Moradores do bairro Porto de Santana, em Cariacica, estão reclamando do aumento da presença de pó preto na região e dizem que o problema tem afetado a saúde das famílias e a rotina dentro de casa. Segundo relatos, o material escuro se acumula em móveis, utensílios, roupas e até no corpo das pessoas, obrigando muitos moradores a manter portas e janelas fechadas durante todo o dia.
As queixas envolvem, principalmente, problemas respiratórios, sobretudo em crianças. Moradores afirmam que há registros de atendimentos médicos e internações, além de laudos que indicariam o agravamento de doenças relacionadas à inalação do material.
Um morador do bairro, em conversa com a TV SIM SBT, disse que a presença do resíduo impede atividades simples do dia a dia. As crianças, segundo ele, não conseguem brincar nas varandas e as casas permanecem com portas e janelas fechadas para evitar a entrada do pó.
Imagens feitas pelos próprios moradores mostram resíduos escuros acumulados em mãos, pés, móveis e utensílios domésticos. Eles associam o material ao pó de coque, resíduo do beneficiamento de minério de uma empresa da região, e apontam risco ambiental e à saúde.

Os moradores dizem que já buscaram a Prefeitura de Cariacica, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Ministério Público. Uma representante do grupo afirmou que a prefeitura mantém o alvará de funcionamento da empresa e que as fiscalizações não resultaram em medidas eficazes. O grupo afirma aguardar providências do Ministério Público.
Embora reconheçam que não há um laudo técnico conclusivo sobre a origem do pó, os moradores associam o problema à rotina da empresa e à circulação diária de carretas na região. Uma moradora afirmou que as evidências estão visíveis nas imagens registradas pela comunidade e classificou a situação como descaso.
O que diz a Base Ambiental
Em nota, a Base Ambiental afirmou que o protesto dos moradores é liderado por um vereador e apoiado por um grupo reduzido de pessoas, com o objetivo de inviabilizar o funcionamento da empresa. A empresa diz que as manifestações não têm embasamento técnico.
A Base Ambiental declarou que opera dentro da legalidade e que possui todas as licenças ambientais exigidas pelos órgãos competentes, incluindo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e o Instituto Estadual de Meio Ambiente. Segundo a empresa, se as acusações fossem procedentes, isso colocaria em xeque o trabalho técnico desses órgãos.
O que diz a Prefeitura de Cariacica
A Prefeitura de Cariacica informou, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade e Meio Ambiente, que acompanha a situação de forma contínua e que a empresa já havia sido notificada anteriormente.
Na segunda-feira (5), uma equipe técnica realizou vistoria no local para verificar a implantação de controles ambientais exigidos. Segundo a prefeitura, foram constatadas medidas como instalação de barreiras de vento nos pátios de armazenamento, enlonamento de materiais, redução da altura das pilhas, aplicação de polímero supressor de poeira, intensificação da umectação e limpeza das vias internas.
A prefeitura informou ainda que há limpeza da via pública no entorno da empresa com vassoura mecanizada e limpeza das rodas dos caminhões antes da saída, para evitar o espalhamento de resíduos. De acordo com a secretaria, mesmo com a adoção dos controles, a empresa e a região seguirão sendo monitoradas regularmente.
O município reforçou que todas as medidas cabíveis de fiscalização foram adotadas e que a empresa atendeu às exigências para controle do pó preto. A prefeitura também afirmou que há pessoas manipulando a comunidade por interesses pessoais, mas destacou que seguirá atuando para garantir a segurança da população e o funcionamento sustentável das atividades.


