Segurança

Investigação aponta que suspeito de matar enfermeira fingia ser policial e controlava celular da vítima

A Polícia do Espírito Santo divulgou detalhes sobre o caso da enfermeira Íris Rocha de Souza, de 30 anos de idade, que foi assassinada na semana passada em Alfredo Chaves. Nesta quinta-feira (18), o ex-namorado da vítima, Cleilton Santana dos Santos, apontado como principal suspeito do crime, foi preso na BR-101 em Viana.

Segundo as investigações, a vítima, que estava grávida de 8 meses, vinha sofrendo agressões físicas e só usava roupas de manga comprida, para que ninguém soubesse dos hematomas. Para a família de Íris, a jovem e o suspeito não eram mais um casal, mas segundo a polícia, os dois ainda mantinham contato.

A delegada titular da DP de Alfredo Chaves, Maria da Glória, disse que a vítima era controlada e vigiada 24 horas por dia pelo suspeito.

“Ele controlava toda a vida dela, chegando a passar horas durante o dia do lado de fora do local de trabalho dela, na Ufes. O telefone dela ficava com ele, ele que respondia as mensagens que ela recebia”, contou.

Pelo relato de amigos da vítima, que conversaram informalmente com a delegada, Íris estava envolvida em um relacionamento extremamente abusivo com o suspeito. Segundo as informações divulgadas, o Cleilton controlava tudo o que se passava com a moça, monitorava mensagens e controlava até as roupas que ela usava.

Suspeito fingia ser policial

De acordo com as investigações, o suspeito dizia que era policial, mas ele nunca pertenceu a corporação. Relatos de moradores do bairro em que Cleilton morava dão conta de que ele chegou a fazer rondas na região, alegando ser da polícia, porém o secretário de segurança pública do estado garantiu que o suspeito nunca fez parte do quadro da Polícia Militar capixaba.

Sobre o crime

Íris Rocha, enfermeira grávida assassinada em Alfredo Chaves

As investigações apontaram que na quarta-feira da semana passada o suspeito buscou a vítima na Ufes e, depois disso, ninguém mais teve contato com ela. O corpo da vítima foi encontrado no dia seguinte, em Alfredo Chaves. A enfermeira foi encontrada morta com marcas de tiros e coberto com cal – material muito usado em construções.

Depois que foi localizado, o corpo da vítima foi encaminhado sem identificação para o Serviço Médico Legal de Cachoeiro de Itapemirim. E apenas lá houve um contato para a família reconhecer a mulher.

No bolso da roupa da vítima havia um cartão bancário com o nome dela incompleto. Depois de um trabalho de investigação para saber quem ela era, a polícia chegou até a família de Íris, que reconheceu o corpo da enfermeira no Serviço Médico Legal de Cachoeiro.

Buscas foram feitas na casa do suspeito

De acordo com a delegada Maria da Glória, na última quarta-feira (17), a polícia esteve na casa do suspeito no Bairro de Lourdes, em Vitória, com um mandado judicial, porém Cleiton não foi localizado. Na ocasião, o carro do suspeito, que provavelmente foi usado no crime, foi apreendido, além de emblemas da polícia que Cleiton usava para se passar por policial militar.

Na manhã desta quinta-feira (18), o suspeito que já estava sendo vigiado, foi visto no Centro de Vitória. Ele foi alcançado na BR-101, em Viana, durante a tarde e foi preso com a ajuda da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo a delegada Maria da Glória, em breve conversa com o suspeito ele disse não ter participação no crime. O interrogatório formal ainda será realizado pela polícia. “Ele apenas nega os fatos. Diz que não têm motivações e diz acreditar que a filha [que a vítima estava esperando] era dele”, pontuou.

Cleilton Santana dos Santos deve responder por homicídio qualificado como feminicídio, aborto e ocultação de cadáver.