SAÚDE

Mpox no ES: entenda o que é a doença e se há risco de novo surto

Com registros recentes de mpox no Espírito Santo, especialistas explicam como ocorre a transmissão da doença, quais são os sintomas

MPOX
Mpox. Foto: Freepik

A mpox voltou ao noticiário após novos registros da doença em diferentes estados do país. No Espírito Santo, o primeiro caso confirmado em 2026 foi identificado em Colatina, no Noroeste do estado. Além disso, um outro caso na Grande Vitória é investigado como suspeito pela Secretaria de Estado da Saúde. Treze casos notificados já foram descartados.

Dados oficiais mostram que, em 2024, o Brasil contabilizou 2.022 casos de mpox. Em 2025, foram registradas 1.047 notificações. Já em 2026, o Painel Mpox do Ministério da Saúde aponta 46 casos confirmados em todo o país.

Com a circulação do vírus e a proximidade de grandes eventos, como o Carnaval — que atrai turistas e provoca aglomerações — cresce a preocupação sobre a possibilidade de um novo surto da doença no Brasil.


Especialista vê cenário de atenção, mas sem crise sanitária

Em entrevista exclusiva ao SBT News, o virologista e professor da Universidade de São Paulo, Paulo Brandão, afirmou que o momento exige vigilância, mas não indica uma emergência sanitária.

Embora possa haver aumento pontual de casos em períodos de maior interação social, o especialista avalia que a mpox não apresenta, atualmente, características de uma doença com potencial pandêmico.

Ainda assim, autoridades de saúde reforçam a importância do diagnóstico precoce, do isolamento de casos suspeitos e da vacinação dos grupos prioritários.


O que é mpox e como ocorre a transmissão

A mpox é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus, da família Poxviridae. Trata-se de uma doença zoonótica, que pode ser transmitida de animais para humanos, principalmente por meio de roedores silvestres infectados.

Atualmente, porém, a principal forma de transmissão ocorre entre pessoas. Segundo o Ministério da Saúde, o contágio acontece principalmente por:

  • contato direto com lesões na pele
  • contato com fluidos corporais, como pus e sangue das feridas
  • secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado

Também há risco de infecção por objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.

“A mpox não é um vírus de transmissão aérea ampla, como a covid-19. Ela exige contato próximo, direto, geralmente pele a pele. Isso muda bastante a dinâmica de disseminação”, explica o virologista.


Sintomas, diagnóstico e tratamento da mpox

Os sintomas costumam surgir entre três e 16 dias após o contato com o vírus, podendo chegar a até 21 dias. As lesões na pele geralmente aparecem poucos dias depois da febre, mas também podem surgir antes.

Os sinais mais comuns incluem:

  • erupções ou lesões na pele
  • febre
  • ínguas (linfonodos inchados)
  • dor de cabeça
  • dores no corpo
  • calafrios
  • fraqueza

As lesões evoluem de manchas para bolhas com líquido e, posteriormente, formam crostas, que caem conforme a pele cicatriza. A transmissão pode ocorrer desde o início dos sintomas até a completa cicatrização das lesões.

O diagnóstico é feito por exame laboratorial, a partir da secreção ou das crostas das feridas.

Atualmente, não há um medicamento específico amplamente disponível para o tratamento da mpox. O atendimento médico é voltado para o alívio dos sintomas.

“Existem alguns antivirais, mas não há consistência sobre a eficiência para uso amplo. O que se trata são os sintomas, sobretudo as lesões de pele. Então o tratamento é sintomático”, afirma Brandão.

Na maioria dos casos, a doença apresenta evolução leve a moderada, com duração entre duas e quatro semanas.


Há risco de pandemia de mpox?

De acordo com o professor da USP, não há risco concreto de uma pandemia neste momento. No entanto, surtos localizados podem ocorrer, especialmente em períodos de grande circulação de pessoas.

“O Carnaval certamente pode impactar. Os vírus gostam de pessoas perto de pessoas. Esse aumento da interação pode favorecer a transmissão e gerar picos regionais de casos”, afirma.

Segundo o especialista, o principal fator de risco está no contato direto e próximo entre pessoas, o que exige atenção redobrada em ambientes com aglomeração. Ele também alerta para a possibilidade de casos importados, com linhagens diferentes do vírus trazidas por turistas de outros países.

Ainda assim, o cenário atual não indica uma emergência sanitária de grandes proporções. Sobre reinfecção, Brandão destaca que ela pode ocorrer, seja pela mesma cepa ou por uma variante diferente.


Quem pode se vacinar contra a mpox

A vacinação contra a mpox, segundo o Ministério da Saúde, é destinada a grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Podem receber a vacina:

  • pessoas vivendo com HIV/aids com imunossupressão (CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses), especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais
  • profissionais de laboratório que atuam diretamente com Orthopoxvírus
  • pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados, após avaliação da vigilância em saúde

Especialistas reforçam que qualquer pessoa exposta ao vírus pode se infectar. Quem apresentar sintomas deve procurar uma unidade de saúde, informar possível contato com casos suspeitos ou confirmados e evitar contato próximo com outras pessoas até receber orientação médica.

* Com informações do SBT NEWS e SESA-ES