
A fome com a vontade de comer
A opção de Casagrande, por surpreendente que tenha soado, é um caso típico de encontro da fome com a vontade de comer. Como é sabido e admitido por ele próprio, o deputado estadual pretende se candidatar a federal em 2026, e é uma das principais apostas do PSB para isso. Com perfil político, mas agregando bagagem técnica, Tyago é uma espécie de híbrido. Sim, para se projetar rumo à sempre dificílima eleição para deputado federal, Tyago já deveria mesmo voltar a ocupar um lugar no secretariado, em uma secretaria fim, com entregas. Isso estava mesmo nos planos do Palácio e do PSB. Mas acreditava-se numa pasta como a da Agricultura (com muitas entregas pelo interior do Estado), não a da Saúde, que, sim, tem entregas, mas também uma gama de abacaxis diários ainda maior para descascar. Era preciso, assim, projetar Tyago, mas era preciso, antes de tudo, substituir Miguel Duarte Neto, para tirar a Sesa do esconderijo. A escolha obedeceu, então, a essas duas motivações. Por que Tyago de volta ao governo? Para ajudar a elegê-lo federal. Por que Tyago de volta ao governo, à frente logo da Sesa? Para resolver urgentemente o problema diagnosticado de “apagamento” da Saúde. Tyago então foi escalado, acima de tudo, para “politizar” (no bom sentido) as ações da Sesa, maximizando sua visibilidade: se, no cumprimento da missão, conseguir ampliar a própria visibilidade, tanto melhor para eles. Uma coisa é consequência da outra. Casagrande quer matar duas bolas com a mesma tacada. A mudança, aliás, já começou: Na última segunda-feira (13), por exemplo, Tyago publicou um vídeo ao lado dos seus subsecretários e da epidemiologista Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, “para discutir estratégias no enfrentamento ao aumento das arboviroses, doenças transmitidas por mosquitos”. Na quarta-feira (15), o novo secretário de Saúde e Casagrande publicaram um vídeo, em frente ao Palácio Anchieta, anunciando 20 mil teleconsultas em 11 especialidades médicas.