Entrevista

Arnaldinho abre o jogo sobre união de forças com Pazolini

“Ele [Casagrande] fez a escolha dele. Eu fiz a minha escolha de tocar o meu projeto para eu ser pré-candidato e candidato ao Governo do Estado”

Arnaldinho discursa durante evento da Ascamves. Foto: reprodução Instagram
Arnaldinho discursa durante evento (26/03/2025). Foto: Instagram

Não foi só um “amor de Carnaval”, mas um casamento firme, cujo altar foi o Sambão do Povo. Passados os dias de folia, o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), concedeu à coluna, pessoalmente, a entrevista a seguir. E confirmou, em palavras, o que já diziam todos os seus gestos públicos nas últimas duas semanas: a aliança eleitoral firmada com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Segundo Arnaldinho, os dois estarão juntos, no mesmo time, no processo eleitoral. “Sim. Nós estaremos do mesmo lado.”

Ele afirma com todas as letras que renunciará em abril, ficando livre para disputar o pleito. Não apoiará Ricardo Ferraço (MDB) para governador (e diz nunca ter dito que o faria). Se não for candidato ao Palácio Anchieta, apoiará Pazolini. Não será candidato a vice-governador. Não descarta ser candidato a senador. Mas acredita que, no arranjo com Pazolini, ainda possa ser ele o candidato a governador. Apesar de tudo, ainda se considera aliado de Renato Casagrande (PSB). Mas já não assegura apoio ao governador para o Senado.

Agora aliado de alguns dos principais adversários do grupo político de Casagrande, como Pazolini e Evair de Melo (PP), Arnaldinho refuta toda acusação de traição. “Onde existe a traição?”

Eis a entrevista completa:

Ao lado de Pazolini, o senhor fez o movimento eleitoral mais importante até agora no Espírito Santo. É um movimento controverso e que suscita algumas dúvidas, alguns pontos a serem esclarecidos. O principal: é mesmo uma aliança eleitoral? Durante o processo eleitoral, vocês dois estarão do mesmo lado?

Sim. Nós estaremos do mesmo lado. De forma muito madura, nós sentamos, conversamos e alinhamos que temos as mesmas características, de sermos prefeitos inovadores, que fazem entregas que o povo deseja e que o Espírito Santo precisa disso: inovação, sustentabilidade e respeito ao nosso povo. E é isso que nós estamos trabalhando juntos, para que a gente possa construir o novo Espírito Santo.

Independentemente de posições, vocês estarão no mesmo palanque e na mesma coligação?

Com toda a certeza. A gente tem dialogado muito. Não podemos falar que estaremos na mesma coligação, porque é um processo democrático, mas estamos muito bem alinhados com o diálogo. O diálogo tem avançado, assim como estamos abertos ao diálogo para todo mundo.

Isso significa dizer, prefeito, que o senhor não apoiará a candidatura do vice-governador Ricardo Ferraço ao Governo do Estado? O senhor já pode descartar essa possibilidade?

Eu nunca declarei que estaria com ele. Respeito o posicionamento dele, assim como respeito todos os posicionamentos, porque é da democracia. Mas eu tenho um posicionamento também, e não é escondido de ninguém. Meu posicionamento, inclusive, foi colocado pelo governador Renato Casagrande, que me lançou também candidato ao Governo do Estado.

Ele fez a escolha dele, eu fiz a minha escolha de tocar o meu projeto para eu ser pré-candidato e candidato ao Governo do Estado.

O PSDB estará com o Republicanos?

Olha, tudo indica que sim, mas nós estamos dialogando para que isso aconteça.

E vocês dois, tanto o senhor como o prefeito Lorenzo Pazolini, vão renunciar em abril?

Eu não posso falar pelo Pazolini, posso falar por mim: tudo indica que o dia 4 de abril seja o meu último dia na condição de prefeito de Vila Velha.

Se ele também renunciar, só um dos dois, em se mantendo esse projeto conjunto, poderá ser candidato a governador. Nesse caso, o senhor acredita que o prefeito de Vitória possa desistir, abrir mão em favor do senhor para apoiá-lo ao Governo do Estado?

Olha, o que eu posso te afirmar é que nós estamos conversando muito, dialogando muito, para que a gente possa chegar num consenso, para a gente construir esse Espírito Santo que todo o povo deseja. Por onde a gente anda, por onde a gente passa, a sociedade deseja renovação, mas uma renovação já comprovada. Igual à minha aqui em Vila Velha, com tantas entregas, da mesma forma que o Pazolini tem feito lá em Vitória. Ou seja, são duas gestões vitoriosas, duas gestões de resultado, de entregas, de planejamento, de organização. É o que o Estado deseja para dar continuidade a esses últimos 24 anos de bom governo.

E qual será o critério de escolha? Serão pesquisas de intenção de voto? É quem estiver melhor lá em julho?

Não dialogamos sobre critério, nem dialogamos o que cada um vai ser.

Só temos a certeza de que estaremos caminhando juntos para que o Estado se transforme nesse novo Espírito Santo que a gente se vê debatendo com a sociedade.

Quando ainda se discutia uma eventual candidatura sua dentro do movimento do governo, o senhor já descartava ser vice-governador. Então já sabemos que candidato a vice de Pazolini o senhor não será. E candidato a senador?

Olha, a gente está aberto ao diálogo para que a gente discuta o futuro do Espírito Santo. Se eu adiantar alguma coisa, se eu sou candidato a governo, se eu sou candidato ao Senado, eu estarei aqui jogando para a plateia. A gente só quer trabalhar, dialogar para que a gente possa chegar num consenso e construir um novo Espírito Santo que o povo está desejando. Onde a gente anda, as pessoas têm pedido para que a gente seja candidato, têm falado que é a cara do novo Espírito Santo. E é isso que a gente tem feito.

Sua decisão a respeito da aliança eleitoral com Pazolini não tem volta? É irreversível?

A gente tem dialogado muito, a gente começou uma caminhada juntos agora, e pretendo que essa caminhada seja por muito tempo. Nessa caminhada, desejamos que nós dois, jovens, com muita maturidade, tenhamos a sabedoria de tomar decisões assertivas em benefício da sociedade, para melhorar a vida das pessoas. Então é esse o nosso caminho, é isso que a gente conversou.

Reservadamente, aliados do senhor têm falado em “asfixia”: que o senhor estava se sentindo asfixiado lá no movimento do Palácio Anchieta, liderado pelo governador, e que não lhe deram espaço para realmente se viabilizar. Ligo isso a um outro fato, um post feito pelo senhor em collab com o Pazolini na semana passada, no bloco de Carnaval em Castelo. A legenda foi “Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós”. O senhor confirma que estava se sentindo sufocado?

Olha, eu acho que todo mundo é livre para fazer a escolha que deseja. Aqui em Vila Velha, nós tivemos aproximadamente 194 mil votos, a maior votação do Estado do Espírito Santo para um prefeito. Isso nos dá a capacidade de colocar nosso nome à disposição para a sociedade.

Por onde eu ando em Vila Velha, as pessoas ficavam me questionando por que eu fui preterido. E a gente, com muita tranquilidade, explicava que provavelmente existia um acordo e que isso faz parte da democracia.

Da mesma forma, hoje as pessoas me dizem que eu tomei a decisão acertada. Por onde eu vou, talvez você tenha acompanhado as pessoas falando, me parabenizam por eu ter tomado a decisão de ter unido o meu grupo com o grupo de Pazolini para que a gente possa discutir o futuro do Espírito Santo. Então é isso que está acontecendo. Em momento algum eu me senti asfixiado, pelo contrário. Eu só acho que faz parte da democracia e do processo democrático a gente escolher o caminho que a gente deve trilhar.

Seu movimento também tem gerado, sobretudo entre pessoas mais ligadas ao governo, outro tipo de reação: revolta e acusações de traição. Tenho ouvido muito essa palavra. Por que, para o senhor, não se trata de uma traição?

Eu quero saber onde existe a traição. Eu pergunto a você: onde existe a traição?

O argumento se refere ao fato de que vocês vinham juntos, sempre se articulando juntos, o senhor com o Renato Casagrande e com o Ricardo Ferraço… e, principalmente, em relação aos investimentos do Governo do Estado no município de Vila Velha nos últimos cinco anos.

Olha, os investimentos são do povo. Se não foi feito no passado, é porque talvez faltou diálogo e competência para trazer esses recursos para Vila Velha. O que a gente não pode aceitar é a cidade ser preterida pelas escolhas democráticas que a gente faz. O povo de Vila Velha precisa entender muito bem isso: que a cidade passou anos e anos esquecida, sem investimento público. O dinheiro que foi colocado aqui é dinheiro do imposto de cada cidadão que está aqui. E ele foi colocado porque a nossa administração organizou a cidade e tem competência para tirar do papel os projetos sonhados pela população. Então, se você acha que traição ou quem acha que traição é colocar dinheiro aqui e tem que ter a obrigação de apoiar ou caminhar junto, está muito enganado sobre o que é política.

Eu não me sinto em nenhum momento nessa condição. Pelo contrário, em 2022, quando a eleição foi para o segundo turno, quem estava de prontidão ajudando a eleger e reeleger [o governador Renato Casagrande] foi a gente aqui em Vila Velha.

Foi o nosso povo, nossa turma, nossa militância política que deu a oportunidade para o governador ter o seu terceiro mandato. Então, aqui, não tem que se falar de traição. Pelo contrário, tem que se falar de parceria, de aliança que está dando resultado e que deu resultado.

O senhor espera que, com essa sua decisão, não cessem os investimentos do Governo do Estado?

Eu gostaria que você verificasse quais são os investimentos dos últimos anos na cidade de Vila Velha, o investimento desse último ano de 2025, o que foi feito de convênio na cidade de Vila Velha, porque o povo não pode ser preterido. Não existe briga política e o povo ficar no meio disso e ser preterido. Da minha parte, não existe. Da minha parte, vai ter sempre o povo em primeiro lugar, os projetos do povo em primeiro lugar, para depois ter o projeto pessoal em segundo plano. E é isso que eu tenho conduzido e busco fazer na cidade de Vila Velha e acredito que os investimentos têm que estar na cidade de Vila Velha. É dinheiro do povo, é dinheiro da sociedade, dos nossos impostos.

O senhor continua se considerando um aliado do governador?

Eu me considero um grande aliado do governador. É só você ver a história que a gente fez pelo governo, está aí. Eu não preciso falar, o meu exemplo já demonstra aí nos últimos anos a parceria que eu tenho com ele. Eu me considero um aliado.

E vai pedir votos para ele ao Senado? Isso está mantido?

Até o momento, sim, mas a gente tem ainda um processo eleitoral. O processo eleitoral é que vai demandar as alianças políticas, se ele vai estar no mesmo palanque… se não estiver, não pode pedir. Então, ainda existem muitos movimentos políticos a serem feitos para que a gente possa tomar essa decisão final.