
Ainda na “conexão evangélica”, toda quarta-feira, às 6 horas da manhã, o prefeito abre seu gabinete na sede da Prefeitura de Cariacica para a celebração de cultos evangélicos com pastores – na visão deste colunista, de maneira indevida, por ignorar a necessária separação republicana entre Estado e Igreja, governo e religião, mas não vou aqui entrar neste mérito. A questão é: ele tem forte capilaridade no meio evangélico. E aposta nesse ativo.
Em paralelo, policial civil aposentado, Euclério abriu o diálogo com associações de representação de classe dos policiais militares e bombeiros no Espírito Santo. Quatro delas (as de menor patente) se agrupam no movimento intitulado Projeto Político Militar (PPM), o qual, nos últimos pleitos, tem lançado ou apoiado candidatos aos principais cargos eletivos em disputa, visando ampliar a inserção de suas pautas no debate público e de seus representantes nos espaços de poder. Euclério também busca o apoio de tais entidades. No último dia 14, reuniu-se com seus líderes no Estado.
Ao mesmo tempo, o prefeito tem ampliado sensivelmente seu leque de relações políticas. Só neste mês de março, reuniu-se com o vereador de centro-esquerda Pedro Trés (PSB) – de Cariacica? Não, de Vitória –; com o deputado estadual bolsonarista Capitão Assumção (PL), ex-colega dele na Assembleia e opositor de Casagrande; com o prefeito de Marilândia, Gutim (PSB); com o ex-prefeito de Ibatiba Luciano Pingo e com o atual prefeito de Nova Venécia, Lubiana Barrigueira (PSB), respectivamente atual e futuro presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes); com o ex-prefeito de Anchieta Fabrício Petri (PSB); com o ex-prefeito de Domingos Martins Wanzete Krüger; com o ex-prefeito de Laranja da Terra Josafá Storch; com o ex-presidente da Câmara de Vila Velha Bruno Lorenzutti (Podemos); com a secretária estadual de Assistência Social, Cyntia Grillo, entre outros.
Nenhum deles tem reduto político em Cariacica.
Além disso, Euclério aposta na excelente relação cultivada por ele com parlamentares influentes do Espírito Santo, na Assembleia Legislativa ou na bancada capixaba em Brasília.
Na Assembleia, o presidente da Casa é ninguém menos que um dos mais antigos e maiores parceiros políticos de Euclério: o cariaciquense Marcelo Santos, seu apoiador nas últimas duas eleições para a prefeitura e avalista de sua possível migração para o União, para presidir a sigla no Estado. Outro soldado dele é seu sobrinho e ex-assessor parlamentar Deninho Silva (União), com reduto na Grande Goiabeiras.
Na Câmara dos Deputados, Euclério é muito próximo de, pelo menos, três congressistas capixabas. Ex-prefeito da vizinha Viana, Gilson Daniel, presidente estadual do Podemos, é um aliado e fez campanha para ele na última eleição municipal.
Messias Donato (Republicanos) é uma criação política de Euclério. Foi eleito deputado federal em 2022 inteiramente graças ao apoio do prefeito e aos votos dados a ele pelos apoiadores de Euclério em Cariacica. É um eterno devedor de Euclério.
Por fim, Da Vitória, presidente estadual do PP – e da federação do PP com o União, se esta sair do papel –, é, assim como Marcelo Santos, um parceiro histórico de Euclério.
Foi Da Vitória, aliás, quem explicitou que Euclério tem “muita vontade” de disputar a eleição para governador, em entrevista à coluna publicada aqui na última sexta-feira (21). Ao escancarar as portas para Euclério realmente se filiar ao União, Da Vitória garantiu que, caso se concretize a “superfederação” com o PP, o prefeito terá “todas as facilidades” para ser candidato a governador por ela.
Se essa federação de fato se concretizar, o fundado receio de Euclério é com a perda de autonomia do União. O presidente da federação no Estado será Da Vitória, que terá a última palavra sobre candidaturas e alianças majoritárias no Espírito Santo. Nesse caso, mesmo indo para o União e assumindo a presidência estadual da sigla, Euclério não terá o apito final sobre a própria eventual candidatura.
Da Vitória tratou de lhe cortar o receio e só faltou lhe estender um tapete vermelho:
“O Euclério tem muita vontade de disputar uma eleição majoritária ao governo. Hoje ele é uma das lideranças com mandato mais importantes do Espírito Santo. Para ser candidato [a governador], ele terá que cumprir a legislação eleitoral e renunciar ao cargo de prefeito em abril do ano que vem. Se ele realmente decidir disputar essa eleição, a gente tem todas as facilidades para que ele possa mesmo ser candidato pela federação”.
Com Deninho e Messias Donato, Euclério também já tem até “invadido” outros municípios, fazendo agendas em Vitória e pelo interior.
No dia 6 de março, ele foi com Messias a Domingos Martins para uma reunião com o prefeito Edu do Restaurante (PL) e com vereadores da cidade, na Câmara Municipal. No dia seguinte, participou de uma grande reunião organizada por Deninho na Grande Goiabeiras, com vereadores e líderes comunitários de Vitória.