método único definido, o desafio está em capacitar lideranças para entender a importância da adequação e como ela afeta a estratégia do negócio e a qualidade de vida do trabalhador”, afirma. Heloísa recomenda que as empresas criem um plano de gestão claro, com responsabilidades bem definidas e comunicação direta com os trabalhadores. O envolvimento de profissionais de diferentes áreas também é essencial. “Um trabalho interdisciplinar entre saúde, engenharia, RH e serviço social pode fortalecer o planejamento estratégico”, completa.

Omissão pode gerar responsabilização jurídica

A não adoção das medidas previstas na NR-01 pode ter consequências legais. Segundo o advogado Odair Nossa Sant’Ana, especialista em Relações Trabalhistas e Sindicais, empresas que descumprirem a norma podem ser autuadas e responsabilizadas. “O mais grave é o risco de agravamento de situações de sofrimento psíquico que poderiam ser prevenidas com uma cultura sólida de proteção à saúde mental”, alerta. Além das palestras, o seminário também ofereceu um curso sobre Avaliação de Agentes Químicos, voltado a profissionais da indústria que atuam diretamente com riscos ocupacionais. Para os organizadores, o evento reforçou a ideia de que ambientes de trabalho saudáveis exigem mais do que proteção física — é preciso reconhecer os riscos invisíveis e agir de forma preventiva e integrada. LEIA MAIS:

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