Segurança
Operação da PF investiga agentes da Sejus suspeitos de coagir detentos durante eleições
Escrito por Mariana Cicilioti em 05 de janeiro de 2023
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) uma operação para investigar irregularidades na atuação de servidores do Centro de Detenção Provisória da Serra que teriam, na época das eleições do ano passado, coagido internos para que votassem em determinados candidatos.
Estão sendo cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Eleitoral da Serra.
Também foi determinado pelo Poder Judiciário que os investigados não mantenham contato entre si, com os detentos que confirmaram as denúncias iniciais e com os mesários que atuaram durante o pleito eleitoral. O objetivo das ações de hoje, segundo a PF, além do cumprimento das ordens judiciais, é obter outros elementos de prova para a conclusão da investigação.
O caso
As investigações se iniciaram após denúncias de que servidores da SEJUS, durante os dias de votação, ao levarem os detentos até a seção eleitoral, induziram e/ou pressionaram os detentos de unidades prisionais a votarem em candidatos de sua preferência. “A situação se mostra extremamente grave, pois o fato é que o interno está em situação de vulnerabilidade diante do sistema prisional, uma vez que sua vida está sob a proteção e controle do Estado, no caso, dos servidores”, informa a PF.
Os investigados responderão pela prática de coação eleitoral (art. 301 do Código Eleitoral) com pena que pode chegar quatro anos de prisão.
Sejus
A Secretaria da Justiça (Sejus) esclareceu por nota que, desde a época dos fatos, vem colaborando com as investigações da Polícia Judiciária da União. De acordo com a pasta, será instaurado procedimento administrativo disciplinar no âmbito da corregedoria do órgão após o recebimento das informações que serão encaminhadas pela Polícia Federal. “A Sejus esclarece que não compactua com irregularidades e está ao inteiro dispor para auxiliar as forças policiais no cumprimento de suas missões institucionais”, finaliza a nota.