Dia a Dia

Polícia investiga morte de bebê após atendimento médico no ES

Família afirma que bebê apresentou piora após receber medicação. Polícia Civil investiga o caso.

Captura de tela 2026-03-05 163332
Foto: Arquivo pessoal

A família do pequeno Apolo busca explicações após o bebê, de apenas 24 dias, morrer nesta quarta-feira (4), depois de dar entrada no Hospital Infantil de Vitória. Os familiares afirmam que houve negligência no atendimento médico e registraram o caso na polícia. A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte.

Segundo Eliane Fonseca de Salles, mãe do bebê, Apolo apresentou intercorrências logo após o nascimento.

“Ele nasceu no Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves e ficou com o coração parado, e foi transferido para a UTIN. Em seguida, ele foi para um hospital particular e ficou aguardando o resultado da hemocultura para saber se ele tinha pego a mesma bactéria que a minha. Quando o resultado saiu, deu negativo, e aí ele foi liberado para poder ir para casa.”

De acordo com a família, o bebê ficou 15 dias em casa mamando normalmente, sem apresentar alterações.

Dias depois, Apolo apresentou febre e foi levado para atendimento em um hospital particular. Na ocasião, segundo os familiares, os médicos informaram que o bebê apresentava um quadro viral. Como o plano de saúde não tinha carência para a cobertura naquele momento, a criança foi transferida para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada ao Hospital Infantil de Vitória.

No hospital infantil, o bebê realizou novos exames e recebeu medicação intravenosa. No entanto, segundo a mãe, a família não foi informada sobre qual medicamento foi administrado.

Após a aplicação, o bebê teria apresentado mudanças no comportamento. “Ele chorou muito, tava chorando muito mesmo, começou a vomitar bastante. Eu até informei a técnica, porque ele tava deitado e o meu medo era ele broncoaspirar. Vi que ele não estava abrindo os olhinhos mais, não pegou no peito também. Eu até tentei, mas pra mim era porque ele tinha chorado muito e eu entendi que ele tava com sono.”

A mãe afirma ainda que o bebê foi levado para um quarto comum, apesar da informação inicial de que ele seria encaminhado para a UTIN (Unidade de Terapia Intensiva Neonatal).

“Depois eles foram levar para um quarto, que nem era pra ele estar, porque era pra ele estar na UTIn. Eles tinham informado que seria pra UTIn, e aí ele ficou num quarto normal, numa cama de adulto, inclusive.”

Avó percebeu falta de reação do bebê

Como Eliane ainda se recuperava da cirurgia do parto, a avó da criança permaneceu no quarto com o bebê. Segundo a mãe, foi nesse momento que a situação se agravou.

“Minha mãe percebeu que ele não estava ativo mais. Ela foi trocar a fraldinha dele e informou para as técnicas lá do quarto que ele não tava se mexendo.”

A avó relata que procurou a equipe de enfermagem ao perceber que o bebê não reagia.

“Eu fui lá trocar ele, ele tava parado. Aí eu falei assim: ‘Enfermeira, o neném tá parado’. Ela falou: ‘Não, ele tá dormindo’. Eu falei: ‘Não tá dormindo’. Ele não tava se mexendo. Ela colocou um aparelho na mão dele e disse que estava parado mesmo. Aí ela correu lá e chamou os médicos pra levar pra poder reanimar ele. A médica que consultou ele falou assim: ‘Por que vocês não chamaram antes?’.”

Exames não indicavam infecção, diz família

A mãe afirma que os exames iniciais realizados no bebê não apontavam alterações. “Fizeram exames no hospital particular, tinham falado que era um quadro viral. No dia 2 eles repetiram esses exames pra saber se realmente tava mesmo. O resultado saiu ontem e deu negativo. Ele não estava com infecção urinária nem nada.”

Resultado da necrópsia

Segundo a família, a necrópsia apontou sepse, pneumonia e infecção do trato urinário como causas associadas à morte do bebê. No entanto, os familiares questionam os resultados.

“Na necrópsia deu sepse, pneumonia e infecção do trato urinário, mas nos exames ele não estava com infecção urinária. O questionamento é esse: por que deu na necrópsia e nos exames não? Pneumonia ele não estava, porque ele fez dois raios X e o pulmão estava limpo.”

A mãe também afirma que não teve acesso aos resultados dos exames realizados no Hospital Infantil de Vitória, nem informações detalhadas sobre a medicação administrada.

“Esses exames eles não me deram acesso, não me deram eles. Eu também não sei qual medicação foi administrada. Tentei correr atrás de saber, mas falaram que tem que ir em outro local e me pediram 30 dias para me dar isso.”

Caso é investigado pela Polícia Civil

Agora, a família busca respostas para entender o que aconteceu nas últimas horas de vida do bebê.

O caso foi registrado na Polícia Civil. Em nota, a corporação informou que a investigação será conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Por envolver menor de idade, o procedimento tramita sob sigilo, conforme prevê a legislação.

O que diz a Secretaria da Saúde

Em nota, a Secretaria da Saúde (Sesa) lamentou a morte do paciente e informou que a assistência prestada ao recém-nascido atendido no Hospital Estadual Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG) seguiu os protocolos clínicos e assistenciais adotados para casos com suspeita de infecção neonatal.

“De acordo com relatório técnico elaborado pelas equipes assistenciais, o paciente foi admitido na unidade hospitalar na noite do dia 3 de março de 2026, submetido à classificação de risco, avaliação médica completa e teve indicação de internação hospitalar para investigação diagnóstica e início imediato de tratamento”, diz a nota.

Ainda segundo a secretaria, durante a permanência na unidade “o recém-nascido apresentou uma intercorrência grave e inesperada, evoluindo para parada cardiorrespiratória na madrugada do dia 4 de março. A família recebeu acolhimento e esclarecimentos por parte da equipe assistencial. O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito, conforme prevê a legislação.”