Estratégias vazadas
Decisão tomada
Casagrande terá de formalizar a renúncia até o dia 4 de abril. A partir da renúncia, ES terá novo governador: o atual vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), pré-candidato à sucessão

O governador Renato Casagrande (PSB) decidiu que vai renunciar ao cargo para ser candidato a uma das duas vagas em disputa no Senado pelo Espírito Santo, nas eleições deste ano.
A data exata da formalização da renúncia não foi confirmada pela coluna, mas, cumprindo o calendário eleitoral, ele terá de oficializá-la até o dia 4 de abril – seis meses antes do 1º turno, marcado para 4 de outubro.
Casagrande deve fazer o anúncio, incluindo a data exata da renúncia, em entrevista coletiva convocada nesta segunda-feira (2), às 14 horas, no Palácio Anchieta.
A partir da renúncia, o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) assumirá o cargo de governador, em mandato que se encerrará no início de janeiro. Ricardo é o pré-candidato do governo Casagrande ao Palácio Anchieta. Assim, ele já disputará as eleições deste ano como governador de fato e de direito. Se vencer o pleito de outubro, será eleito para um segundo mandato seguido no cargo de governador e não poderá buscar a reeleição em 2030.
Casagrande já havia dito que faria, neste mês de março, o anúncio oficial sobre sua decisão. A renúncia e a candidatura ao Senado já eram largamente esperadas. Além de o próprio governador e todos os seus aliados quererem seu retorno ao Senado – onde já exerceu meio mandato, de 2007 a 2010 –, transferir o governo para Ricardo é parte importante da estratégia do Palácio Anchieta para que o atual vice-governador chegue mais forte, com “tinta na caneta”, nas eleições do segundo semestre.
Agora, o mês de março será praticamente um mês de “transição interna” do governo Renato Casagrande para o governo Ricardo Ferraço.
Na atual era democrática (Nova República), inaugurada em 1985, esta é a segunda vez que um governador renuncia e passa a faixa para o vice, no Espírito Santo, a fim de poder disputar uma cadeira no Senado. Gerson Camata fez o mesmo em maio de 1986, passando o cargo para José Morais. Este, porém, apenas concluiu o mandato e não foi candidato a governador – até porque a lei o impedia: a reeleição para cargos de chefe do Poder Executivo (prefeito, governador e presidente da República) só seria instituída em 1998.