Na categoria “jovens líderes políticos”, dois prefeitos da Grande Vitória saíram muito fortalecidos das eleições municipais do ano passado: o de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e o de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (agora sem partido).
Bem avaliado em pesquisas no ano eleitoral, o delegado licenciado prevaleceu, no 1º turno, sobre dois candidatos apoiados pelo governador Renato Casagrande (PSB), num pleito em que, de fato, houve disputa. Já Arnaldinho, em Vila Velha, estava ainda melhor avaliado, segundo os mesmos institutos, sobrou no processo eleitoral e atingiu a marca impressionante de quase 80% dos votos válidos, numa cidade conhecida até então como “cemitério de prefeitos”. Foi, no Espírito Santo, o recordista de votos, em números absolutos.
Desde o dia 6 de outubro, quando as urnas foram abertas, já se sabia: os dois saíram do pleito municipal automaticamente guindados à condição de potenciais aspirantes muito fortes ao lugar de Renato Casagrande (PSB) na cadeira de governador na eleição seguinte, em 2026. Não somente pela ótima performance eleitoral nos respectivos redutos, mas pelo fator “juventude” e “renovação política”, num pleito que – se Paulo Hartung não se animar – sabemos de antemão que marcará o fim de um ciclo de 24 anos com os mesmos dois governadores, hoje sessentões, revezando-se no poder.
Se a busca por renovação for um fator realmente preponderante na próxima eleição estadual, se o eleitorado capixaba de fato priorizar esse critério após um quarto de século assistindo (e endossando) a alternância de Hartung com Casagrande, tanto Pazolini como Arnaldinho se credenciam como opções potencialmente muito competitivas.
Mas há uma diferença fundamental.
Enquanto Pazolini é tomado, hoje, como opositor e principal “ameaça” ao projeto de continuidade do grupo de Casagrande no poder, Arnaldinho é um dos maiores e mais estratégicos aliados do governador no tabuleiro geopolítico do Espírito Santo – seguramente, está no top 3. Pazolini, se for mesmo candidato, o será em oposição ao grupo de Casagrande. Arnaldinho, se o for, será pelo grupo de Casagrande, representando a situação e tendo no próprio governador seu principal cabo eleitoral.
Se isso se concretizar, teremos uma disputa assaz interessante, não só pela proximidade etária, como, por assim dizer, geográfica. Separados por um ano de idade, Arnaldinho (41) e Pazolini (42) são hoje, no Espírito Santo, expoentes de uma mesma geração de jovens políticos ascendentes situados do centro para a direita. Geograficamente, bem, seria um confronto direto – inédito, aliás, desde a redemocratização do país –, entre o prefeito de Vitória e o de Vila Velha pela “promoção” a governador do Estado.
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Malgrado as diferenças de estilo e, sobretudo, de posição no jogo, Pazolini e Arnaldinho também guardam algumas semelhanças quando se trata de hábitos e das estratégias usadas para inflarem a própria popularidade no campo que, possivelmente, mais importa hoje em dia para quem quer se manter em evidência: as redes sociais.
Com presença intensa (para não dizer asfixiante) no Instagram, os dois ostentam números altos, e bastante parecidos, em matéria de engajamento e interações. Transformam tudo em post. Acumulam likes e comentários – incluindo muita gente dos respectivos fã-clubes orgânicos a chamá-los afetuosamente de “meu prefeito” e já a celebrá-los, profeticamente, como “meu governador”, ou “futuro governador”.