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Segundo reclamações registradas no Procon, a escola mudou de Vila Velha para Vitória, sem aviso prévio, e deixou alunos revoltados
Escrito por Redação em 18 de fevereiro de 2026
A mudança de uma escola técnica de Vila Velha para Vitória tem causado revolta entre estudantes e já virou caso de Justiça. Ao todo, 27 reclamações formais foram registradas no Procon de Vila Velha depois que a instituição deixou a cidade por causa de uma decisão judicial de despejo.
Como não houve acordo nas audiências de conciliação, o caso agora será encaminhado ao Poder Judiciário. A Justiça vai analisar se a mudança respeitou os direitos dos alunos e se as regras do contrato foram aplicadas de forma justa, levando em conta os impactos financeiros e na rotina dos estudantes.
O principal pedido dos alunos era a manutenção de um espaço provisório de atendimento em Vila Velha, principalmente para quem já está na fase final do curso. A ideia era evitar prejuízos e facilitar a conclusão das aulas.
Durante as reuniões no Procon, a escola apresentou algumas alternativas: desconto nas mensalidades para continuar estudando em Vitória, entrega gratuita de documentos para quem quisesse se transferir e cancelamento de contrato sem multa.
Mas um dos principais pontos de conflito foi a recusa da instituição em devolver valores já pagos referentes a meses em que não houve prestação de serviço. Isso aumentou a insatisfação dos estudantes.
Outro problema apontado pelos alunos foi a falta de aviso prévio sobre a mudança. Muitos disseram que escolheram a escola justamente pela localização em Vila Velha. A transferência para outra cidade, sem comunicação antes do período de rematrícula, afetou o planejamento de vida de mães, trabalhadores e estudantes de baixa renda que dependiam da proximidade para conciliar trabalho, casa e estudo.
Segundo análise do Procon Vila Velha, mesmo que o contrato preveja a possibilidade de mudança de endereço, a transferência para outro município pode ser considerada desvantagem excessiva ao consumidor. O Código de Defesa do Consumidor prevê que cláusulas que causem desequilíbrio na relação podem ser consideradas abusivas.
Também houve reclamações sobre a falta de comunicação formal em relação às datas de início das aulas.
O superintendente do Procon Vila Velha, Moisés Penha, afirmou que o órgão tentou resolver a situação por meio do diálogo.
“O consumidor não pode ser surpreendido dessa forma. Buscamos uma solução equilibrada, mas quando há indícios de cláusulas abusivas e prejuízos coletivos, o caminho passa a ser o Poder Judiciário”, disse.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Vila Velha, Everaldo Colodetti, também comentou o caso. Segundo ele, a educação técnica é fundamental para quem busca espaço no mercado de trabalho.
“Muitas pessoas organizaram suas vidas para estudar. Situações como essa precisam ser tratadas com responsabilidade e respeito, principalmente em defesa de quem foi prejudicado”, afirmou.
Agora, caberá à Justiça decidir se a mudança da escola técnica de Vila Velha para Vitória violou os direitos dos alunos. O nome da escola não foi divulgado pela prefeitura.